Por Francisco Jaime Quesado (*)

A Inovação Aberta, muito associada aos trabalhos do Professor da Universidade de Berkeley Henry Chesbrough, assenta no paradigma de que as organizações podem e devem dinamizar a partilha de ideias, com a sua organização interna e os parceiros do seu ecossistema colaborativo, com o objetivo de qualificar a sua oferta de produtos e serviços, com efeitos em termos de aumento da eficiência na cadeia de valor e de aumento da qualidade de serviço prestado aos clientes. Muitas das grades organizações empresariais globais, como a Apple e a Procter & Gamble, entre muitas outras, apostaram ao longo destes anos na Inovação Aberta como a base para o seu crescimento e reforço da sua base competitiva.

As principais Escolas de Negócio um pouco por todo o mundo têm dedicado particular atenção ao tema da Inovação Aberta, promovendo a discussão de casos práticos e convidando gestores de empresas para partilharem as suas experiências das suas organizações – tal é o caso também da AESE onde o tema da Inovação Aberta faz parte da agenda da discussão das boas práticas de gestão estudadas e analisadas em diferentes contextos. A Inovação Aberta é desta forma uma síntese inteligente da melhor forma de converter boas ideias em bons produtos e serviços, contribuindo para uma qualificação do valor gerado pelos negócios e mais fácil apreensão por todos os seus intervenientes.

Também em tempo de crise a Inovação Aberta é uma prática de gestão muito útil para em rede encontrar soluções para resposta a problemas que têm que ser resolvidos. A presente crise pandémica tem assumido uma dimensão estrutural nunca antes vista, com consequências muito problemáticas ao nível da quebra das cadeias de valor de fornecimento e de capacidade efetiva de assegurar a produção e disponibilização de diferentes produtos e serviços necessários. Na Europa, muito dependente em muitas áreas de bases de fornecimento oriundas da China e de outros  países asiáticos, a solução ganhou particular criticidade nas últimas semanas, obrigando à dinamização de Plataformas de Inovação Aberta com o objetivo de encontrar soluções comuns para responder à crise.

Os Clusters, que integram empresas, universidades e centros de inovação, têm sido desde há muito tempo um dos principais instrumentos de política económica utilizados pelos diferentes países para qualificar e dar dimensão crítica à gestão da cadeia de valor e presença integrada nos mercados das diferentes fileiras económicas. Do agro alimentar à saúde, passando pelo automóvel e pela energia, muitas têm sido as experiências colaborativas de Inovação Aberta que têm sido dinamizadas em vários países europeus – incluindo Portugal – com o apoio da Comissão Europeia e o acompanhamento de entidades de referência como a OCDE.

A experiência levada a cabo nas últimas semanas pela Aliança dos Clusters Europeus de dinamizar uma Plataforma Colaborativa de Inovação Aberta em que participam gestores, investigadores e especialistas de vários países com o objetivo de partilhar informação e conhecimento que ajude a encontrar soluções de desenvolvimento de novos produtos e serviços contra esta pandemia, tem tido um grande sucesso em termos de participação e de resultados conseguidos. Quer ao nível de soluções técnicas adequadas para a produção de máscaras, como ao nível de estabelecimento de novas redes de fornecimento de materiais críticos, a discussão aberta tem permitido encontrar, com o apoio da Comissão Europeia, ideias inovadoras que se têm concretizado em respostas concretas muito positivas. O nosso país, através de vários gestores e especialistas, tem participado de forma ativa nesta plataforma colaborativa, com resultados concretos em várias soluções que têm surgido e têm sido de grande utilidade para a comunidade.

(*) Economista e Gestor – Especialista em Inovação e Competitividade

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