A Europa continua a adoptar uma perspectiva optimista face ao desenvolvimento do comércio electrónico, segundo dados de um estudo da consultora Accenture revelado recentemente. Sessenta por cento dos executivos séniores entrevistados afirmaram que iriam aumentar os seus gastos em e-commerce numa média de 15 por cento durante os próximos 12 meses, ao passo que 50 por cento espera apostar nas potenciais oportunidades do comércio móvel dentro dos próximos três anos.



Contudo, as razões apontadas para tal mudaram significativamente, demonstrando um optimismo mais realista e menos eufórico. O estudo, designado The Unexpected eEurope e que conta com a participação de 800 empresas em 25 países - incluindo não-europeus: Índia, Japão e Estados Unidos -, revela que as empresas estão a procurar obter ganhos de eficiência que o e-commerce pode oferecer, de modo a adaptarem-se ao novo ambiente competitivo. Deste modo, estão a investir em iniciativas de comércio electrónico em áreas como back-office, cadeia de fornecimento, vendas e marketing.



Em lugar do objectivo da atracção de novos consumidores, passou a estar o estreitar das relações com os clientes através do fornecimento de serviços mais personalizados. Sessenta e um por cento dos inquiridos afirmaram que vão aumentar a sua dependência nas receitas geradas pelos serviços, ao passo que 75 por cento tencionam personalizar mais a disponibilização desses serviços durante os próximos três anos.



As companhias europeias também começam a planear criar novas formas de e-commerce, como o comércio ubíquo - em qualquer altura e em qualquer lugar -, sector que abrange o comércio móvel sem fios - através de telemóveis -, o t-commerce - via televisão interactiva -, as tecnologias de reconhecimento de voz e o comércio silencioso - utilização de chips de radiofrequências para identificar, vigiar e monitorizar objectos à medida que se movem no interior de uma organização ou através da sua cadeia de fornecimento.



Estes factores indicam que o comércio electrónico tenderá a ir mais além do computador pessoal. Por outro lado, poderá ainda possibilitar a prestação de serviços personalizados. A tecnologia sem fios é a que concentra mais atenções, uma vez que 49 por cento das empresas estão dispostas a desenvolver projectos distintos nos próximos três anos. O principal obstáculo com que se defrontam 70 por cento dos inquiridos é a falta de formação.



As soluções para este problema passam pela formação do pessoal local, pelo recrutamento de especialistas estrangeiros e pela subcontratação de algumas funções a outros países.



A distância entre a Europa e os Estados Unidos na adopção do e-commerce diminuiu para 12 meses, de acordo com o estudo. Porém, os executivos europeus continuam a sentir uma falta de confiança na capacidade da Europa em tomar a dianteira em novas formas de transacções online. Enquanto que a maior parte espera liderar no comércio móvel dentro de um período de três anos, eles estimam que os Estados Unidos ocupem o primeiro lugar em todas as outras áreas: comércio silencioso, por voz e via televisão, bem como no e-commerce tradicional.



Quanto à situação em Portugal, o estudo da Accenture revela que ainda existe o mesmo entusiasmo pelas transacções online que caracterizava os Estados Unidos e algumas partes da Europa há mais de um ano atrás. Apesar de o crescimento económico estar a desacelerar, nenhum dos executivos entrevistados tenciona reduzir as despesas no comércio electrónico em 2002, sendo que dois terços (66%) pretendem até aumentar os seus gastos. Porém, ainda falta algo para que Portugal se torne num dos líderes, pois apenas 27 por cento das empresas estão a utilizar a Internet para comprar e vender bens a outras companhias - comparado com a média europeia de 48 por cento.



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