A DIGI celebra hoje o seu primeiro aniversário de operação em Portugal, uma operação que começou logo de forma atribulada ao início, tal como o primeiro ano de atividade. Vencedora de um polémico leilão de licenças 5G para operar, que demorou mais de 200 dias e 1.727 rondas de licitações, a DIGI (na altura Dixarobil) esticou o prazo de entrada no mercado ao máximo e teve ainda que negociar com a ANACOM sobre o destino das licenças 5G detidas pela Nowo, após a compra da operadora.
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Essa mesma aquisição foi igualmente envolvida em polémica, pois meses antes a Vodafone tinha tentado adquirir a Nowo, tendo a proposta sido chumbada pelo regulador num processo que demorou quase dois anos, para posteriormente dar luz verde à DIGI para a compra da mesma. Ainda assim a DIGI entrou de rompante no mercado nacional, prometendo revolucionar o panorama das operadoras de telecomunicações com ofertas acessíveis, transparentes e sem fidelização.
Passado um ano, pode-se afirmar que a operadora de origem romena conseguiu cumprir quase tudo, mas o caminho contou com alguns desafios pelo meio. É atualmente a operadora com os preços mais baixos em Portugal, e com uma oferta rica em termos de soluções de telecomunicações, tanto para a rede fixa como para a rede móvel, segundo o que a própria Anacom confirmou no relatório do preço das telecomunicações do mês de setembro.
De acordo com o regulador, a DIGI tem os preços mais baixos em nove das 11 tipologias de serviços analisadas, ou seja, em pacotes como o de serviço móvel avulso, oferta triple play e quadruple play, com preços que começam nos 4, 21 e 24 euros, respetivamente.
Ao contrário do esperado, os concorrentes optaram por não ajustar a oferta de serviços das suas marcas principais, escolhendo antes usar as suas marcas low-cost, como foi o caso da Uzo (MEO), Woo (NOS) e Amigo (Vodafone). Segundo a presidente do regulador, Sandra Maximiano, a DIGi "não entrou mal no mercado", mas usando uma analogia com o Xadrez, reconhece que as três operadoras ao usarem esta estratégia optaram por "atacar com o peão e proteger a rainha".
Para tal, as operadoras ajustaram a oferta existente não só a nível do preço, como a nível dos serviços disponibilizados, com a introdução de um limite de download muito mais amplo, e redução ou eliminação de períodos de fidelização. A título de exemplo, a DIGI tem, de momento, o tarifário móvel mais barato do mercado, com 50 GB de dados móveis por 4 euros por mês, ou 7 euros com dados ilimitados.
No caso da concorrência, a Amigo tem um tarifário com 100 GB por 5 euros (7€ com dados ilimitados). Já a Woo e a Uzzo, ambas disponibilizam um tarifário móvel base com 100 GB de dados por 8 euros por mês, ou 10 euros para dados ilimitados. Todos estes tarifários são sem período de fidelização, algo impensável em Portugal antes da entrada da DIGI.
Maturidade ainda está longe?
Apesar da oferta atraente, o serviço revelou ainda precisar de amadurecer. Mesmo sendo a operadora low-cost com maior número de reclamações no Portal da Queixa, ocupa a última posição no geral das reclamações recebidas junto da Anacom, atrás da Vodafone, NOS e Meo.
O facto de ter apostado na criação de uma rede própria tem revelado algumas limitações em termos de cobertura, pois embora esta seja muito boa nos grandes centros urbanos, revela sérias limitações fora dessas localidades, em especial nos arquipélagos dos Açores e da Madeira.
A rede revelou também a sua fragilidade durante o apagão, com a Ookla a desvendar que quatro horas após o apagão, a percentagem de utilizadores sem acesso à rede móvel disparou de 0,1% para mais de 90%.
Para a concorrência, a entrada da DIGI "não teve um impacto tão grande", e não houve uma redução significativa no número de clientes, segundo afirmou recentemente Luís Lopes, CEO da Vodafone Portugal num encontro com jornalistas. Para o responsável, a entrada da DIGI em Portugal poderá ter impacto negativo no mercado, relembrando que a maioria dos países tem apenas 3 operadores, e que em Portugal, "a longo prazo não há mercado para 4 operadores de telecomunicações".
Para tornar toda a situação ainda mais interessante, a Telefónica está a estudar a hipótese de adquirir o Grupo DIGI, segundo foi referido pelo elEconomista. Ao que tudo indica, o operador espanhol está disposto a avançar com a compra da DIGI para reforçar a sua presença em mais países europeus, como Portugal, Bélgica e Itália, num negócio que poderá chegar aos 3.800 milhões de euros.
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