Pedro Sanguinho, responsável pela área de Wireless Customer Engineering N&S Europe na Alcatel-Lucent, liderou a equipa que preparou dois projetos-piloto de redes pré-comerciais 4G da Telefónica em Madrid e Barcelona e conduziu a demo que Moibile World Congress permitiu à operadora espanhola mostrar em ação a tecnologia de metro cells sobre uma rede de quarta geração.



O responsável volta a estar na coordenação de uma das equipas da fabricante na implementação da rede em Espanha, um investimento que a Telefónica decidiu fazer mais tarde que a maioria dos grandes operadores da região, mas que mantém o projeto entre os maiores e mais relevantes da região.



Para a Alcatel- Lucent, que foi escolhida para a implementação do overlay da rede, o projeto - onde também está a concorrente Ericsson - será mesmo o maior em que a empresa já se envolveu na Europa Ocidental nesta era do 4G. Prevê a instalação de 8 mil estações base. Já em 2013 a operadora quer chegar a 60 cidades espanholas com cerca de 100 mil habitantes

[caption]Pedro Sanguinho - Alcatel-Lucent[/caption]

É um projeto a cinco anos, que integra uma equipa portuguesa de 10 a 12 elementos, que irão contribuir para reforçar o trabalho das equipas locais e ajudar a cumprir no terreno os objetivos traçados pela operadora. É uma equipa de técnicos altamente qualificados que atuarão no último nível de um projeto onde a Alcatel-Lucent intervém end-to-end.



Como admite Pedro Sanguinho, numa empresa que avança mais tarde para o 4G, como fez a Telefónica, há toda uma aprendizagem anterior de que é possível tirar partido na implementação, mas a pressão é maior. A margem para falhas é menor, o deployment tem timings mais agressivos e o impacto nas redes 3G e 4G não pode existir, explica o responsável.



Por outro lado, a operadora tem mais dados e a vida facilitada no que se refere a questões como o dimensionamento da rede ou as funcionalidades que deve suportar.

Explosão dos dados: uma evolução inesperada

Ainda que os operadores tentem prever todos os cenários antes de investir, a tarefa sai facilitada quando é possível ter acesso a dados que refletem experiências reais. Até porque a realidade nem sempre confirma as previsões.



O crescimento dos dados móveis é uma das áreas onde a realidade claramente excedeu as previsões. Há poucos anos até os estudos mais otimistas eram modestos nas estimativas, olhando para os números reais de hoje. Pedro Sanguinho admite que, mesmo para quem trabalha no sector, o crescimento do tráfego de dados avançou mais rapidamente que o previsto.



As empresas tentam compensar estes avanços mais rápidos do mercado com a monitorização constante de tendências e, como exemplifica Pedro Sanguinho em relação à Alcatel-Lucent, com uma forte colaboração entre equipas, de forma a fazer fluir a informação e a experiência acumulada nos vários projetos.



O grande objetivo é antecipar tendências e encontrar respostas para as evoluções que o mercado vai sofrendo. No 3G a questão da cobertura de rede tornou-se central, numa altura em que as tecnologias móveis ganharam finalmente condições para rivalizar com as soluções de rede fixa, como oferta de banda larga.



Os fabricantes, como a Alcatel-Lucent, uma das pioneiras nesses desenvolvimentos, responderam com tecnologias como as Small Cells, que permitiram aumentar a maior cobertura das redes 3G, com um investimento muito menor que aquele a que obrigaria uma expansão tradicional da rede. Estas tecnologias continuam a ser exploradas pelos fabricantes mas as questões a que é preciso dar resposta para garantir o crescimento da tecnologia já não são apenas de cobertura.



Tecnologias vão combinar-se para responder às necessidades

Hoje, como reconhece Pedro Sanguinho, os desafios começam a ser outros e prendem-se cada vez mais com a necessidade de as redes conseguirem distinguir e gerir tráfego de formas diferenciadas, utilizando várias tecnologias para o fazer e gerindo de forma mais inteligente todos os recursos disponíveis. "O futuro passa pela heterogeneidade das redes, onde todas as tecnologias vão desempenhar o seu papel", defende o responsável.



O futuro passa igualmente por uma quinta geração móvel, que operadores e fabricantes começam já a equacionar. Pedro Sanguinho acredita que na próxima geração móvel, no 5G, a Europa terá todas as condições para recuperar uma liderança mundial que se perdeu na transição para o 4G. O esforço de investimento necessário será menor e as empresas terão mais condições para responder ao novo desafio.



De qualquer forma, o especialista português não vê uma Europa assim tão atrasada no 4G. Fala antes nuns Estados Unidos que saltaram do CDMA quase de forma direta para o 4G e com isso garantiram um avanço rápido na tecnologia, sem o peso de avultados investimentos por rentabilizar no 3G, como acontecia na Europa.



A equipa portuguesa envolvida no projeto 4G da Telefónica integra um dos cinco centros de competências da empresa em Portugal, dedicado às tecnologias wireless. A estrutura acolhe outros projetos nacionais e internacionais, de que são exemplos os desenvolvimentos na área das small cells, com a Vodafone, ou o desenvolvimento de uma rede WiMax com a ANA. A nível internacional, o centro português está a desenvolver projetos para 20 países.



A Alcatel-Lucent mantém em Portugal um total de cinco centros de competências, que empregam um total de cerca de 180 pessoas. No projeto da Telefónica a empresa assume responsabilidade end-to-end, a equipa de especialistas portugueses atua no último layer de intervenção.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Cristina A. Ferreira

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