Foi com grande expetativa que se esperava o anúncio de novos produtos da Xiaomi durante o megaevento realizado esta segunda-feira. A fabricante chinesa revelou essencialmente os novos modelos Pro, Ultra e Lite da série Mi 11, depois do lançamento global da sua versão standard. A empresa referiu no final da apresentação que o evento seria dividido em duas partes, tendo adiado para hoje o lançamento do muito esperado Mi Mix. Tudo se deveu a uma gripe que o presidente da empresa, Lei Jun, diz ter apanhado no fim-de-semana, tendo inclusivamente perdido a voz, mas que recuperou a tempo da apresentação. Espera-se assim hoje grandes novidades.

No segundo dia do evento, Lei Jun, que afirmou estar melhor da sua gripe, destaca o 11º aniversário da empresa nos próximos dias. E depois de 10 anos a utilizar o mesmo logo Mi, refere que vai mudar a imagem. Mas foi uma espécie de pequena brincadeira, pois o logo passou apenas de uma forma quadrada para redonda, mantendo-se a imagem conhecida praticamente inalterada. Segundo referiu, a nova forma reflete um novo posicionamento no mercado. "Mais que uma mudança de forma do logo, trata-se de uma elevação de espírito da empresa". O resultado é a junção de um quadrado e um círculo, num meio termo da sua imagem. A empresa compara o novo logotipo a um emoji com vida, que pode ser utilizado em qualquer parte dos seus produtos, em vez de uma área fixa como até aqui. A nova imagem corporativa será atualizada nos produtos e lojas da empresa. E o primeiro produto da empresa com o novo logo nem sequer é tecnológico, mas um saco ecológico, para marcar a data.

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A Xiaomi apresentou o seu novo logotipo, mudando a forma quadrada para um formato redondo.

Mix Fold: O primeiro smartphone dobrável da Xiaomi

E finalmente Lei Jun revelou o Mix Fold, o primeiro smartphone dobrável da empresa que há algum tempo tinha sido alvo de teasing. O smartphone apresenta suporte a Dolby Vision, destacando o brilho, as cores e a qualidade de imagem para ver filmes e jogar videojogos. Foi mostrado o jogo Geishin Impact, com a imagem a ocupar o ecrã total. O ecrã AMOLED é de 8,01 polegadas quando aberto, com uma resolução de 2K e 600 nits de brulho. O iPad Mini foi comparado tendo um ecrã menor, de 7,9 polegadas. Tem quatro canais de altifalantes da harman kardon, naquele que a empresa destaca como stereo real.

Lei Jun salienta as possibilidades do seu smartphone, que se transforma num tablet sempre que os utilizadores necessitam de mais área de ecrã, seja para ver documentos, como assistir vídeo. Refere ainda o botão "Stealth", que com apenas um clique desliga o localizador de GPS e outras funcionalidades que tornam o equipamento mais seguro. Tem ainda o modo PC, bastando três dedos. O smartphone passa assim a comportar-se como um computador, permitindo gerir janelas livremente no seu desktop. É possível dividir o ecrã em três partes na horizontal, ou dividir em duas colunas de informação.

A empresa apostou no seu design, sobretudo nas maiores preocupações que passam pela duração do equipamento. Os seus testes demonstram que este resistiu a um milhão de dobragens durante. Salienta ainda que o ecrã AMOLED foi reforçado por placas metálicas, salientando que "é quase impossível partir o ecrã". Tem ainda uma bateria de 5.020 mAh, o que diz ser pouco comum no segmento, porque o mecanismo que permite dobrar o ecrã ocupa muito espaço. É ainda suportado por um carregador rápido de 67 W. Quando fechado o ecrã tem 5,52 polegadas.

Tem um processador Snapdragon 888 5G da Qualcomm. Tem uma câmara principal de 108 MP, composta por um sistema telescópico de 30X e uma macro. E tudo isto suportado pela sua badalada tecnologia de lente fotográfica líquida, que une lente de 12 MP, outra de 8 MP, para as diferentes funções fotográficas do smartphone. Em destaque está o seu novo processador C1, produzido pela própria empresa, prometendo uma performance superior a outras do mercado. O processador esteve em produção durante sete anos e está ligado às ambições que a empresa tem para mudar o paradigma das câmaras fotográficas para smartphones que o líder da Xiaomi prometeu ontem.

