(Actualizada)
"Anúncio: troco o meu iPad "velho" pela nova versão do tablet da Apple". Já escrevi o texto mas ainda não o publiquei em nenhum site de leilões. Há alguém interessado?

Confesso que tenho alguma dificuldade de abandonar o companheiro já habitual de navegação web, podcasts e acesso a conteúdos do iTunes, mais os jogos, claro. Mas esta nova versão que tenho trazido comigo nos últimos dias é mais leve e bonita, além de prática e bastante mais rápida, o que faz aumentar a tentação...

Mais uma vez a Apple soube mostrar que conseguiu superar-se a si própria e o novo iPad 2 é uma melhor peça de engenharia e usabilidade do que a primeira versão. Enquanto os concorrentes ainda tentam chegar ao nível imposto pela primeira versão do Tablet, a marca já tem no mercado um iPad melhor, com mais funcionalidades, mais resistente e com a "correcção" de algumas características menos felizes do primeiro iPad.

No TeK já referimos por diversas vezes a lista de melhorias aplicadas ao iPad 2, desde o novo design que o torna 33% mais fino e 15% mais leve, ao processamento mais rápido garantido pelo chip A5 dual-core.

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A experiência dos últimos dias com o novo iPad mostra que qualquer uma destas melhorias se sente realmente na utilização. O iPad 2 segura-se melhor, pesa menos na carteira e é realmente mais rápido no acesso às aplicações e aos conteúdos guardados.

Disponível em Portugal desde 25 de Março, o novo iPad voltou a garantir a atenção e interesse dos clientes, de tal forma que as encomendas não chegaram para a procura, como demos conta aqui no TeK… Ainda não se sabia do pedido de ajuda externa, mas havia muita gente disposta a pagar entre 499 e 799 euros para comprar o novo gadget da Apple.

A versão que a Apple nos cedeu para testar é a topo de gama, com 64 GB de memória e conectividade Wi-Fi+3G, mas também por isso é a mais cara. Custa 799 euros, um preço que ainda é demasiado alto para um "brinquedo", por muito bonito e interessante que seja, sobretudo com a actual conjuntura financeira...

Para quem ainda não se rendeu ao mundo dos tablets, a versão Wi-Fi com menos memória é capaz de ser a opção mais racional. Na verdade não vai guardar assim tanto conteúdo no iPad e as ligações Wi-Fi são perfeitamente suficientes para a maioria das vezes.

Como provam alguns estudos feitos, a maioria dos utilizadores usa o tablet sobretudo em casa, ou em viagens, mas com conteúdos pré-carregados. Apesar dos planos especiais dos operadores móveis, os dados 3G ainda são caros e podem não justificar em utilizações esporádicas...

Já tem o iPad original?

Para quem já comprou a primeira versão e a tem utilizado mais ou menos intensamente, a pergunta que se impõe é: vale a pena a troca?

Considerando o investimento feito, a menos que tenha uma conta bancária bem recheada ou encontre alguém disposto a pagar bem pela primeira versão, diria que será dificil justificar a compra só pelas vantagens de design e rapidez...

Claro que pode sempre adicionar mais argumentos: o ecrã é melhor e está mais resistente a efeitos das dedadas que se vão acumulando no iPad original e que fazem com que rapidamente o aspecto seja pouco limpo - uma das notas negativas do teste da primeira versão.

A verdade é que o facto de a moldura do modelo que estou a usar ser branca ajuda logo a esta visão de "limpeza. Não gosto particularmente de gadgets brancos, demasiado "asiáticos", mas neste caso estou a ficar fã...

As novas capas, Smart Cover, são uma das ideias mais brilhantes. Nos primeiros minutos são quase tão atraentes como o próprio iPad, não só pelas cores como pela bela obra de engenharia e design que apresentam.

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Ao contrário das capas da primeira versão, que funcionavam como "envelope", as Smart Cover "colam-se" na face lateral esquerda do iPad, por tecnologia magnética, que mantém a ligação em qualquer posição de uso e serve também para fazer hibernar o equipamento quando o fecha, ou activá-lo quando o abre. E dobram-se em várias partes, à medida das necessidades, servindo também de suporte para a utilização inclinada do tablet.

