O Ministério da Economia garantiu hoje que o Governo se mantém "empenhado" na realização da Web Summit, adiantado que contactos efetuados com diferentes parceiros do evento mostram haver condições para que este decorra com normalidade.

Segundo o comunicado enviado às redações, "o ministro da Economia e do Mar encetou, na passada semana, um conjunto de diligências com os diferentes “stakeholders” do evento, para avaliar a situação e assegurar que continuam a existir as condições necessárias para a edição de 2023".

"As informações recolhidas até ao momento, através desses contactos, dão garantias ao Governo de que o Web Summit, que se reveste de enorme importância para o País, tem condições para decorrer com normalidade", refere o mesmo documento, adiantando ainda que "o Governo mantém-se assim empenhado na realização do evento, nesta e nas próximas edições, e tudo fará para que a iniciativa decorra como o previsto".

O comunicado surge após várias empresas terem anunciado cancelar a participação na cimeira tecnológica, que decorre em Lisboa, após afirmações do líder da Web Summit, Paddy Cosgrave, sobre o conflito na Faixa de Gaza, que entretanto se demitiu do cargo.

O ministério refere ainda que "além do forte impacto na economia local, o evento tem hoje um papel fundamental no contexto da inovação e do desenvolvimento tecnológico do país, e na respetiva transformação digital da economia portuguesa. Esta edição, como todas as outras, terá como principal foco o universo das “startups”, a quem o evento traz oportunidades únicas de desenvolvimento e aprendizagem", indicando que são esperadas 2.600 startups e 70 mil participantes.

Várias empresas anunciaram o cancelamento da sua participação no Web Summit, entre as quais a Amazon, Meta, Google, Intel, Siemens e investidores israelitas, que já tinham anunciado antes que não participariam no evento. A IBM também confirmou que não vai participar este ano.

A polémica começou quando, a 13 de outubro, Paddy Cosgrave escreveu na rede social X (antigo Twitter) uma publicação que resultou numa onda de críticas entre várias responsáveis de empresas tecnológicas israelitas.

"Estou impressionado com a retórica e as ações de tantos líderes e governos ocidentais, com a exceção particular do Governo da Irlanda, que pela primeira vez estão a fazer a coisa certa. Os crimes de guerra são crimes de guerra mesmo quando cometidos por aliados, e devem ser denunciados pelo que são", destacou Paddy Cosgrave.

Depois disso, na terça-feira, Cosgrave pediu desculpas pelas suas declarações relativas ao conflito entre Israel e o Hamas, lamentando não ter transmitido "compaixão", e disse esperar que a paz seja alcançada. Nesta última mensagem, o empreendedor recebeu inúmeras respostas "tarde demais".

A posição do Cosgrave, que é irlandês, aconteceu um dia depois de o embaixador de Israel em Portugal, Dor Shapira, ter anunciado que o país tinha cancelado a sua participação na cimeira tecnológica de Lisboa devido às declarações do cofundador do Web Summit, que classificou de "ultrajantes".

"Para reiterar o que disse na semana passada: condeno sem reservas o mau, repugnante e monstruoso ataque do Hamas em 07 de outubro" e "apelo também à libertação incondicional de todos os reféns. Como pai, simpatizo profundamente com as famílias das vítimas deste ato terrível e lamento por todas as vidas inocentes perdidas nesta e noutras guerras", começa por dizer Paddy Cosgrave, no blogue do Web Summit.

"Apoio inequivocamente o direito de Israel existir e de se defender, apoio inequivocamente uma solução de dois Estados", mas "compreendo que o que disse, o momento em que disse e a forma como foi apresentado causou profunda dor a muitos", prossegue o cofundador daquela que é considerada uma das maiores cimeiras tecnológicas do mundo.

"Para qualquer pessoa que ficou magoada com minhas palavras, peço profundamente desculpas. O que é necessário neste momento é compaixão, e eu não transmiti isso. O meu objetivo é e sempre foi lutar pela paz" e, "em última análise, espero de todo o coração que isso possa ser alcançado", afirma Cosgrave.

Na sua mensagem, recorda que, "tal como tantas figuras a nível mundial", também acredita "que, ao defender-se, Israel deveria aderir ao direito internacional e às convenções de Genebra - ou seja, não cometer crimes de guerra".

Ainda estava semana o fundador do Web Summit anunciou que ia sair da rede social X (antes Twitter), e que precisava de um tempo fora da plataforma, com um novo pedido de desculpas.

No final da semana acabou por apresentar a demissão, com a empresa a indicar que vai nomear um novo CEO (presidente executivo) o mais depressa possível. Na altura a empresa deixou a garantia de que o evento, que tem data marcada para começar a 13 de novembro, em Lisboa, decorrerá de acordo com o previsto.

"Infelizmente, os meus comentários pessoais tornaram-se uma distração do evento", afirmou Paddy Cosgrave, citado no texto. "Peço novamente sinceras desculpas por qualquer mágoa que tenha causado", acrescentou.

Já depois disso a organização garantiu que está tudo em ordem para a edição deste ano, que as montagens já começaram e que continuam a ser vendidos bilhetes. Ainda assim as empresas que anunciaram o boicote não recuaram na decisão depois da demissão de Paddy Cosgrave.

O grupo islamita Hamas lançou em 07 de outubro um ataque surpresa contra Israel com o lançamento de milhares de foguetes e a incursão de milicianos armados por terra, mar e ar.

Em resposta, Israel tem vindo a bombardear várias infraestruturas do Hamas na Faixa de Gaza e impôs um cerco ao território com corte de abastecimento de água, combustível e eletricidade.

As imagens captadas por satélites permitem ter uma ideia do que se está a passar no terreno

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