A capacidade criativa da Inteligência Artificial (IA) tem sido um dos pontos de maior debate quanto á utilização da tecnologia. Alguns casos foram já apontados como exemplos críticos, como a da fotografia que venceu um concurso, e as músicas geradas por IA já foram proibidas de concorrer aos Grammys, mas há muito potencial no uso das ferramentas para apoiar as equipas de design.

James Manyika, vice presidente sénior de Research, Technology & Society da Google, lembra que ao longo da história os humanos ultrapassaram sempre os limites do que é possível. "Todas as eras de descoberta e de inovação começaram com alguém a imaginar possibilidades. Isto também é verdade para a arte", refere num post publicado no blog da empresa.

O executivo faz o paralelo com a história da fotografia, e dos receios iniciais de que poderia ditar o fim da arte, quando aconteceu o contrário. "Livres da necessidade de reproduzirem a realidade com precisão, os pintores foram para novos locais  o que levou ao surgimento do impressionismo, modernismo e muito mais. Ao mesmo tempo, a fotografia tornou-se uma forma de arte própria, entrelaçada e alimentada pela tecnologia", adianta.

"Na Google, vemos o mesmo potencial da IA ​​para nos ajudar a conectar, a sermos mais produtivos e a libertar a nossa imaginação. E estamos entusiasmados com a interação com a criatividade humana – não para a substituir, mas para a melhorar, facilitar e para a libertar", sublinha James Manyika.

No Cannes Lions Festival, Robert Wong, vice-presidente do Google Creative Lab, partilhou exemplos de como a equipa está a usar ferramentas da IA, desenvolvidas pela Google Research, no seu trabalho.

São três os exemplos apontados, com uma a app experimental AI-Reply (que usa a PaLM 2 e a MakerSuite) a gerar rascunhos de respostas aos comentários dos utilizadores do YouTube para uma campanha social, no caso a Best Phones Forever, que foi lançada hoje.

StyleDrop está a ser utilizado para criar logotipos e ícones criativos e inovadores, consistentes com a marca Google Android e o DreamBooth para treinar um modelo nas suas próprias imagens e gerar selfies infinitas, como as que são utilizadas na imagem deste artigo.

Imagens criadas por IA usando o StyleDrop
créditos: google
Imagem gerada pelo StyleDrop para campanhas da Google
"Algo que as demonstrações mostram claramente é que o produto final mais forte não surge apenas da IA, mas a partir da IA ​​que é utilizada por pessoas com curiosidade, criatividade e compaixão. O ingrediente mais importante não é a IA, mas sim os humanos", defende James Manyika, sublinhando que é também possível uma abordagem responsável e lembrando que a tecnologia ainda está no início e há desafios a enfrentar.
O responsável de desenvolvimento deixa também conselhos aos criativos. "As pessoas criativas prosperam em tempos de mudança – geralmente são as primeiras a experimentar coisas novas, a reinventar as regras, a  ultrapassar os limites e a expandir as possibilidades para todos. O conselho para quem é curioso, mas cauteloso, é apenas para que comece - brinque com a IA e experimente algumas das novas ferramentas. Que possibilidades vê? Que coisas consegue imaginar?", escreve. "Trata-se, agora, de um momento emocionante. Existe tanto que podemos fazer e outro tanto que podemos fazer bem -  juntos".