Em 2010, quando a Miniclip lançou o desafio a Sérgio Varanda para abrir um escritório de desenvolvimento de jogos móveis, 5 pessoas mudaram-se para Lisboa para explorar os novos horizontes que se abriam com o interesse nos smartphones. Na altura a meta era crescer até 12 colaboradores, mas a realidade rapidamente ultrapassou as ambições definidas.

A Web ainda dominava e o portal do Miniclip, que se estreou em 2001, era o principal motor do negócio da empresa, que já fazia “uma perninha” nas plataformas móveis. Sérgio Varanda já tinha “brilhado” nos dois jogos que tinha desenvolvido com amigos como hobby enquanto trabalhava no Skype (e que rapidamente tinha chegado ao milhão de downloads) mas nada fazia prever o sucesso que a unidade portuguesa acabaria por conquistar, explorando de forma eficaz o crescimento do mundo das apps móveis.

Entre mudar-se de armas e bagagens para Lisboa, abrir o escritório e começar a produzir nem houve tempo para respirar: ao fim de apenas um mês a unidade localizada em Portugal já era rentável. E a partir daí foi sempre a subir. O Fragger foi o primeiro sucesso, seguindo-se o Gravity Guy e outros títulos como o iStunt e Rail Rush. E claro, o 8 Ball Pool.

Em 2011 a unidade já tinha crescido para 20 pessoas, e actualmente a Miniclip tem a trabalhar no escritório do Taguspark 90 pessoas, com a meta de contratar entre 35 a 40 novos colaboradores este ano.

O que justifica este sucesso nas plataformas móveis? Sérgio Varanda explica ao TeK que em 2012 o negócio da Miniclip se fazia 80% na Web e 20% no mobile mas que actualmente a tendência se inverteu. Os jogos para telemóveis fazem 80% da receita, mesmo que todos se baseiem no modelo freemium, que dispensa pagamento para download da app mas depois “sugere” as compras de pontos ou de vidas dentro do jogo.

Atualmente a Miniclip tem um portfólio de 45 jogos mobile e a escala alcançada por alguns dos títulos da empresa é importante para impulsionar novos jogos, mas nos últimos dois anos o 8 Ball Pool, um jogo de bilhar, tem conseguido brilhar de forma constante no cenário competitivo dos jogos mais rentáveis da App Store da Apple e está num invejável terceiro lugar a nível europeu.

“O 8 Ball Pool é muito popular e tem funcionalidades que ajudam a garantir o sucesso. Como é multiplayer cada jogo é diferente, e o facto da comunidade ser grande grande faz com que seja muito rápido encontrar um grupo de pessoas com quem jogar. […] Estamos a superar o número de utilizadores todos os meses” explica Sérgio Varanda.

A Miniclip tem uma equipa de 20 pessoas que só trabalha no jogo, desenvolvendo novas funcionalidades e dando apoio técnico para que tudo funcione na perfeição. Em Abril o jogo tinha mais de 8,250 milhões de utilizadores por dia no telemóvel e conta com mais de 100 milhões de downloads.

Entretanto a Miniclip também já mudou bastante em relação à empresa que decidiu avançar com a unidade em Portugal. A parceria com a Tencent trouxe novo músculo financeiro e a empresa tem já várias unidades de desenvolvimento dispersas pela Europa, nomeadamente na Suíça, Itália e Reino Unido, somando mais de 120 colaboradores no total, a larga maioria dos quais está em Portugal.

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Uma equipa que continua a crescer

Quando pensou em localizar a unidade de desenvolvimento para telemóvel no TagusPark uma das razões da escolha estava relacionada com a presença do Instituto Superior Técnico em Oeiras, que se apresentava como um excelente ponto de angariação de talento.

Sérgio Varanda continua a defender essa ligação virtuosa e a ligação que a Miniclip tem à faculdade estende-se também a outras áreas, de tutoria e assistência técnica em projectos, mas as necessidades de contratação da Miniclip fazem com que a angariação de novos colaboradores se estenda de forma mais vasta.

“Temos uma boa relação com o Técnico e contratamos muitos recém licenciados mas precisamos de reforçar outras áreas e de pessoas mais seniores”, explica. Por isso a angariação de novos colaboradores estende-se a nível internacional, sobretudo em alguns tipos de perfis, como de game design, onde não existe grande experiência em Portugal.

Na equipa que está localizada no TagusPark há pessoas dos Estados Unidos, Polónia, Rússia, Holanda, Espanha, China e Índia, num “melting pot” que funciona com muito profissionalismo na parte do desenvolvimento e teste de jogos mas também nas áreas de sistemas para suportarem os muitos milhões de utilizadores que usam diariamente os jogos da Miniclip e das áreas de Business Intelligence para analisar a evolução e tendências de jogo.

Porque quer ter sempre os melhores talentos, a Miniclip está quase permanentemente em processo de recrutamento, e até ao fim do ano deverá contratar mais 35 a 40 pessoas, com perfis variados entre programadores, gestores de sistemas, ilustradores e gestores de produto.

Há por ai candidatos?

Fátima Caçador


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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