Outra das vantagens da nova versão é a adição das câmaras fotográficas frontal e traseira. A falta das câmaras era uma das grandes críticas feitas ao primeiro iPad, mas para quem já o utilizava é difícil sentir a falta destes acessórios.

Quando se experimenta verifica-se que a qualidade do vídeo não é fantástica - 720 p - embora seja suficiente para uma videochamada com recurso ao FaceTime. Já a utilização como máquina fotográfica deixa muito a desejar, nem que seja pelas figuras estranhas a que obriga... Quer se queira quer não, é muito mais lógico usar um telemóvel para este papel...

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A câmara tem uma utilização divertida com o Photo Booth onde pode distorcer a sua imagem e experimentar a visão com uma câmara térmica, imagem em espelho, raio-x, caleidoscópio ou estreitar e esticar. Os efeitos são capazes de arrancar muitas gargalhadas e entreter um grupo de gente (mesmo crescida) durante algum tempo.

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A bateria é outro ponto com boa nota. São 10 horas de utilização, mesmo que intensa. Por isso até é fácil esquecer que é preciso carregar o iPad... mesmo que tenha o (mau) hábito de deixar muitas aplicações a correr em simultâneo (ou abertas em background).

Se com tudo isto está a pensar trocar de iPad, saiba ainda que há desafios adicionais a contornar: os conteúdos. É verdade que não perde os conteúdos já comprados, mas tem de os descarregar outra vez, e voltar a instalar as aplicações, mesmo as gratuitas...

Para quem já tem o iPad muito artilhado, isso pode levar umas boas horas... O iTunes começa por pedir a confirmação da conta porque está a usar um computador novo, mas depois tem roda livre, e trabalho para voltar a “personalizar” o tablet.

Outra opção, sem dúvida mais fácil e rápida, é fazer a cópia dos conteúdos do iPad antigo para o iTunes e depois restaurá-la no iPad 2. Mas essa não foi a minha primeira opção e acabei por ir pelo caminho mais longo, voltando a descarregar uma série de conteúdos do iTunes University.

Sou fã de algumas aulas que tenho descarregado para ouvir/ver nos tempos mortos, e tive de voltar a descarregar algumas delas.

Enquanto escrevo estou a meio do download de conteúdos da Universidade de Londres (UCL) que tem uma série de Lunch Hour Lectures, através da qual são abordados temas tão diversos como a empatia e o cérebro adolescente ou o uso da nanotecnologia.

Pontos negativos
Como sempre, nem tudo são rosas no iPad. Mesmo para quem é fã é fácil perceber também os "pontos fracos" do equipamento.

Na comparação com os outros tablets no mercado ganha facilmente em usabilidade, design e na profusão de conteúdos e aplicações a que dá acesso. O Android ainda tem muito que correr para chegar ao nível a que o iPad já está, isto sem falar de outras plataformas como o BlackBerry e o Windows...

Mas a forma como a Apple fecha os conteúdos não deixa de ser irritante. Não é nada fácil transferir vídeos, fotos e músicas de e para o iPad. E a política de gestão da loja de aplicações é também altamente restritiva para as empresas que fornecem conteúdos, mesmo que seja praticamente transparente para o utilizador.

No dia-a-dia é a falta de suporte a Flash que pode fazer mais diferença, ou mesmo a necessidade de produzir algum conteúdo no tablet. O iPad é perfeito para responder a pequenos emails, colocar posts nas redes sociais e actualizar o blog, mas mais do que isso já começa a tornar-se uma tarefa complicada. Por vezes mesmo a cópia e cola de pequenas partes de textos ou URLs se torna um desafio para quem é menos experiente...

Só resta esperar que a prazo estas sejam também melhorias que a Apple resolva fazer nas próximas versões do iPad. E se calhar nem temos de esperar muito tempo para ver o que trará o iPad 3...

Fátima Caçador

Nota da Redacção: Foi feita uma actualização ao artigo sobre a reposição dos conteúdos e aplicações personalizadas no iPad 2. Como bem lembrou um leitor, bastava fazer a sincronização dos conteúdos e o backup do iPad original e repor depois no iPad 2... Faltou a ideia, mas agradeço a dica que me vai poupar algum tempo e trabalho!

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