"Há um contrato que é assinado antes de eu ser presidente da câmara, um contrato de 10 anos com a Web Summit, e, portanto, o presidente da câmara atual, fosse eu ou outro, teria essa obrigação de cumprir esse contrato, mas há uma novidade neste contrato e nesta assinatura é que o dinheiro que não for gasto, se houver menos gente, ele será devolvido ou não será pago", declarou Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

O presidente da câmara falava na reunião pública do executivo municipal após ser questionado pelo vereador do BE, Ricardo Moreira, em substituição da eleita Beatriz Gomes Dias, sobre o apoio do município de sete milhões de euros para a realização da próxima edição da conferência Web Summit, que se realiza entre 13 e 16 de novembro.

O BE tinha pedido que a proposta de atribuição de apoio financeiro à Web Summit fosse retirada da ordem de trabalhos da reunião privada que decorreu hoje de manhã.

Contudo, a proposta acabou por ser apreciada e aprovada, com os votos a favor da liderança PSD/CDS-PP e do PS e os votos contra dos restantes eleitos, designadamente de PCP, BE, Livre e vereadores independentes eleitos pela coligação PS/Livre.

"O senhor presidente insistiu num subsídio de sete milhões de euros para a Web Summit. Sete milhões de euros, senhor presidente, é mais 11% do que o ano passado, é mais do que a cidade de Lisboa gasta com as pessoas em situação de sem-abrigo, que são cada vez mais na cidade de Lisboa. São sete milhões que permitiam construir mais quatro creches, mas o senhor presidente quis dar à Web Summit, mesmo sem ter a certeza dos moldes, como isso vai acontecer", criticou Ricardo Moreira.

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Na anterior edição do evento, em 2022, a atribuição de apoio financeiro por parte do município -- nesse ano foi no valor de 6,3 milhões de euros - foi aprovada com igual votação por parte das forças políticas que compõem o executivo camarário.

A indefinição sobre a realização da próxima edição da Web Summit surgiu após o cofundador do evento Paddy Cosgrave escrever em 13 de outubro na rede social X (antigo Twitter) uma publicação sobre os crimes de guerra, em alusão ao conflito entre Israel e o Hamas, posição que deu origem a várias críticas, com empresas a anunciarem que iriam cancelar a participação na conferência de tecnologia.

"Estou impressionado com a retórica e as ações de tantos líderes e governos ocidentais, com a exceção particular do Governo da Irlanda, pela primeira vez estão a fazer a coisa certa. Os crimes de guerra são crimes de guerra mesmo quando cometidos por aliados e devem ser denunciados pelo que são", disse Paddy Cosgrave, na publicação na rede social X.

Hoje, o vereador do BE desafiou os restantes membros do executivo a subscreverem que "os crimes de guerra são crimes de guerra, seja quem for que os cometa".

"Como é que uma frase destas mata a Web Summit, senhor presidente? Lisboa quer mesmo apoiar um evento onde não há liberdade de expressão, onde o dinheiro fala mais alto, onde já nem se pode condenar crimes de guerra venham de onde venham", questionou.

Em resposta, o presidente da câmara reiterou que "a Web Summit não é um evento geopolítico, nem político, é um evento muito importante para a cidade em termos de tecnologia e inovação".

"É um evento que trouxe muito à cidade, apesar de hoje a cidade em termos de inovação já ser muito mais do que isso, porque penso que hoje, além da Web Summit, temos programas muito interessantes, como é o caso da Fábrica de Unicórnios", salientou Carlos Moedas.

Na reunião pública, o BE apresentou um voto de condenação aos crimes de punição coletiva e genocídio cometidos pelo Estado de Israel contra o povo palestiniano, mas o documento foi rejeitado com os votos contra da liderança do PSD/CDS-PP e do PS, que justificaram a posição com a aprovação de votos nesse sentido na semana passada.

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