Desenvolver soluções para os problemas ambientais através da inteligência artificial (IA) e de novas tecnologias espaciais emergentes é o desafio proposto pelo AI Moonshot Challenge. Em jogo está um prémio que pode ir até aos 500.000 euros, nesta que é uma competição mundial de investigação em Portugal e cujas candidaturas já se encontram abertas. O prazo de inscrições termina a 4 de outubro e os vencedores serão anunciados em dezembro, durante o Web Summit.

Apresentado na edição de 2019 do Web Summit, ao desafio podem responder universidades, institutos de investigação, laboratórios estatais, organizações privadas ou públicas sem fins lucrativos que se dediquem à investigação científica ou empresas, incluindo startups. Todos eles têm de articular dados de satélite e IA para desenvolverem atividades de investigação e desenvolvimento, com vista à deteção, ao rastreio, à caracterização e à quantificação dos diferentes tipos de plástico nos oceanos, considerando também rios, lagos ou potenciais locais de origem.

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A melhor proposta recebe um determinado valor monetário para financiar um projecto de investigação com a duração máxima de dois anos e que tem de ser realizado a partir de Portugal. O concurso está aberto a entidades nacionais e internacionais, estando estas últimas obrigadas a trabalharem em estreita cooperação com as instituições portuguesas, que deverão ser líderes do projeto ou, em alternativa, estabelecendo atividade em Portugal. As regras do concurso agora conhecidas estipulam que pode ser selecionada mais do que uma equipa, desde que o orçamento total previsto não ultrapasse os 500.000 euros.

“Este concurso tem claramente um alcance mundial visto que ambicionamos encontrar soluções que possam ser aplicadas em qualquer ponto do globo, mas tem também uma importante componente local", explica Carolina Sá, responsável pelas Relações Industriais e Projetos de Observação da Terra da Portugal Space. Desta forma, pretende-se "promover o desenvolvimento de tecnologia nacional ou que haja transferência de conhecimento e tecnologia para Portugal”.

Mais de 4,8 milhões de resíduos plásticos todos os anos: uma realidade para os oceanos

Com dados de uma investigação a indicarem que mais de 4,8 milhões de resíduos plásticos podem acabar nos oceanos num só ano, desenvolver soluções para monitorizar estes detritos é bastante importante. “A identificação, quantificação e monitorização destes detritos é crucial se queremos compreender o problema em todas as suas dimensões e avaliar quais as medidas corretivas ou preventivas que serão mais eficazes”, explica Carolina Sá.

As melhores candidaturas serão convidadas a apresentar as suas ideias durante a edição deste ano da Web Summit. Em plena pandemia, a organização anunciou recentemente uma nova data para o evento, que decorre de 2 a 4 de dezembro, num formato online e offline. O vencedor, ou vencedores, serão anunciados durante a conferência.

As propostas serão avaliadas por um júri internacional de peritos nos domínios de deteção remota por satélite e IA, e presidido por Paolo Corradi, engenheiro de sistemas da Agência Espacial Europeia e Carolina Sá, da Agencia Espacial Portuguesa. A inovação será o principal fator em consideração, assim como a solidez técnica e científica das propostas.

Promovido pela Agência Espacial Portuguesa - Portugal Space em parceria com a Unbabel Labs, o concurso de âmbito internacional conta com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, da Agência Espacial Europeia e da Agência Nacional de Inovação. Em linha com a Estratégia Nacional Portugal Space 2030, o prémio pretende impulsionar o uso de dados espaciais no avanço da investigação científica e no desenvolvimento de soluções inovadoras para problemas societais.

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