O grupo DST anunciou ontem um investimento de 80 milhões de euros para instalar mil quilómetros de fibra na cidade do Porto, um projecto que junta quatro empresas do grupo nortenho à Associação Porto Digital. Hoje o TeK falou com Alexandre Sousa, director-geral da associação que reúne várias entidades públicas da cidade.

O responsável explicou que o novo projecto está pensado a cinco anos e pretende cobrir 99 por cento da população do Porto. Até Junho do próximo ano todas as escolas públicas e privadas vão ter acesso à tecnologia.

Alexandre Sousa espera em breve começar a receber manifestações de interesse dos operadores, embora admita que tendo sido escolhida uma progressão para o traçado que privilegia primeiro organismos públicos (muitos sem custos de acesso à rede, graças aos termos do protocolo que suporta o projecto) o interesse na rede por estes parceiros poderá não surgir já.

O responsável também considera que "os operadores não estão habituados a este modelo de operação, embora já existam alguns exemplos na Europa" e justifica dessa forma o entusiasmo moderado que tem sentido relativamente à iniciativa.

A rede de fibra que nascerá aos longo dos próximos cinco anos será explorada pela empresa criada entre a DST e a Porto Digital e funcionará numa lógica aberta, com qualquer operador a poder prestar serviços sobre a infra-estrutura. Alexandre Sousa defende o modelo, pelos benefícios óbvios ao nível dos custos para um operador, e garante que o objectivo dos promotores do projecto é chegarem a um modelo de negócio que permita aos operadores que prestam serviços através da rede arrecadarem dois terços da receita gerada (um terço pagará o acesso).

Como TeK escreveu ontem, a Porto Digital esteve ao longo dos últimos anos envolvida num projecto europeu que também visava dotar a região de uma infra-estrutura de fibra óptica. Alexandre Sousa confirmou-nos que parte da infra-estrutura desenvolvida ao abrigo desse projecto será agora usada no novo investimento. Os dados que apresenta também mostram que este primeiro projecto ficou muito aquém do previsto inicialmente. Das duas centenas de localizações que os anéis de fibra criados deveriam ter ligado logo na segunda fase do projecto (entre instituições públicas e instituições de interesse público) apenas 80 foram ligadas, num investimento próximo dos 4 milhões de euros, comparticipados pela União Europeia. A falta de orçamento impediu que o projecto, que nessa primeira versão era menos ambicioso em termos de cobertura da cidade, embora também previsse levar a fibra para além dos organismos públicos (nomeadamente a empresas), fosse mais longe.

Alexandre Sousa explica que a intenção sempre foi dar abrangência à rede de fibra mas admite que só com um parceiro privado com capacidade para investir seria possível dar continuidade ao projecto inicial. Nesta parceria com a DST as restantes entidades envolvidas investem cerca de meio milhão de euros.




Cristina A. Ferreira

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