Lançado em meados de Março, o Xperia Play começou a chegar às lojas portuguesas a semana passada, pelas mãos da TMN, que assegura o exclusivo da distribuição - também na redacção do TeK. Alguns dias de testes ao "telefone da PlayStation" mostram que o equipamento faz jus ao epíteto.

O modelo da Sony Ericsson cumpre com distinção a sua principal vocação: ser também uma consola de jogos - e assegurar, por fim, aquilo que a empresa vinha ensaiando desde o lançamento do Aino, quando afirmou estar a trabalhar para oferecer integração entre os vários dispositivos da marca. Fica a faltar a integração com a PSN.

No que respeita ao hardware que dota o dispositivo da capacidade de se transformar numa PSP pouco há a apontar de negativo. Basta deslizar o ecrã e estão lá os botões que replicam os comandos da PlayStation, respeitando a mesma configuração da consola.

[caption]Xperia Play[/caption]

Os "clássicos" quadrado, círculo, triângulo e X, Start, Select, d-pad e ainda dois touchpads - que substituem os sticks analógicos, mas se revelaram pouco fáceis de usar e precisos. Louvamos o esforço da Sony e acreditamos que com a prática pode ser que o utilizador se adapte, mas optámos por render-nos à solução mais simples e voltar ao joypad.

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Para além destes controlos existem ainda mais dois botões dedicados aos jogos, os triggers L e R, colocados na lateral direita do telefone e que, quando ecrã desliza e o utilizador se posiciona para jogar, ficam na posição equivalente à que ocupam num comando da PS3, por exemplo.

[caption]Xperia Play (triggers)[/caption]

A jogabilidade é assegurada não só pelos botões nos lugares certos, mas também pelo desempenho gráfico e qualidade do ecrã, que surpreenderam pela positiva e também se mostraram mais-valias na reprodução de vídeos HD. Note-se que o equipamento assegura a reprodução de imagens a 60 frames por segundo, a PlayStation Portable actualmente no mercado não ia além dos 30 fps.

[caption]Xperia Play (comandos)[/caption]

Também o processador Snapdragon de 1GHz foi optimizado com um GPU Adreno 205, para fazer face às necessidades dos jogos, mais exigentes e "pesados" que os encontrados noutros dispositivos Android - tanto que os responsáveis pelo desenvolvimento aconselham a que o seu download seja feito a partir de ligação Wi-Fi, para que seja mais veloz (e menos dispendioso).

A fabricante garante que foi ainda tido especial cuidado com a bateria, preparada para suportar até uma média 5h30 de jogo. Se desligarmos a conectividade Wi-Fi e 3G ganhamos mais umas horas, garantem alguns utilizadores, mas não chegámos a tanto. Quando dedicado a uma utilização menos voltada para os jogos e mais para a navegação Web ou tirando partido da câmara (fotográfica e de vídeo), o dispositivo não assegura autonomia para muito mais que um dia e meio.

Desagradou-nos que o telefone demore tanto tempo a ligar, uma limitação que não seria de esperar num smartphone de gama alta, como é este. Não há paciência para esperar que passem duas paragens de Metro até conseguir começar a ler as notícias do dia.

Para além do hardware, o Xperia Play apresenta menus e funcionalidades adaptados à sua condição de consola portátil, incluindo o PlayStation Pocket e ligação para uma secção do Android Market exclusivamente dedicada aos jogos para este equipamento - que tanto podem ser controlados através do ecrã táctil como dos comandos à la PlayStation.

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O telefone vem pré-carregado com 5 jogos e a possibilidade de descarregar gratuitamente o Asphalt 6, que permite competir contra outros utilizadores online ou ligados à mesma rede local Wi-Fi. A oferta de títulos dedicados é, por enquanto, parca (cerca de 50) mas a fabricante conta chegar à centena até ao final deste ano.

Para além dos títulos desenvolvidos para a plataforma, está assegurado o acesso a todo o catálogo de aplicações do Android Market e jogos que beneficiam do ecrã táctil capacitivo de 4 polegadas e do acelerómetro - muito melhor que o do primeiro Android da marca.

Para o Xperia Play, a Sony Ericsson opta pela última versão do sistema operativo da Google, o Android 2.3 (Gingerbread), que apresenta algumas diferenças (e melhorias) em relação aos antecessores.

Os menus estão mais intuitivos e adaptados à tarefa que se está a desempenhar, mas devemos confessar que uma das novidades que nos deixou mais satisfeitos foi a registada ao nível das ferramentas para introdução de texto - uma tarefa em que não somos propriamente eficientes e que se tornou muito mais fácil com o novo cursor (e maior precisão por parte do terminal).

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Também o Media Scape (da Sony Ericsson) - que faz a sincronização e integração de contactos e ficheiros multimédia do utilizador, email e redes sociais - está diferente. E pode agora ser apresentado, juntamente com as funcionalidades de outros menus iniciais do telefone, numa "vista geral".

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Por falar em multimédia, vale a pena realçar a qualidade de reprodução, tanto ao nível da imagem como do som, que fez com que não oferecêssemos resistência a substituir o nosso habitual leitor por este dispositivo.

No que ao hardware e design concerne, apresenta-se como um dispositivo agradável à vista e ao toque, com dimensões (11,9 x 6,2 x 1,6 cm) que asseguram conforto na navegação Web sem fazerem dele difícil de "controlar" por mãos mais pequenas.

Não há, no entanto, como esconder as "características especiais" do telefone. Mesmo com os comandos da PSP "encolhidos" debaixo do ecrã, o equipamento tem uma espessura que denuncia haver algo escondido e os triggers também não passam propriamente despercebidos, embora a escolha dos materiais lhes assegure alguma discrição.

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Não sendo propriamente leve (175 gramas), revela-se uma opção mais cómoda que a consola portátil e que não atrapalha quem o leva consigo - principalmente quando se usam malas, já que colocado num bolso pode tornar-se menos confortável.

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Para além dos dedicados ao gamming, conta com quatro (pequenos) botões por baixo do ecrã, um para retroceder, outro para voltar ao ecrã de início e o habitual botão que acciona os menus nas diversas utilizações do telefone. Existe ainda uma tecla de atalho para pesquisas, no telefone e na Web.

Na lateral direita existe ainda um botão dedicado ao volume e no topo direito do telefone está posicionado aquele que liga e desliga o equipamento - e também indica quando a bateria está "no vermelho". A lateral esquerda do dispositivo foi reservada à porta Micro-USB e à entrada para o jack 3.5 mm.

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Nas traseiras do equipamento encontra-se uma câmara de 5.1 megapixéis com flash LED que também grava vídeos HD (720p) e nos deixou bem impressionados, revelando-se mais que suficiente, numa altura em que alguns telefones já elevam a fasquia para os 8 megapixéis.

Cores vivas, boa definição e a possibilidade de controlar a maior ou menor exposição à luz, resultaram em imagens com boa qualidade, tanto dentro como fora de casa. Existe ainda uma câmara frontal, capaz de captar vídeo e fotos, com uma resolução máxima VGA (640x480).

Contas feitas, é um dispositivo interessante, capaz de resolver os dilemas de todos quantos anseiam levar a consola consigo para todo o lado sem comprometer um certo "ar" profissional… ou simplesmente transportar mais um equipamento.

O preço está dentro dos cobrados por dispositivos da mesma gama: 499 euros. Na loja online custa menos 10 euros e quem o quiser desbloqueado paga 624,88 euros.

Joana Martins Fernandes

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