Provavelmente já teve um aquário, e eventualmente já plantou pequenas alfaces ou plantas aromáticas em vasos na varanda. O projeto da Aquaponics pretende fundir exatamente esses dois hobbies de uma forma mais proveitosa e eficiente na área da aquaponia. Imagine um aquário com pequenos peixes dourados, ligados a tubos verticais onde estão instalados recipientes com os produtos agrícolas que deseja cultivar. O sistema descarta a necessidade de utilização da terra, pois as verduras vão buscar os nutrientes aos dejetos dos peixes que estão na água.

A tecnologia da Aquaponics gera uma relação de simbiose entre os peixes e as plantas através de tubos instalados no sistema que fazem o circuito da água. A água é puxada do aquário para a zona onde estão as plantas, que depois é devolvida ao recipiente já purificada. O ciclo repete-se constantemente sem a necessidade de substituir a água do aquário, a não ser a reposição da que vai sendo evaporada. É possível plantar manjericão, alface, couve, plantas aromáticas, rúcula, grelos, tomates, morangos, entre outras verduras, mediante o espaço do que se pretende instalar.

O projeto Aquaponics nasceu pela paixão de João Cotter pela aquaponia e pelo tratamento de peixes de aquário, segundo contou o seu pai José Cotter, que representava a empresa durante o Portugal Smart Cities Summit. Depois de tirar um curso de gestão de empresas, José Cotter enveredou por um mestrado em Biologia. “A empresa procura introduzir o conceito da aquaponia em Portugal, que visa sobretudo evitar o desperdício da água da torneira”.

O sistema pode ser instalado tanto na vertical como na horizontal, ficando ao critério das pessoas o espaço que deseja ocupar – desde um simples aquário na sala, como um projeto maior numa varanda, e no caso de João Cotter que montou na sua casa um sistema de 1.000 litros acoplado a uma estufa. O projeto adapta-se ao espaço e ao investimento que as pessoas desejarem fazer. No caso do representante da empresa, este consegue obter a produção necessária de verduras para o consumo da família sem ter de comprar nos supermercados. “Os legumes plantados são mais que biológicos, pois dispensam qualquer tipo de pesticidas”, salienta João Cotter sobre a vantagem da aquaponia.

Embora o Aquaponics possa passar por um simples hobbie de aquaponia, a empresa pretende introduzir o sistema ao nível industrial, e é aqui que nasce o projeto Fish n’green.

Trata-se de introduzir a aquaponia nas zonas urbanas, visando a produção piscícola e de vegetais, criando uma combinação sinergística. Em Torres Vedras já há um projeto de restaurante e loja de venda ao público preparado para arrancar, com capacidade para produzir 42 toneladas de peixe fresco e 73 toneladas de verduras.

“O projeto está ainda dependente da aprovação de uma lei que permita a criação de peixes em água doce, tal como a tainha, utilizando este sistema”, esclarece João Cotter, referindo que pode estar para breve a conclusão do processo na Comissão Europeia.

“Tanto na América do Sul como do Norte já é possível encontrar o sistema, mas na Europa ainda estamos condicionados pela lei”, concluiu.

Para além de evitar o desperdício da água e uma maior pureza do produto, o sistema torna o processo de crescimento das verduras mais rápido que o tradicional. Tudo depende do equilíbrio entre a quantidade de peixes no aquário e as plantas, contas que a empresa disponibiliza aos seus clientes.

Se tudo correr bem, será esta a contribuição da aquaponia, e neste caso da Aquaponics, para criar uma visão na indústria piscícola e agrícola sustentável e amiga do ambiente. Ou se preferir, uma alternativa de prenda de Natal, nos sistemas em miniatura para os lares que a empresa vai desenvolver.

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