A Quidgest foi fundada em 1988 e o primeiro sistema criado com a Genio surgia três anos depois, em 1991. “Sempre nos deparámos com a falta de recursos nesta área e a dada altura surgiu a ideia de criar uma plataforma que gerasse software automaticamente”. E assim nasceu a Genio.

Em entrevista ao SAPO Tek, Cristina Marinhas explicou que a plataforma transforma linguagem corrente em linguagem de programação, permitindo que pessoas de áreas completamente diferentes e distintas, “sem qualquer formação em tecnologia”, desenvolvam sistemas de informação.

“Nos cursos de engenharia informática tem de ensinar a fazer código, claro, mas devia-se conjugar isso com a automação”

“Temos pessoas de história, de química, de gestão, na área de desenvolvimento. Da agronomia ao desporto”. Tal só é possível graças ao elevado nível de interação que existe com o cliente, sublinha a CEO da Quidgest. “Estamos sempre em contacto para avaliar se corresponde à ideia pretendida pelo cliente”. E nisto, a qualidade do sistema também vai sendo testada ao longo do processo. “Não é no fim, como acontece normalmente neste tipo de projetos”.

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Cristina Marinhas aponta que a indústria do software é a única em que o produtor é mais importante do que o consumidor e isso tem de mudar. “Até agora o produtor é que dita as regras: ‘temos este software, está aqui agora adaptem-se. Nós não vamos mexer nele porque é difícil, levou muitos anos a construir, é muito caro’, essas coisas todas”, criticou. “Aqui temos uma visão completamente diferente: o software é uma indústria, ou seja, deve fabricar software que seja fácil de mudar e adaptar”. E a forma de fazer isso passa pela automação e pela geração de código automático, considera. 

O clima económico mudou, mas (ainda) falta mudar a mentalidade dos decisores

Este ano correu bem à Quidgest. “Foi um ano de crescimento económico muito à custa de um projeto internacional que temos na Jamaica e de um grande projeto com a Universidade Nova”, referiu Cristina Marinhas. As previsões para 2019 vão no mesmo sentido: "crescer em resultados e em pessoas". E também em países, com o foco na Europa. "Vamos  começar o ano já com algumas coisas em perspetiva. A nível nacional temos alguns projetos em carteira que nos vão permitir ter alguma segurança inicial. Na Alemanha também temos um projeto importante", adiantou a responsável. Garantiu ainda que a empresa vai continuar a recrutar, como tem vindo a acontecer.

"A nível nacional acho que ainda há muita coisa para fazer. É preciso é que deem às empresas portuguesas a possibilidade de mostrarem aquilo que valem"

A cofundadora da Quidgest considera que a economia do país está em movimento, mas o mercado nacional padece de um problema antigo: o de continuarem a existir muitos decisores que não compram a empresas portuguesas. É a máxima da “decisão preguiçosa”, acusa, em que não se avaliam ou analisam outras possibilidades e se escolhe muito por os outros escolherem ou fazerem. “A mentalidade dos nossos decisores, quer sejam públicos ou privados, ainda é muito esta. Lá fora privilegiam mais o que é deles”.

E é por isso que os resultados da Quidgest têm passado muito por projetos fora de Portugal. “Concorremos muito a propostas internacionais. A nível nacional acho que ainda há muita coisa para fazer. É preciso é que deem às empresas portuguesas a possibilidade de mostrarem aquilo que valem. Um voto de confiança”.

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