Um novo estudo realizado pela Universidade de Coimbra (UC) e pelo Centro Tecnológico da Indústria de Moldes, Ferramentas Especiais e Plásticos (CENTIMFE), na Marinha Grande, revela que o uso da supercomputação leva a ganhos substanciais de tempo de simulação, potenciando ganhos de produtividade e de competitividade no desenvolvimento de novos produtos na indústria, em particular no que toca à produção de moldes e plásticos.

O estudo foi efetuado no âmbito do projeto TOOLING4G, o primeiro projeto português com a chancela da iniciativa SHAPE da rede europeia de computação avançada PRACE (Partnership for Advanced Computing in Europe). O objetivo é demonstrar as vantagens da utilização de recursos de Computação de Alto Desempenho para resolução de problemas industriais complexos, em particular das pequenas e médias empresas (PMEs).

Em comunicado, a UC explica que o estudo se focou numa simulação de dinâmica de fluidos computacional, com interesse para a indústria de moldes e plásticos, nomeadamente no desenvolvimento de uma nova geração de sistemas de aquecimento, ventilação e ar condicionado (AVAC) para automóveis.

As simulações realizadas no supercomputador Navigator Plus do Laboratório de Computação Avançada da Universidade de Coimbra pelo CENTIMFE demonstraram grandes ganhos de tempo, com a simulação a ser concluída em apenas 6 dias. Por contraste, o mesmo processo numa worstation tradicional demora 74 dias.

Para Rui Tocha, diretor-geral do CENTIMFE, o estudo conseguiu demonstrar que “o recurso à computação de alto desempenho desenvolver e analisar novos conceitos durante as etapas iniciais de projeto, reduzindo ou evitando alterações posteriores que apresentam custos mais significativos”, destacando a sua relevância para as indústrias dos moldes e plásticos.

Uma vez que as indústrias de pequena e média dimensão não “dispõem de recursos informáticos avançados para realizar este tipo de cálculos complexos, a utilização de HPC pode fornecer às PMEs ferramentas essenciais para resolver problemas complexos», enfatiza o responsável.

Em linha com o diretor-geral do CENTIMFE, Pedro Vieira Alberto, diretor do Laboratório de Computação Avançada da UC, afirma que o projeto “comprova que o uso da computação de alto desempenho traz grandes benefícios para a indústria nacional, tornando-a mais competitiva”.

Além disso, a supercomputação permite criar “competências na área em Portugal, uma vez que, atualmente, para efetuar este tipo de cálculos sofisticados, a indústria tem de recorrer a empresas estrangeiras”, indica Pedro Vieira Alberto.

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