http://imgs.sapo.pt/gfx/89598.gifEmbora tenha iniciado actividade em 1996, no Reino Unido, e depois de ter já passado por 32 cidades europeias construindo 3.900 Km de rede de fibra óptica própria e ligando mais de 7.300 edifícios, o grupo de telecomunicações COLT chega agora a Portugal.



Oeiras foi a cidade escolhida para arrancar com a construção da rede nacional COLT que até 2002 deverá contabilizar 50 Km, abrangendo aquela zona e a grande Lisboa. O TeK falou sobre estes e outros aspectos com Adelino Santos, ex-administrador da já desaparecida Teleweb e actual director-geral COLT Telecom Portugal.



TeK: O que o incentivou a integrar o projecto da COLT Telecom depois da passagem pela Teleweb?

Adelino Santos:
Confesso que não conhecia a empresa até ser contactado - conhecia talvez o nome. Fui convidado a visitar as instalações da COLT em Madrid e posteriormente em Londres e fiquei muito impressionado com o que vi, pela qualidade de pequenos pormenores: tudo milimetricamente arrumado, os cabos etiquetados com o nome do cliente, coisas que me passaram a ideia de um grande profissionalismo. Penso que a COLT é muito profissional naquilo que faz.

Concebeu métodos e processos que ajudam muito ao negócio. Pormenores do tipo data minning, análise de revenue por cliente, análise de produção, análise de tráfego, margens por carrier, formas de analisar o negócio. Coisas muito difíceis de montar num operadores de telecomunicações. Por exemplo o billing que está centralizado em Londres funciona para 11 países.


A experiência de uma empresa deste género conta muito. Costumo dizer: o que os clientes portugueses em Carnaxide querem que a gente lhes facture há-de coincidir com algo que um outro cliente, instalado num dos 7 mil edifícios que ligamos através das nossas redes actualmente, tenha exigido.

Este não era um negócio onde ainda seria necessário pensar na forma como se iriam fazer as coisas. Essa parte já estava determinada; os procedimentos a ter estão todos documentados: o que fazer quando uma escavadora parte um cabo de fibra óptica, o que fazer quando uma encomenda chega.

Concluindo, os ingleses tinham realizado um trabalho "5 estrelas" o que acabou por me impressionar bastante.



TeK: Que diferenças de maior poderia estabelecer num primeiro momento entre a Teleweb e a COLT?

A.S.:
A maior diferença talvez se verifique logo no género de clientes a que se dirigem. A Teleweb abordava SOHO, PMEs e residencial. A COLT tem como clientes as grandes empresas. Depois a Teleweb tinha uma abordagem do negócio de infraestrutura oposto ao da COLT: primeiro vender e alugar infreestrutura à Portugal Telecom e depois fazer a infreestrutura. Mas isso era também o que estavam a fazer a Jazztel, a ONI, não era algo que a Teleweb estivesse a fazer mal. Era uma coisa que dependia do estado de regulação na altura, da disponibilidade da infreestrutura. Como não havia fibra para alugar, o único negócio que se podia fazer era o indirecto. Com a COLT passa-se exactamente o contrário. O único negócio que queremos fazer é o directo.

Por último, a COLT é uma multinacional, a Teleweb era uma empresa de âmbito nacional e esta experiência adquirida que mencionei em relação à COLT ainda não estava disponível. Na Teleweb era necessário descobrir, testar, pensar como é que se faz ou como é que se melhora. Na COLT essas coisas já estão determinadas.



TeK: A quem se destina a actividade de negócio da COLT?

A.S.:
A COLT aborda empresas, aliás grandes empresas, que necessitem de largura de banda forte, que tenham nas comunicações o ponto crítico do seu negócio e que estejam presentes em vários países. São estas as principais características dos nossos clientes.



TeK: Numa altura em que vê mais "desinvestimento" do que propriamente investimento, porquê apostar numa presença em Portugal?

A.S.:
O desinvestimento ou a contracção que possa estar a acontecer no mercado português presencia-se num segmento das telecomunicações onde nós não vamos apostar. Na nossa área o operador incumbente continua a dar cartas quase sozinho. Quem quiser comprar uma linha de 155 Mbits entre Oeiras e Lisboa para ligar dois edifícios seus, só pode comprar a uma entidade: a PT Prime. Se alguém quiser comprar uma linha de 8 Mbits de acesso à Internet ou uma linha de alta capacidade entre a sua sala de corretagem e a bolsa tem de as adquirir à PT.

