De acordo com os mais recentes dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), os esforços de recuperação da pandemia de COVID-19 apresentam uma oportunidade para governos de todo o mundo usarem tecnologias emergentes para reduzir as desigualdades provocadas pela crise de saúde pública.

O Technology and Innovation Report de 2021 revela que as tecnologias em questão, que vão da Inteligência Artificial ao 5G, passando ainda por IoT, Big Data, Blockchain, robótica ou impressão 3D, representam um mercado com um valor estimado de 350 mil milhões de dólares. Prevê-se que o valor do mercado das tecnologias emergentes possa “saltar” para os 3,2 biliões de dólares já em 2025.

UNCTAD | Technology and Innovation Report de 2021
créditos: UNCTAD

É verdade que o aceleramento da digitalização e da implementação das tecnologias traz consigo múltiplos benefícios, porém Isabelle Durant, Secretária-Geral da UNCTAD, sublinha que é importante que os países em desenvolvimento não percam a “onda”, caso contrário existe o risco de aumentar as desigualdades existentes.

O relatório da UNCTAD detalha que perante cada “onda” de inovação tecnológica surgem novas desigualdades. Desde a primeira revolução industrial há cerca de 250 anos que o “fosso” entre países tem vindo a aumentar significativamente. Estima-se, por exemplo, que a contribuição entre países para o índice de desigualdade global tenha passado de 28% para 85% entre 1820 e 2002.

Hoje, as grandes preocupações centram-se em torno de questões como o risco de a automação “roubar” os postos de trabalho desempenhados por humanos a larga escala, ou a “gig economy” e a redução dos direitos dos trabalhadores. Em destaque estão também as desigualdades provocadas pelo mercado e pela concentração dos lucros ou pelo uso de IA.

Que diferenças existem entre países?

Segundo o relatório, a forma como a nova “onda” de inovação tecnológica vai afetar as desigualdades entre países dependerá das políticas implementadas a nível nacional. De modo geral, os países que estão mais bem preparados para adotar e usar as novas tecnologias de forma equitativa encontram-se na América do Norte e na Europa. Por contraste, os menos preparados estão maioritariamente na África Subsariana.

No entanto, é também possível constatar casos de países em desenvolvimento que apresentam um melhor desempenho em matéria de tecnologias emergentes do que o seu PIB per capita possa dar a entender. Aqui destacam-se países como a Índia, as Filipinas ou a China.

Para Shamika N. Sirimanne, diretora da divisão de tecnologia e logística da UNCTAD, “as tecnologias não são deterministas”. A responsável defende que, graças ao avanço da tecnologia, as sociedades e respetivas economias estão a alterar-se rapidamente e, embora não seja possível determinar o resultado final com certeza absoluta, “as mudanças serão mais profundas do que imaginamos”.

As tecnologias não devem perpetuar desigualdades

A UNCTAD alerta para a séria possibilidade de a nova “onda” de inovação tecnológica assoberbar certas regiões em desenvolvimento, ou, então, de os mesmos não conseguirem apanhá-la a tempo.

“O progresso tecnológico é essencial para o desenvolvimento sustentável, mas pode também perpetuar ou criar desigualdades. Assim, os governos têm como missão maximizar os possíveis benefícios enquanto mitigam efeitos mais negativos”, enfatiza o relatório. Os governos desempenham também um papel fulcral na criação de ambientes que garantam que os benefícios das novas tecnologias sejam partilhados por todos.

Cada país precisa de criar políticas na área da ciência, tecnologia e inovação que sejam adequadas ao seu nível de desenvolvimento, sem esquecer a cooperação internacional. O relatório indica ainda que as nações em desenvolvimento, em particular, se devem preparar para períodos de grande mudança.

Os países em desenvolvimento precisam de trabalhar tendo em vista objetivos como, por exemplo, o acesso universal à Internet, além de assegurarem que os seus cidadãos têm oportunidades para aprender as competências necessárias para trabalhar com as tecnologias emergentes e que os seus sistemas de proteção social são suficientemente resilientes.

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