"Vivemos um dos períodos mais importantes de mudança: a transição do capitalismo industrial para uma forma de "capitalismo informacional", que ainda não sabemos como funciona, nem como se gere", defendeu hoje Ernâni Lopes, director e professor do Instituto de Estudos Europeus da Universidade Católica Portuguesa, durante a sua intervenção na conferência eDirections, promovida pela IDC.



Salientando que é necessário compreender o que chama de "forças de fundo", nomeadamente o impacto da ciência e da tecnologia sobre as economias e sociedades", Ernâni Lopes defende que um dos principais problemas é o facto de vivermos ainda o modelo da Revolução Industrial. "O conceito de empresa evoluiu (...) e as empresas ligadas ao 'capitalismo informacional' terão de funcionar de maneira completamente diferente".



Numa tentativa de visão prospectiva sobre a economia portuguesa, Ernâni Lopes começou por lembrar que o "clima de incerteza" faz parte da vida empresarial e que nestas alturas o importante é "tentar perceber" - aprender e ter conhecimento das coisas à nossa volta - e ter capacidade de resposta.



Nesta acção de recuperação da economia, de ajustamento, a responsabilidade é colectiva, argumenta Ernâni Lopes. "A responsabilidade não é só dos outros, é de cada um de nós". Na opinião deeste analista, Portugal vai viver, ou está a viver um processo de ajustamento do Tipo III, um ajustamento que passa pela economia real, ou seja, serão as famílias e as empresas a pagar o esforço do ajustamento.



Os resultados deste ajustamento só serão visíveis, com alguma sorte, salientou o professor, a partir de 2004. Ernâni Lopes defende ainda a possibilidade de se constituírem dois cenários dominantes, o de definhamento contra o de afirmação, e três cenários secundários, o de afirmação estratégica, o da sobrevivência mediocre e o da degradação consistente, para cada um apontando possíveis situações que conduziram a tal. Segundo Ernâni Lopes, o cenário secundário da sobrevivência mediocre será o mais provável.



Se tal se verificar, significará que Portugal teve grande dificuldade em sair da crise dos primeiros anos da década, arrastando uma sucessão de desaires nas suas políticas de regulação conjuntural e sujeitando-se a uma permanente negociação com a Comissão Europeia; e que a crise das finanças públicas, gerada no final da década de 1990 e explicitada em 2001/2002 não foi convincentemente resolvida e acabou por se arrasta, bloqueando a capacidade de intervenção do estado para estimular a economia e favorecer a reestruturação das empresas, dos sectores e da própria Administração Pública;



Para o mesmo cenário contribuirá ainda o comportamento das empresas se persistirem mostrando as incapacidades e limitações que haviam levado, nos anos 90, à evidência do esgotamento do modelo estratégico da economia, juntamente com a reduzida dimensão do mercado interno, a insipiência da internacionalização e a incapacidade para detectar e aproveitar novas oportunidades, que levarão a uma situação prolongada de baixos níveis de crescimento.



Perante as dificuldades de um provável cenário da "sobrevivência mediocre", a economia portuguesa "vai vivendo", diz Ernâni Lopes.




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