As startups têm uma nova casa pronta a habitar em Lisboa: chama-se Startup Campus e é um espaço onde empresas portuguesas e estrangeiras, de base tecnológica ou não, podem aprender a crescer. A grande condição para receber as chaves de entrada parece ser apenas uma: estar focado na internacionalização.



“Queremos um país em que as pessoas estão dispostas a arriscar, um país focado em mercados globais e no desenvolvimento de novas tecnologias”, referiu o presidente da Fábrica de Startups, António Lucena de Faria, durante o discurso de introdução à inauguração do novo espaço.



O Startup Campus já tem dez empresas e 60 pessoas “acolhidas”, esperando dobrar o número até ao final do ano. Quantas empresas pode acolher o novo campus? Um número difícil de apontar tendo em conta que existem startups que ocupam um andar inteiro de sete e outras apenas ocupam uma secretária. Mas ficou o desejo: “queremos trabalhar com centenas de empresas e milhares de empreendedores”, vincou o representante da Fábrica de Startups.



O Startup Campus não é um local fechado e as parceria com outras incubadoras e empresas de aceleração prometem ser uma constante. Beta-i, Startup Lisboa, ISCTE e MIT são algumas das entidades com quem são mantidos contactos constantes e daqui podem até surgir “propostas para apresentar ao Governo”, como adiantou António Lucena de Faria.



Justamente a representar o Governo esteve o ministro da Economia, António Pires de Lima, que apregoou uma necessidade de em Portugal se criar uma mentalidade onde o falhanço é reconhecido e potenciado em novas oportunidades e experiências de negócio. “As boas empresas são aquelas onde o erro é valorizado”, acrescentou.



António Pires de Lima falou também na importância de segurar os cérebros portugueses, aproveitando o grande salto qualitativo que houve na formação e cujos empreendedores atuais são hoje resultado. Um trabalho que é para continuar, tendo ficado aberta a janela para que o conceito do empreendedorismo seja incluído na formação escolar básica do ensino português.



Enquanto Pedro Janela do WYGroup defendia a necessidade de ser apostar na ciência, na tecnologia, na engenharia e na matemática como pontos fortes do empreendedorismo português, o representante do Governo rebateu a ideia defendendo também a necessidade de se apostar na agricultura, no turismo e nos serviços, áreas onde Portugal consegue ser diferenciador.



O poder da colaboração


“Oh vizinho, não tem lá um pacote de arroz que me empreste que o meu acabou-se?”. Esta imagem familiar é a que se pretende replicar no Startup Campus e no fundo, este é o conceito chave – criar um ambiente familiar, dinâmico e onde possa haver partilha de conhecimentos.



Uma das empresas que já está no novo espaço de empreendedorismo é a Braganzia, um startup de bijuteria e joalharia que vende exclusivamente online e completamente focada no mercado internacional.

[caption]Braganzia[/caption]

O modelo de negócio só vem confirmar as declarações de António Lucena de Faria que mesmo dizendo que são aceites startups não tecnológicas, disse também que hoje em dia todas têm um pedaço de tecnologia integrado nos seus conceitos.



Marta Lowndes é uma das confundadoras da Braganzia, uma empresa constituída por apenas mais um elemento, Andreia, e que espelha todo o conceito do Startup Campus. Com a presença num ambiente jovem e empreendedor Marta espera poder tirar partido dos conhecimentos tecnológicos, seja na criação de ferramentas Web, seja a nível de estratégia nas redes sociais. Mas também ensinar.



Devido ao serviço premium prestado pela Braganzia, através de produtos de qualidade, Marta Lowndes espera poder ensinar às restantes empresas a importância do “pacote” quando se está a vender um produto.



A Braganzia vende produtos que se colocam entre a bijuteria e a joalharia, com preços que variam entre os 100 euros e os 1.000 dólares. Além da aposta no design que segue as tendências da moda e dos materiais de construção de alta qualidade, os acessórios da startup portuguesa são também modulares: um brinco que de manhã pode ser para uma reunião de negócios, mas que ao final da tarde através de um aplique tornou-se num acessório mais elaborado e requintado.



Os EUA são o grande mercado sendo que lá, do outro lado do Atlântico, o mercado das joias vendidas online rendeu em 2012 cerca de 10 mil milhões de dólares. E dado o sucesso que tem vivido, a Braganzia acredita que parte desta fatia pode ser sua, sempre com a consciência de que o caminho a percorrer é longo: “só no Natal de 2015 é que vamos conseguir perceber o potencial do negócio”, exemplificou a empreendedora.



No “showroom” do Startup Campus estavam ainda outras empresas das quais o TeK já falou, como a Zaask que está quase a completar dois anos de existência e como a Eduke.me que está agora a procurar a internacionalização no Brasil.



A edificação dos projetos faz-se com apoio


No curto debate que houve sobre a importância do empreendedorismo para a economia portuguesa, destacaram-se algumas ideias que apesar de duras, espelham parte da realidade.



“200 ou 300 mil euros chegam para criar uma empresa focada no mercado português, mas isso não interessa a ninguém”, explicou Pedro Janelas a propósito do capital necessário para iniciar uma aventura de grandes proporções. Portugal é um mercado demasiado pequeno para uma economia que está cada vez mais global.

[caption]Economia global[/caption]

Já Epifânio da Franca, presidente da Portugal Ventures, falou na incapacidade financeira que o país tem em criar “campeões”. “Os campeões precisam de dezenas de milhões de euros para crescer e Portugal não tem capital necessário para suportar o desenvolvimento de campeões. Não tem.”, analisou o investidor.



Epifânio da Franca deu depois o exemplo de que 100 “campeões” exigiriam mais de mil milhões de euros para se tornarem em empresas de escala global e que por este motivo, o dinheiro terá que vir de fora. Aquilo que a Portugal Ventures faz é estruturar o crescimento das empresas para que possam fazer a evolução rumo ao topo da pirâmide.



O próprio Startup Campus faz-se com base em apoios. O projeto conta com o suporte de várias entidades privadas como é o caso do banco Banif, da LG e da Sage. No caso da tecnológica sul-coreana o “investimento” é feito sobretudo através da disponibilização de equipamento e de disponibilização de marca para associação a eventos e a iniciativas.



Em conversa com o TeK, Hugo Jorge, diretor de marketing da subsidiária portuguesa da LG, falou na possibilidade de serem feitos intercâmbios entre engenheiros da tecnológica e membros de startups para que haja troca de conhecimento. Não fica também de parte a possibilidade de haver produtos criados no Startup Campus que integrem produtos da LG, como aplicações para smartphones ou para Smart TV.



O Banif, patrocinador oficial da iniciativa, referiu através do administrador Vítor Nunes que tem reservados 50 milhões de euros para investimento em pequenas e médias empresas nos próximos cinco anos, esperando poder investir em algumas das ideias e dos conceitos que vão ser trabalhados no novo espaço empreendedor do centro de Lisboa.

Rui da Rocha Ferreira


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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