http://imgs.sapo.pt/gfx/273339.gifUm dos maiores desafios da Microsoft na área das empresas é conseguir que reduzir a complexidade na gestão dos sistemas, automatizando a resolução de problemas e o auto-diagnóstico. Estas ideias estiveram no centro do Microsoft IT Fórum 2004 onde a empresa voltou a sublinha a Dynamic Systems Initiative e lançou algumas peças fundamentais para a implementação dessa visão.

Michael Emanuel, Senior Product Manager for Management Technologies da Microsoft, explicou em entrevista ao TeK os passos dados pela empresa na gestão de sistemas e porque considera que numa década o panorama de complexidade actual estará completamente ultrapassado.

As vantagens do novo Microsoft Operation Manager e a importância Virtual Server 2005 e o Virtual Server 2005 Migration Toolkit, todos apresentados nessa mesma conferência, estiveram igualmente em destaque nesta conversa.

TeK: É gestor de Produto Sénior da Divisão de Enterprise Management. Quais são as suas responsabilidades na definição da estratégia da Microsoft nesta área?
Michael Emanuel:
Estou com a Microsoft há 10 anos, sempre na área de gestão, e já tinha experiência em gestão de redes que já tinha desenvolvido anteriormente. Aquilo que sei fazer com algum grau de expertise é gestão e vim para a Microsoft expressamente porque parecia faltar alguma coisa na forma como as pessoas construíam sistemas. Primeiro construíam os sistemas e depois geriam-nos. A gestão era sempre um pensamento posterior.

Pareceu-me que a Microsoft era uma das poucas empresas que detinha as peças suficientes para mudar essa forma de pensar, embora tenha de admitir que na altura não sabia ainda como poderíamos juntar tudo.
Penso que está a demorar muito tempo, mas agora estamos num ponto em que conseguimos ver o princípio da aplicação do que temos estado a tentar a fazer.
O meu trabalho é no planeamento a longo prazo e de facto tenho estado a trabalhar em algumas destas ideias há muito tempo, tentando conjugar gestão de redes com gestão de desktops, especificamente porque me pareceu logo desde 1995 que não se poderia gerir desktops sem perceber a sua relação nas redes.
A Dynamic Systems Initiative traduz esta ideia. Mudou-se de um mundo centrado em mainframe para um mundo cliente/servidor, onde havia duas áreas diferentes, o servidor e cliente, continuava a haver componentes de midware, colocando-se um sistema de gestão de diferentes vendors, colocando agentes em cada caixa, representando uma consola, e foi sempre assim que a gestão foi encarada, como um pensamento posterior da produção. Os elementos que são apresentados na consola são passivos. O sistema de gestão reúne os dados e apresenta-os a um humano, que faz três tarefas: tem de saber se é preciso fazer a mudança, conhecer as políticas necessárias e todos os passos para essa mudança. Pode fazê-lo de uma forma relativamente fácil se conhecer as questões técnicas.
Actualmente começamos a integrar os sistemas de gestão antes, numa forma de automação reactiva. Se são necessários 27 passos para fazer uma mudança, desde que eles estejam pré determinados podem ser realizados automaticamente enquanto os humanos vão tratar apenas das excepções.

Quando mudamos para as arquitecturas orientadas a serviços de que temos falado, o que acontece é que os elementos do sistema estão a distribuir-se a pedido, já não ficam onde os colocamos. Vão ser dinâmicas. Isso não vai acontecer agora, faltam anos, mas se continuar-mos com este princípio onde a gestão é um pensamento posterior da implementação dos sistemas não vai ser possível gerir estes sistemas porque não vamos saber onde os elementos se encontram.

Todo o princípio da Dynamic Systems Initiative é saber o que precisamos de inovar para tornar esta ideia possível, porque com as ferramentas que temos não é possível implementá-la.

A Microsoft tem vindo a lançar uma série de ferramentas mas também Best Practices sobre como fazer uma implementação de um sistema, gerir uma rede, mas se olharmos através do ciclo de vida de uma aplicação, desde que começa a ser desenvolvida e testada, duas coisas se salientam: se pensarmos nos custos de fazer um sistema, na altura que estamos a meio do desenvolvimento, embora só se tenham gasto 20% do orçamento há se tomaram decisões que comprometem 80% do orçamento total, um facto que foi estudado na indústria automóvel e que podemos transferir para a área de TI.

TeK: Quais são os produtos que podemos ver a Microsoft lançar sob esta Dynamic Systems Initiative?
M.E.:
O mais importante é ter as ferramentas de desenvolvimento que possam recolher o conhecimento disperso no sistema. Quando falo no conhecimento em formato electrónico estou a referir-me a um módulo que contém conhecimento da informação que foi gerada ao longo do tempo. Hoje as ferramentas de gestão que são parte do Microsoft Operation Manager, com a última geração o MOM 2005, o pacote de gestão tem um módulo que ainda é constituído depois da aplicação estar já em produção. Mas uma das coisas que agora anunciámos, e que penso ser muito importante é o Common Engeneering Criteries e que diz que um programador tem de publicar um pacote de gestão no momento em que lança uma nova versão. Ainda é um primeiro passo, em que estamos a colar os elementos.

Precisamos de colocar esse módulo no core da aplicação. Esse será o momento de inflexão onde a inovação tem início porque a aplicação começa a ser auto consciente, já que foram introduzidas as ferramentas com um módulo de definição de sistemas. E os programadores podem assim colocar nesse módulo o conhecimento do que os sistemas precisam para funcionar e as ferramentas de gestão, as da próxima geração, podem dizer: “isto é o que eu preciso”, só tem de se dar os recursos à aplicação. Claro que depois terá de ter uma plataforma que responda a essas necessidades.

