"Hoje temos um MVNO (operador móvel virtual) que foi negociado num país sem grandes preocupações em fazer com que este modelo funcione", o comentário é de Rodrigo Costa, presidente da Zon Multimédia, que foi ontem à noite o convidado de honra do último jantar-debate do ano, num ciclo de eventos organizado pela Associação Portuguesa das Comunicações.



O responsável respondia a uma questão da audiência sobre o facto da Zon não ter concorrido a uma licença de quarta geração móvel, garantindo por essa via uma operação de rede móvel e complementando a oferta de serviços de telecomunicações nesta área. Rodrigo Costa explicou que, tendo em conta as condições disponíveis no mercado a Zon, está bem com a solução que encontrou para disponibilizar comunicações móveis aos seus clientes (um acordo para utilização da rede da Vodafone), embora tenha reconhecido que as normas que regulam esta figura do MVNO em Portugal sejam pouco ambiciosas.



Noutros mercados europeus os operadores móveis virtuais conseguiram alcançar fatias significativas do mercado. Em Portugal os MVNOs não chegam a garantir uma quota de 2%.



Rodrigo Costa também reafirmou que a Zon não concorreu a uma licença móvel por considerar que o concurso foi desenhado "com regras que não garantiam condições de sucesso a quem quisesse entrar". Face às duas condicionantes considerou que a Zon trabalha para fazer o seu trabalho o melhor possível, "no móvel não fazemos o nosso trabalho mais bem feito porque não podemos".



A apresentação do presidente da Zon no evento esteve focada na evolução do sector ao longo dos últimos doze anos. No enorme crescimento do número de clientes, que não foi acompanhado pelo crescimento das receitas, por exemplo. Números compilados pelo regulador suportaram uma apresentação que mostrou que em 12 anos o mercado das telecomunicações (o mercado residencial esteve no foco da análise) perdeu 2% do seu valor. Entre 2007 e 2011 essa queda é ainda mais expressiva e aumentou para os 9%.



Para os próximos anos Rodrigo Costa antecipou que o mercado continuará ser "extremamente atractivo" mas também sublinhou que há incertezas. "Estou convencido que vamos ter um par de anos difícil".



No seu estilo habitual, evitando comparações com a concorrência ou críticas, Rodrigo Costa considerou que todos os operadores do mercado têm dado o seu contributo para "um trabalho excecional", que nos últimos anos se traduziu na modernização das redes e no lançamento de novas ofertas.



No caso da Zon, antiga PT Multimédia, um dos principais desafios, sublinhou, foi refazer a rede para apostar em tecnologias mais modernas que permitiram ultrapassar as limitações das tecnologias antigas e suportar melhor o rápido crescimento da base de clientes da empresa. Essa aposta permitiu "mudar processos e sistemas" e corrigir as falhas que faziam da antiga TV Cabo uma empresa com elevados níveis de insatisfação dos clientes, que deixavam marcas na imagem da empresa.



O ponto de viragem, destacou o Rodrigo Costa, foi o lançamento do serviço Iris. A consolidação da rede de hotspots Wi-Fi que a Zon integra, e que hoje soma 500 mil pontos de acesso, ou o lançamento recente do Timewarp foram outros momentos destacados como centrais.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Cristina A. Ferreira

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