Há uma disputa aparente entre duas cidades norte-americanas para ver quem se apresenta como a mais favorável às criptomoedas e mais atraente para quem trabalha nesta indústria. O recém-eleito mayor (o equivalente a presidente da câmara) de Nova Iorque, Eric Adams, anunciou que os seus primeiros três salários vão ser pagos em Bitcoins.

O anúncio foi feito no Twitter, dois dias depois da eleição, e refere que “em Nova Iorque estamos sempre em grande, por isso vou receber os meus primeiros três salários em Bitcoin quando me tornar mayor. Nova Iorque vai ser o centro da indústria de criptomoedas e de outras indústrias em rápido crescimento! Aguardem!”.

A publicação é uma resposta direta a Francis Suarez, o mayor de Miami, que tinha manifestado intenção de poder receber o próximo salário em bitcoins, mas há uma história maior por trás da “troca de galhardetes” e mostra como esta indústria está a ganhar relevância e valor económico.

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Suarez assumiu como um dos pilares da sua estratégia para a cidade, transformá-la num tech hub e identificou a indústria das criptomoedas como pilar dessa aposta. Numa conversa recente, o responsável admitiu mesmo que a cidade pode vir a cobrar impostos através de criptomoedas - e libertar os cidadãos de outros impostos - e que espera que venha a ser possível fazer os pagamentos do município também por essa via.

Um dos passos mais emblemáticos de Miami para se tornar o centro da indústria de criptomoedas foi uma parceria com a CityCoins, um projeto sem fins lucrativos que desenvolveu um protocolo para a transação de criptomoedas, que permite gerar valor para quem cria os tokens e para o município. Ou seja, quem descarregar o software da CityCoins consegue criar novos tokens, ganhar uma percentagem da moeda digital que criou (70%) e doar o restante à cidade que escolher.

Em setembro o município decidiu começar a aceitar estas doações e admite que no futuro possam ser a base para um novo modelo de cobrança de impostos, que permita dispensar outras taxas.

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No final de setembro, o The Washington Post revelava que a cidade já tinha conseguido amealhar sete milhões de dólares por esta via, com as doações a serem imediatamente convertidas em dólares, quando são feitas. Ficam depois retidas, por um período de seis meses, para salvaguardar possíveis questões relativamente à origem do dinheiro. Num ano as estimativas do presidente apontam para doações de 60 milhões de dólares.

A estratégia da cidade para atrair empresas de tecnologia tem outros vectores, com os impostos baixos e tem dado resultados. Empresas como a Goldman Sachs, SoftBank e Blackstone abriram escritórios na cidade nos últimos meses e a cryptowallet Blockchain.com mudou a sua sede de Nova Iorque para Miami.

A batalha está aberta e, como sublinham vários meios de comunicação norte-americanos, pode acabar por acelerar decisões e legitimar operações com moedas virtuais, que se esperava demorassem mais tempo a chegar. Para já, o anúncio do mayor eleito em Nova Iorque, no passado dia 2 de novembro, está a ser encarada mais como simbólica, até pelas questões práticas que daí resultam, a enorme flutuação da moeda, etc. Ainda assim, assinala-se que o responsável escolheu o tema para uma das suas primeiras declarações públicas pós-eleição.

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