TeK: E o Longhorn vai ser essa plataforma?
M.E.:
Vai ser o início. Para ser honesto, para colocar tudo isto a funcionar vamos demorar 10 anos. O Longhorn é um início, o Visual Studio 2005 e o MOM 2005 também são um primeiro passo. Mas quero que em dez anos os nosso cliente esqueçam a complexidade da gestão de sistemas hoje e que digam “lembras-te como era há dez anos atrás e o que tínhamos de fazer?”.
Por enquanto vamos ter de usar “pensos rápidos” para conseguir contornar a falta de sistemas dinâmicos. Vamos ter de usar os componentes passivos até começarmos a construir os componentes dinâmicos. Mas a maior parte das empresas não tem estratégias neste sentido, tem só tácticas.

TeK: Qual é a evolução esperada de novas releases do Microsoft Operation Manager?
M.E.:
Quando iniciámos as primeiras releases tivemos que considerar essa questão: se demoramos quatro anos as empresas consideram que é muito tempo. Se é menos de um ano reclamam por ser pouco… então o tempo perfeito para lançar uma nova versão de uma aplicação é de 18 meses a 2 anos.

TeK: Qual pensa serem as principais diferenças entre o MOM e as outras aplicações de gestão de sistemas de concorrentes como a BEA, HP…
M.E.:
Agora todos os nossos produtos são basicamente elementos de gestão. Com a próxima versão do MOM vamos poder dar mais um passo, mas a questão principal na gestão de um sistema é que temos que perceber todo o seu funcionamento end-to-end. Perceber como todas as peças se encaixam.
Os actos de gestão são a principal diferença do que fazemos porque ainda que o MOM seja um elemento de gestão eles percebem, numa base de aplicação a aplicação, o sistema integralmente.
O Management Pack tem um módulo de descrição do sistema com as regras sobre como se deve implementar um determinado sistema. Mais ninguém está a fazer o mesmo que nós ao nível de modulação do conhecimento.

TeK: Notei também que o MOM não se limita à gestão do hardware, desce ao nível das aplicações, o que muitas vezes pode causar os maiores problemas num sistema, permitindo ao gestor do sistema saber a cada momento o que está a funcionar e o que não está.
M.E.:
Quando construímos o MOM 2005 pensámos que este tinha de ser útil a todos os que gerem um sistema Microsoft de grande dimensão mas também para o que tem apenas dois servidores. O MOM pode ser instalado e estar a funcionar em duas hora, dando uma ajuda preciosa à gestão de sistemas das empresas. Muitos sistemas de gestão exigem algumas semanas para que tudo esteja integrado. A simplicidade da instalação e da gestão e também do design é fundamental para que as pessoas tirem mais partido do MOM.

TeK: Qual é o nível de configuração necessário para a instalação do MOM?
M.E.:
Nenhuma. O MOM pode funcionar quase por si próprio. Só têm de se definir algumas políticas de autorização de acesso às visualizações, mas em termos de configuração, ela faz-se por si própria.

TeK: A Microsoft anunciou uma parceria com a Dell para o MOM Workgroup, uma versão para pequenas empresas. Estão a planear parcerias semelhantes com outras empresas?
M.E. :
Sim, claro que gostaríamos.

TeK: Já têm alguma encaminhada?
M.E. :
Estamos a trabalhar nisso. Trabalhamos com todas as empresas… Mas não sei se já há novas parcerias a serem desenhadas.

Este acordo é natural porque a Dell sempre disse que queria usar produtos standard, porque estão no mercado para fazer hardware e não software.
Nós trabalhamos também de perto com a HP, embora eles tenham o OpenView [que é igualmente um produto de gestão de sistemas], mas não lhe consigo confirmar se eles poderão vir a vender o nosso MOM.

TeK: Pensa que algumas das novas ferramentas de gestão poderão ajudar as empresas a actualizar mais rapidamente os sistemas operativos de desktop quando são lançadas novas versões?

M.E. :
Se dermos um passo atrás em relação ao mundo perfeito, onde tudo é auto instalável e auto configurável, porque ainda está longe, o mais importante é que não estamos a fazer só ferramentas que podem ajudar a implementar um novo sistema, mas os processos e as melhores práticas para que essa implementação seja feita da melhor forma. O que descobrimos nos últimos anos é que algumas pessoas adoravam outras detestavam o System Manager Software (SMS) e a versão de 2005 era um produto que se fosse bem instalado funcionava bem, mas se fosse mal instalado funcionava mal. E é engraçado que ninguém tinha uma opinião isenta em relação ao SMS, era completamente polarizador. A diferença era entre quem tinha boas práticas, que adorava o sistema, e quem não tinha boas práticas, porque andava em círculos por não conseguir instalar o sistema convenientemente.

Essa é uma das razões porque penso que fazer chegar as melhores práticas aos clientes é fundamental, com documentação e os scripts para implementação dos sistemas. Um grande cliente em Portugal pode fazer o download desses documentos do TechNet, mas numa pequena empresa, esses documentos podem fazer parte do toolkit que o seu fornecedor de serviços utiliza.

TeK: Qual pensa serem os maiores desafios na área da gestão de sistemas nos próximos anos?

M.E. :
O maior desafio é cultural. Se tivermos a tecnologia certa os engenheiros têm ainda de gastar o tempo extra para introduzir o seu conhecimento nos sistemas. Estamos a tentar liderar pelo exemplo, através dos Common Engeneering Criteries, onde dizemos que vamos sempre fornecer as nossas aplicações de gestão com um guia das melhores práticas. E o Management Pack é grátis, porque queremos que os clientes tenham um sistema bem gerido.

Fátima Caçador

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