Uma câmara capaz de registar imagens com 1 gigapíxel através de um sistema inovador de captação de imagem foi apresentada na última edição impressa da revista Nature. O projeto foi desenvolvido por duas universidades dos EUA (Duke, Carolina do Norte, e Arizona) e contou com o financiamento da Agência de Defesa para Projectos de Investigação Avançada dos Estados Unidos (DARPA).

A câmara foi apelidada AWARE-2 e parece um daqueles dispositivos destinados ao uso científico e militar que nunca chegaria a ver a luz do sol no mercado de consumo. Mas David Brady, líder da equipa de investigação, afirmou à Nature a intenção de comercializar a máquina.



A promessa da Aware-2 é a de mudar a fotografia como a conhecemos hoje e com um equipamento do género, de acordo com a publicação científica, o enquadramento da imagem passará para segundo plano, sendo o mais importante a possibilidade de extrair o máximo de informação.



A dimensão da Aware-2 é no entanto o primeiro entrave para a sua comercialização. Com 75x75x50 cm está longe de ser uma compacta comercializável. O bloco ótico do aparelho, por exemplo, ocupa apenas 3% do volume total, sendo o resto ocupado por circuitos eléctricos, cablagem e sistema de dissipação de calor.

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A tendência da indústria para oferecer imagens com maior resolução e melhor definição é a construção de máquinas cada vez maiores, com sensores cada vez maiores e com mais megapixéis. A sugestão da equipa de Brady é diferente e propõe uma estrutura com muitas câmaras em miniatura.



Nas máquinas digitais convencionais, a luz vinda da objetiva é captada por um sensor de imagem que é sempre mais pequeno ou de dimensão igual à de um negativo de 35mm. E se incorporar 10 megapixéis isso significa que, na placa de silício a que chamamos sensor, estarão representadas micro depressões (microrelevos), cada uma delas representando um pixel.

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Já com a Aware-2 tudo é diferente. As imagens obtidas são resultado de um sistema de captação inédito explicado na Nature. A estrutura do aparelho consiste numa objetiva e uma cúpula de alumínio onde foram encaixadas microcâmaras (98 no artigo da revista científica), cada uma das quais com um sensor CMOS de 14 megapixéis.



A luz é recebida por uma objetiva de 70mm com abertura de diafragma (disponível em f/3.5) e depois captada por todas essas microcâmaras, produzindo uma imagem que, segundo a Nature, não padece dos problemas cromáticos, óticos, entre outros, que aflige os equipamentos convencionais da indústria fotográfica.

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A Aware-2 pode receber até um máximo de 220 microcâmaras e quando assim é as fotografias podem ascender até 3 gigapixéis representando um campo de visão de 120 graus (o olho humano tem quase 180 graus).
O sistema tem ainda o potencial para produzir imagens ainda mais pesadas, com cerca de 50 gigapíxeis de informação.

Vejo o vídeo que ilustra o processo de montagem da máquina.

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Tiago Valente

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