Ainda não há data para a disponibilização da aplicação STAYAWAY COVID, desenvolvida pelo INESC TEC em parceria com o Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, ISPUP, mas a app já está a ser testada por um grupo alargado de utilizadores e o SAPO TEK também recebeu o convite para a instalar.

O convite foi enviado a mais de 13 mil participantes registadas num estudo que junta o Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) e o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), em parceria com o jornal PÚBLICO, mas ainda limitado aos utilizadores de sistemas Android, já que a versão para iOS ainda não foi aprovada pela Apple.

Este é um dos poucos passos que falta para que a app possa ser disponibilizada publicamente, o que chegou a estar previsto ainda para maio. A análise da Avaliação de Risco por parte da Comissão Nacional de Proteção de Dados, que apontou ainda falhas, e a aprovação da legislação de suporte por parte do Governo, eram alguns itens da lista a cumprir e que já foram ultrapassados. Outro dos pontos polémicos era a falta da disponibilização do código fonte, o que já foi feito ontem no GitHub.

Entretanto têm surgido várias advertências em relação a questões de privacidade e segurança. A D3 Associação de Defesa dos Direitos Digitais, apontou quatro grandes “pecados” à aplicação e a ANSOL – Associação de Software Livre também elencou várias preocupações, uma das quais a falta de apresentação de todo o código fonte, lembrando que as API da Google e da Apple não são abertas e não serão divulgadas.

Serão isto apenas questões técnicas que não interessam ao utilizador? A transparência da informação e a garantia da segurança e da privacidade podem não ser as principais prioridades de quem instala a aplicação à procura da segurança de saber se esteve próximo de um utilizador que entretanto foi diagnosticado positivo á COVID-19, mas são temas que não devem ser ignorados.

Como funciona a aplicação STAYAWAY COVID e qual é a experiência de utilização?

O convite para entrar no teste da aplicação foi enviado aos utilizadores registados em Diários de uma Pandemia que tinham indicado estar disponíveis para receber comunicações de informações relacionadas. O email continha um link para um formulário onde os utilizadores indicam o endereço de email registado nas contas das lojas de aplicações Google ou iOS.

Ainda demorou alguns dias até que fosse enviado o email com o link para download da app na loja de aplicações para Android, e quando o recebemos não estava ainda ativo. Uma mensagem de correio eletrónico enviada para o serviço de apoio da aplicação foi prontamente respondida, pedindo para aguardar umas horas e voltar a tentar.

E a segunda tentativa foi bem sucedida. O link funcionou e direcionou para aplicação, que instalámos depois dos vários ecrãs de informação detalhada e das autorizações necessárias. Como funciona o recurso de Notificações de exposição, a forma como a app pode determinar a exposição e o que fazer se for diagnosticado positivo à COVID-19 fazem parte da informação detalhada nestes ecrãs iniciais.

Só depois somos conduzidos ao download da app STAYAWAY COVID (acesso antecipado) com 41,4 MB. A instalação foi rápida e a aplicação apresenta uma série de  ecrãs sobre a melhor forma de se proteger e o funcionamento dos alertas, assim como a proteção dos outros e como proceder se for diagnosticado com COVID-19, ajudando a quebrar as cadeias de contágio.

O consentimento informado para as notificações de exposição e o tratamento de dados, e a autorização para que a aplicação se mantenha ligada em segundo plano, assim como a ativação das notificações de exposição à COVID-19, são mais alguns dos passos antes de chegar ao ecrã principal.

É verdade que para já a aplicação ainda está limitada durante o piloto, sem a ativação dos códigos de resultados positivos em testes diagnóstico, mas há algum conforto em abrir o ecrã e receber a indicação de que não foram registados quaisquer contactos de proximidade com elevado risco de contágio. Mesmo que se saiba que, pelo menos para já, pode não ser verdade.

Ecrãs da app STAYAWAY COVID

Os códigos médicos são um elemento chave para que a aplicação STAYAWAY COVID seja eficiente e eficaz. Para isso é importante que os utilizadores diagnosticados que estão a usar a aplicação introduzam os códigos no ecrã respetivo, de forma a que a app partilhe, anonimamente, os identificadores com o servidor, permitindo que essa informação seja enviada para os telemóveis de utilizadores que tenham estado em contacto de risco (a uma distância inferior a 2 metros durante mais de 30 minutos) nos últimos 14 dias. Tudo garantindo sempre o anonimato de todos os envolvidos, como garante o INESC TEC.

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Esta foi a parte que não conseguimos testar e que ainda está bloqueada, e qua na verdade ninguém deve querer ter de preencher porque isso significa que está infetado.  Tudo indica que será um código de 12 dígitos, pelo ecrã que está já na aplicação.

Quase 48 horas depois de instalar a aplicação a experiência é positiva, sem interferências nem consumo excessivo de bateria, mas esta é só ainda uma primeira impressão, até porque ninguém de contacto próximo tem a aplicação instalada e, mesmo que tivesse, não haveria ainda lugar a disgnósticos positivos que ativassem os alertas.

Mesmo com todas as dúvidas, para já esta é uma app que vamos continuar a usar. O escrutínio e a transparência são importantes e devem ser garantidos pelas entidades envolvidas, mas estas aplicações são também uma ferramenta adicional para ajudar a quebrar as cadeias de contactos, identificando possíveis contágios que possam ficar esquecidos ou não identificados num rastreamento manual.

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