Relativamente ao preço, o Mix Fold chega ao mercado por 9.999 Yuan (1.300 euros), assumindo-se assim mais barato e acessível que os rivais Samsung Z Fold 2 e o Huawei Mate X. Tem duas configurações base, este por 12/256 GB de armazenamento e outro com 12/512 GB por 10.999 Yuan (1.425 euros). Uma edição especial, com o máximo de memória 16/512 tem um preço de 12.999 Yuan (1.685 euros).

Mi Laptop Pro 15 é o novo portátil da Xiaomi e há novos produtos inteligentes para a casa

Durante o longo evento a Xiaomi apresentou o seu novo portátil, atualizado com a nova placa gráfica integrada da Intel Mx 450, como parte da certificação da plataforma Intel Evo, onde constam apenas 20 modelos. O ecrã é OLED e tem uma resolução de 4.5K e uma proteção geral garantida pela Corning Gorilla Glass. Foi adicionado um sensor de luz que ajusta a iluminação de acordo com o ambiente e tem 600 nits, com 100% compatibilidade DCI e certificação True Black 500 DisplayHDR e redução de luz azul, graças à certificação TUF. Na conetividade tem ainda suporte Wi-fi 6. Tem quatro portas USB-C e um adaptador que converte USB-C para HDMI.

A configuração mais barata custa 6.499 Yuan (842 euros) para o processador i5 e 7.999 (1.036 euros) para o i7.

A empresa destacou as dezenas de novos produtos inteligentes que tem no seu catálogo, sobretudo focados nos lares, desde eletrodomésticos, sistemas de alarme, purificadores, televisores, e outros outros. Um dos novos produtos é o novo aspirador inteligente, com capacidade de lavagem. O equipamento tem câmaras com um módulo ToF de profundidade para evitar os obstáculos, sobretudo não fazer a limpeza com a sua esfregona nas alcatifas. O novo desumidificador tem uma capacidade de sugar 600 ml de humidade por hora, e tem um tanque de 5 litros de armazenamento de água, preparado para trabalhar o dia todo. Por fim, no conjunto dos eletrodomésticos inteligentes tem um novo ar condicionado.

Durante um discurso emocionado sobre a sua história antes de abrir a Xiaomi, Lei Jun refere que fez um investimento em 10 empresas de veículos elétricos, incluindo a Tesla. Em janeiro de 2021 a empresa começou a investigar as suas próprias soluções de automóvel, colocando na mesa a possibilidade de construir o seu veículo, com a sua experiência tecnológica e conetividade. Durante a sua investigação, descobriu grandes ligações entre automóveis e smartphones. "Um automóvel é um smartphone com quatro portas", salienta com humor. Muitos aconselharam o líder da Xiaomi a não investir este negócio, por ser um mercado onde é fácil falhar. Este impasse tem sido a maior dos seus problemas nos últimos tempos, com 100 razões para avançar de dia, mas de noite, em reflexão, outras 100 para não investir. A empresa mostrou uma caravana totalmente equipada com equipamentos da Xiaomi, construída em especial para ajudar a concretizar um sonho de um fã que era viajar pelo mundo.

O discurso continuou com Lei Jun a mostrar um livro oferecido por um fã, que não era mais que um caderno com centenas de autocolantes dos produtos da Xiaomi qua adquiriu nos últimos seis anos, num elevado valor. E a mensagem: "se construir um carro, eu vou comprar". O suspense aumentou, sem que o patrão da Xiaomi dissesse as palavras mágicas. Estará mesmo a empresa interessada em lançar um automóvel elétrico? Sim, a Xiaomi confirmou a decisão tomada hoje pelo quadro de acionistas, que a empresa vai produzir o seu veículo elétrico. Vai ser investido nos próximos 10 anos 10 mil milhões de dólares nesta indústria, numa subsidiária da empresa.

O evento encerrou com o anúncio da entrada no mercado dos automóveis elétricos, mas deixou de lado a revelação oficial do Mi Mix, que ficou agendado para uma outra data no futuro.

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