Por José Miguel Marques (*)

Se perguntarmos aos vários parceiros sociais, às indústrias, aos serviços, às Universidades, todos nos dirão que Indústria 4.0 é um conjunto de soluções baseadas na digitalização. E todos nos darão um caminho diferente para chegar ao grande objetivo de aumentar a produtividade.

Os especialistas na digitalização poderão desenhar roadmaps de inovação, que esperam dentro da sua definição, introduzir novos conceitos de modernização na indústria (I4.0). O problema dos mapas, é que estes depois de desenhados, ficam cristalizados na necessidade de cumprir o trajeto, o que de certa forma é um contrassenso quanto ao que é (uma das) definições de I 4.0: a adaptabilidade e a capacidade de superação perante os desafios propostos pelo mercado, não se fixando numa solução, mas na integração de diversas soluções para pequenos problemas, sempre com a intenção de resolver o grande projeto da adaptabilidade da indústria e da sua produtividade.

Por uma questão de contexto, convirá explicar o que é Indústria 4.0, ou melhor o que podemos interpretar do que são os vários conceitos.

A base está na Alemanha. O termo Indústria 4.0 surge em 2011 como parte da estratégia de fomento industrial do Governo Alemão e culmina na versão final do relatório Securing the future of German manufacturing industry Recommendations for implementing the strategic initiative INDUSTRIE 4.0 (2013). Mas como o próprio nome indica, esta estratégia dirigia-se ao que pode ser feito para melhorar e capacitar a indústria Alemã, sobretudo numa época que a recessão era generalizada.

O termo ganhou tração e as ideias que com ele vinham, em muitos casos já estavam presentes em muitas noções de Digitização e Digitalização a serem aplicadas nas indústrias, quer elas soubessem ou não. A questão não era a terminologia, mas como é que se podiam incluir nesta onda de desenvolvimento, as indústrias que ainda não se tinham apercebido do potencial.

Trata-se da reorientação do acompanhamento das empresas, de ciclos de produção que na sua essência, são no mínimo, de horas (mas que podem durar dias) para a recolha de informação instantânea, que pode ser processada no momento e permite ajustar a produção. Isto por seu termo, assume a vertente de poderem aceitar encomendas a curto prazo e de curta execução, o que de facto, altera a forma a empresa trabalha.

Mais do que a robotização, realidade aumentada ou virtual, o grande feito da I 4.0 é virar as indústrias para o seu produto menos vendável, mas mais importante: A Informação sobre a sua produção.

O acompanhamento em tempo real da produção, já é uma quase normalidade em muitas indústrias, mas o nível de conhecimento do processo de produção é elevado a novo patamar, pois uma empresa pode adaptar ou adquirir máquinas que conseguem não só identificar as falhas na produção, mas os tempos necessários para cada momento de produção, o que ajuda identificar onde podem ser introduzidas melhorias.

Por outro lado, este tipo de digitalização não é aplicável em todos os momentos da vida de uma empresa, dependendo do tipo de produção. Por exemplo a produção de sapatos de luxo, necessita sempre da intervenção humana com todas as vantagens e falibilidade que isso implica. E essa intervenção humana pode ser sempre acompanhada, até certo ponto, sobretudo no ritmo de produção. Mas se certas métricas podem ser monitorizadas, na realidade a indústria 4.0 não pode ser aplicada nesse contexto. Pode, no entanto, ser introduzida na logística que alimenta a produção e que por sua vez irá permitir uma melhoria na produção humana. O acompanhamento da informação que logística gera, em conjunto com a o ritmo de produção permite aumentos de competitividade.

O projeto INNOPROVEMENT (apoiado no âmbito do INTERREG – Europa/FEDER)  é liderado pelo Ministério das Finanças da Hungria, envolve 7 países (Hungria, República Checa, Itália, Grécia, Polónia, Finlândia e Portugal, representado pelo  Compete 2020) não pretende resolver os problemas de inovação nas empresas, nem forçar a adoção dos conceitos de Indústria 4.0, mas pretende abordar os vários caminhos, resultantes das visões de países com características tão diferentes, mas ao mesmo tempo tão comuns, por forma a fomentar a entrada desses conceitos dinâmicos nas indústrias.

Resulta desta visão, que não há caminhos imediatos, nem sequer definitivos, mas várias aproximações e várias formas de atingir esse propósito.

No passado dia 19 de novembro de 2019, os parceiros deste projeto e alguns stakeholders, reuniram-se em Lisboa para o 3.º Encontro Temático Transnacional, sob o tema “Definição de iniciativas de políticas públicas dirigidas à I 4.0”.

Este tema, uma das 7 temáticas do INNOPROVEMENT, corresponde ao tema que a equipa portuguesa está encarregue de abordar. E no âmbito deste encontro temático, os diversos parceiros partilharam as suas visões sobre este tema, assim como tem acontecido com as restantes temáticas já desenvolvidas pelos parceiros da República Checa e Finlândia (respetivamente “A efetividade do apoio público a projetos de I&D no âmbito da I4.0” e “I4.0 em indústrias tradicionais”).

Espera-se que desta interação sejam apresentadas as visões que cada um destes países tem sobre o tema, mas também possíveis sugestões para consolidação futura, de forma a que os futuros avisos de concurso e outros instrumentos de política pública possam estar melhor adaptados ao que as empresas pretendem e necessitam.

(*) Unidade de Inovação Empresarial – Compete2020

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