A pandemia de COVID-19 tem afetado a saúde da população mundial, mas, por outro lado, são notórias as melhorias para o planeta Terra no que diz respeito aos níveis de poluição. Desta vez quem o mostra é uma empresa de data analytics, a Descartes Labs, que recorreu a dados de satélites para mostrar as diferenças na qualidade do ar nos Estados Unidos entre março deste ano e de 2019.

Os dados foram cedidos pela empresa à Fast Company e revelam uma diminuição dos níveis de poluição por dióxido de azoto (NO2) em todo o mundo, e Portugal não é exceção. O NO2 é um gás reativo que resulta sobretudo da queima de combustíveis fósseis a temperaturas elevadas, nomeadamente nos motores dos veículos motorizados e em alguns processos industriais. Dados do Air Center mostravam que em Portugal a redução do NO2 é significativa logo nas semanas que se seguiram à declaração do Estado de Emergência.

Os dados da Descartes Labs concentra-se nos EUA numa altura em que, pela primeira vez, foi decretado Estado de calamidade no país. De acordo com os dados, entre março e a primeira semana de abril deste ano os níveis de poluição por NO2 diminuíram 33% em Los Angeles, o Estado onde a percentagem é mais elevada. Em Nova Iorque a descida foi de 22%, em Seatle de 19% e em Denver de 15%, comparando com o mesmo período de 2019.

A nível mundial é na Índia que a queda dos níveis de poluição por NO2 e pelas partículas minúsculas denominadas por PM2.5 é mais acentuada: 70%. No mapa os pontos azuis indicam os níveis mais elevados de poluição do ar.

Um ar significativamente mais limpo

No dia 1 de abril, imagens do satélite Europeu Copernicus Sentinel 5P, processadas pelos peritos do AIR Centre mostravam, efetivamente, uma redução drástica nos níveis de NO2 em Portugal. No caso de Lisboa a redução foi mais significativa, chegando aos 80% em alguns locais da capital, e no Porto atingiu os 60%. A Quercus revelava também na última semana à TSF que em Lisboa, na Avenida da Liberdade, os níveis de poluição são os mais baixos de sempre, desde que existem registos.

No início de março, já a NASA e a ESA revelaram imagens de satélites de monitorização que mostram a diminuição de dióxido de nitrogénio libertado pela China nos últimos meses. No entanto, numa nova comparação das imagens de satélite, a ESA mostrou como a China regressava à normalidade depois da quarentena, e com isso também os níveis de poluição.

Mas a verdade é que a pandemia de COVID-19 também pode afetar as previsões meteorológicas e os registos do clima em todo o mundo, o que tem preocupado os especialistas. Para além dos aviões comerciais, grande parte deles parados, fornecerem dados importantes, as próprias atividades de manutenção dos equipamentos são agora também colocadas em stand-by.

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