Por Pedro Pinto (*)

O espaço das tecnológicas é, cada vez mais, o motor para a prosperidade, o pêndulo incansável que empurra o mundo para o futuro. Porém, se em tempos idos a diferenciação, a seleção natural, era feita pela capacidade tecnológica, pelo acesso ou pela falta dele às ferramentas, hoje em dia, com o acesso universal à cloud e à computação partilhada, já não é a tecnologia que seleciona. Há, no entanto, um segredo, não tão bem escondido assim, que pode fazer a balança pender a nosso favor.

Nem todas as empresas têm esse driver, a metodologia, a ousadia para arriscar tudo ou parte no desenvolvimento de novas soluções. Acredito também, que muitas delas, das que não fazem por escolha inovação, possam ter acesso a um crescimento sustentável e proveitoso, mas ficarão, sem dúvida, mais vulneráveis, entregues a um mercado competitivo, onde um euro, um detalhe num currículo, podem fazer a diferença entre ganhar e perder.

Portugal e Lisboa, estão claramente na moda e não há nada mais atrativo para as grandes multinacionais que um país na moda, ainda para mais, conceptualmente barato. Mercedes, Google, Amazon são apenas alguns dos gigantes que investem e acreditam em Portugal para o crescimento das suas tecnologias.

Se perguntarmos a um recém-licenciado que identifique uma lista de 3 empresas onde gostaría ou se vê a trabalhar, invariavelmente vai incluir uma destas que referi e, quando elas estão na porta ao lado, é naturalmente legítimo que a vontade se possa transformar em realidade.

Estes dois inadiáveis fatores lançaram um desafio duro às empresas tecnológicas de Portugal: como competir com a capacidade financeira e a capacidade humana à disposição destas grandes tecnológicas? Mais uma vez suportadas no espírito descobridor e vontade de “abrir novos mundos ao mundo”, estamos a responder com uma arma com a qual muitas vezes nenhuma destas grandes empresas pode competir. Diria até que, aos olhos da inovação, todos somos iguais, todos podemos vencer.

Empresas ágeis, criativas, inovadoras encontram-se muitas vezes sozinhas no momento de competir. O caminho para o sucesso nem sempre é complexo e tortuoso e a inovação, na maioria das vezes é o bilhete dourado em direção à vitória.

Então tornamos Lisboa numa fonte inesgotável de startups? Esperamos que a cada Websummit, bolsos cheios de dinheiro transformem um sonho em realidade, ou levem o sonho para nascer numa realidade maior que a nossa realidade?

Há espaço para todas, para startups inovadoras, para startups que falham, mas também para as tecnológicas portuguesas que financiam inovação com serviços ou soluções desenvolvidas para os seus clientes. Empresas que, no entanto, não deixam de acreditar que podem impactar o mundo, mudar a maneira como as pessoas experienciam a vida e o mundo que os rodeia. E não temem investir para mudar.

É esta a mudança que avança cá dentro e se projeta para fora. É esta a mudança que torna gigante quem por criação já era gigante nos sonhos. É esta a transformação que desvendou um segredo que se tem transformado em estratégia para competir e, acima de tudo, a garantia de que o capital humano das empresas portuguesas não se esvai como grãos de areia em mãos cada vez mais apertadas.

A receita é muito simples. Uma das melhores maneiras para manter equipas focadas, motivadas e imunes à vontade de concretizar o sonho de trabalhar numa grande empresa internacional é dar a oportunidade para criar, para inovar, para ver o seu trabalho ser vivido pelos amigos, família ou desconhecidos. Este investimento no banco emocional de cada um deles tem um poder e um valor inestimável e tem-se mostrado um fator decisivo para o sucesso das empresas portuguesas.

As empresas que mais depressa aprendem que, quando mudamos a vida das pessoas, a nossa e a da nossa equipa muda também para sempre, tornam-se hoje novas caravelas em direção a algo maior e melhor.

E temos ainda tantos mundos por descobrir…

(*) CTO da InnoWave

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