Quando Edward Snowden revelou os primeiros contornos do sistema PRISM mantido pela NSA confirmaram-se muitas das suspeitas e alertas que já tinham antes sido divulgados, mas conseguiu-se sobretudo uma massificação da consciência global sobre o acesso à informação privada e confidencial de cidadãos e Governos por parte de algumas entidades norte americanas.

A ideia de que o Governo americano – e outros Governos – conseguem espiar informação partilhada através de mensagens de correio eletrónico, chamadas telefónicas, conversas no Skype, fotografias e posts colocados nas redes sociais, é antiga, e muitos lembrar-se-ão do escândalo do sistema de vigilância global Echelon e da sua utilização para espionagem industrial a empresas europeias. Mas o analista Edward Snowden conseguiu através da divulgação de informação a alguns jornais trazer o problema para as conversas de café, e massificar esta consciencialização de que pouco (ou nada) do que partilhamos em formato eletrónico é privado.

[caption]votação[/caption] Por isso não é de estranhar que entre os temas tecnológicos selecionados pela redação do TeK como mais relevantes em 2013 este acabasse por estar de forma entre os mais votados pelos leitores, conseguindo 50% dos mais de 1200 votos.

Desde junho, quando foram reveladas as primeiras informações sobre o Prism, o fluxo de dados não tem parado, e ainda hoje se ficou a saber que a Agência Nacional de Segurança norte-americana (NSA) pode intercetar a expedição de alguns equipamentos com o objetivo de os colocar sob escuta antes de estes chegarem aos seus legítimos donos.

A caça ao homem que foi aberta para localizar e prender Edward Snowden ajudou a massificar a informação, mas também as posições que têm sido tomadas por alguns países, claramente contra a utilização massiva de tecnologia pelo Governo norte-americano para espiar outros países, empresas e cidadãos, como é o caso do Brasil, cuja presidente abriu a 68ª cimeira das Nações Unidas com um discurso centrado neste tema.

Os relatos reunidos à volta da informação relacionada com o PRISM indicam que 75% do tráfego de Internet é vigiado pela NSA. E as gigantes da tecnologia e das comunicações não escaparam incólumes neste filme negro, tendo sido provado que foi partilhada informação no âmbito de medidas de vigilância, mesmo que algumas se tenham oposto frontalmente e exercido pressões para uma maior clareza dos processos.

Os detalhes conhecidos do parque tecnológico que sustenta o sistema de vigilância mostram como a capacidade de processamento da informação e tratamento de dados está a ser usada, justificando o investimento em grandes datacenters. Mas os processos de recolha estendem-se pelos serviços de Internet e comunicações, os telemóveis, câmaras de vídeo e microfones de portáteis e smartphones.

E os próprios tentáculos da NSA e da CIA estão espalhados pelo mundo, revelando o ex analista da NSA que as agências de espionagem norte-americanas têm 80 escritórios dispersos pelo globo, 19 dos quais na Europa. Uma delas estará a operar em Portugal, como indica um documento revelado por Edward Snowden e publicado pelo jornal holandês "NRC".

O interesse da agência de informação não se limita a atividades terroristas, como poderia ser justificado pelo Patriotic Act, mas também abarca jogos como o World of Warcraft, títulos na Xbox Live, ou a atividade em mundos virtuais como o Second Life através de um plano de monitorização que terá tido início em 2008.

Tudo indica que nada nem ninguém estará a salvo deste sistema de vigilância e pelo ritmo de divulgação de informação que tem sido feito, é muito provável que em 2014 se conheçam novos contornos deste escândalo.

Esta semana continuaremos a abordar os vários temas que mais marcaram o ano de 2013, escolhidos pela redação e votados pelos leitores. E como é habitual, a caixa de comentários está aberta a todos os que queiram contribuir para o balanço do ano que agora termina.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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