Quando se diz que o mercado das telecomunicações está em contracção, não é esta parte do mercado. O que está em contracção são os operadores que direccionaram o seu negócio para as PMEs, para o residencial, para a Internet. Penso que não se pode ver o mercado das telecomunicações como um todo e dizer que está em contracção. As empresas de abrangência nacional e generalista, talvez sim.



TeK: Um dos objectivos da empresa em Portugal é ser o principal concorrente ao operador incumbente...

A.S.:
É assim que nos posicionamos em todos os países onde marcamos presença - não quer dizer que esse seja um objectivo a cumprir nos próximos 12 meses...



TeK: Também é verdade que o mercado já foi liberalizado há algum tempo e os "novos" operadores de telecomunicações continuam a ter uma quota de mercado muito reduzida...

A.S.:
Quando dizemos que nos queremos posicionar como alternativa ao incumbente não quer dizer que o façamos no que diz respeito à facturação, porque o operador histórico tem uma panóplia de negócios e uma abrangência de mercado total. Isso foi o que tentou fazer a Novis e a ONI que quiseram estar no residencial, nas grandes e nas pequenas empresas, em Beja, Braga, na Internet e no FWA. Quiseram estar em tudo tal como o incumbente e assim é complicado.

Queremos ser uma alternativa no nosso segmento, no nosso portfólio. Não queremos ser uma alternativa à Telepac, nem à TV Cabo, nem queremos ser uma alternativa à abrangência geográfica que a Portugal Telecom tem. Não vamos ter GSM, nem UMTS, nem nada dessas coisas. Queremos permanecer muito focados, ir "àqueles" clientes, "naquela" área, e aí sim vamos com certeza ser uma alternativa. É nesse sentido que aponta a estratégia da COLT. Não podemos dizer que vamos roubar 20 por cento do market share à PT. Podemos sim afirmar que nas 1.000 maiores ligações de largura de banda queremos ter uma grande quota.



TeK: Que objectivos estão pensados para a COLT Portugal no curto prazo?

A.S.:
Ter presença, algo que apesar de tudo ainda tem de ser feito. Criar um brand, uma imagem parecida com a que temos lá fora, ou seja credibilidade, qualidade. Tudo isto ainda tem de ser criado.

Um outro objectivo mais imediato - muito antes das vendas - é conseguir chegar com a nossa infraestrutura aos nossos clientes e depois, então, começar a vender. Acima de tudo queremos manter-nos muito focados: não cair na tentação de tentar abranger cada vez mais - os vendedores têm de saber que só podem vender aquilo, que só podem vender naquele sítio, têm de saber que só podem vender àqueles preços. Tudo muito focado.



TeK: E qual o tipo de serviços que poderemos ver a COLT disponibilizar no mercado nacional?

A.S.:
Inicialmente, voz, dados e Internet.



TeK: Mencionou que os serviços de DSL também poderiam vir a constar do vosso portfólio para Portugal, mas que esta não seria com certeza a altura ideal para o seu lançamento. Para quando então?

A.S.:
Não sei. No segmento de mercado que queremos abranger ainda não sabemos quando é que os clientes vão precisar de DSL, ou de que tipo de DSL vão precisar - porque há muitos tipos de DSL. Ainda não nos dedicámos a apurar tal facto. Mas com o estado da desregulamentação, numa fase de lançamento, esta não é a altura ideal. E também pela estado de maturação da COLT Portugal. A empresa inicialmente terá de ganhar dinheiro com os grandes clientes, com a fibra óptica e com a grande largura de banda. Porque é que se deve dedicar a uma coisa para a qual ainda não está preparada? Porquê investir em mais call centers, em marketing, etc?



TeK: Por falar em investimentos, qual foi o valor investido para iniciar a actividade da COLT em Portugal e para quando o seu retorno?

A.S.:
Cerca de 15 milhões de euros, o grosso na infraestrutura (vala, fibra) e depois nas nossas instalações em Carnaxide e no hardware que o edifício alberga. Em termos de EBITDA, o break-even deverá acontecer entre os 18 e os 24 meses após o arranque comercial das operações.



TeK: Afirmou que o negócio COLT vai começar pela zona de Lisboa e arredores. Consideram avançar para outras áreas metropolitanas portuguesas como o Porto, por exemplo?

A.S.:
Quando estivermos com plena actividade em Lisboa logo pensaremos em ver avançar para outros pontos nacionais. Uma coisa de cada vez.




Patrícia Calé

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