As constantes fundamentais do Universo são vitais para a compreensão do seu funcionamento, mas não se sabe porque é que têm o valor que têm, se tiveram sempre o mesmo valor ao longo da História do Universo ou se variam de local para local. São estas as respostas que procura uma equipa internacional, que conta com a participação de vários investigadores do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IAstro).

A equipa usou o espectrógrafo ESPRESSO, para medir com alta resolução a constante de estrutura fina, ou alfa (?). Instalado no Observatório do Paranal do ESO, o ESPRESSO alia a sua estabilidade única ao incrível poder coletor do Very Large Telescope (VLT). Os resultados foram publicados recentemente na revista Astonomy & Astrophysics.

Algumas teorias, que vão além do modelo standard, sugerem que a constante de estrutura fina pode variar com o tempo ou o espaço, refere Carlos Martins coautor do artigo e investigador responsável pelo projeto CosmoESPRESSO do IAstro, numa nota enviada às redações. “Por isso nas últimas décadas foram feitas centenas de medições de ?, algumas das quais que pareciam indicar que, ao longo dos milhares de milhões de anos do Universo, esta teria variado em cerca de 10 partes por milhão”, explica. “No entanto, não se sabia se essas variações eram apenas resultado da limitada resolução dos instrumentos usados”.

Verificar se estas constantes são, de facto, verdadeiramente constantes, são um verdadeiro teste aos fundamentos da física atual, mas era necessário fazer medições com instrumentos de alta precisão, como o ESPRESSO.

A equipa usou este espectrógrafo para medir ?, que depende da carga do eletrão (e), da constante de Planck (h) e da velocidade da luz (c), e por isso pode ser usado como medida da força eletromagnética, uma das quatro forças fundamentais do Universo. Ao observar a luz de um quasar distante, que atravessou uma nebulosa de absorção na nossa linha de visão, a equipa descobriu que, há 8,4 mil milhões de anos, a força eletromagnética nessa nebulosa era a mesma que hoje se mede na Terra.

O ESPRESSO é um espectrógrafo “super-estável”, montado numa câmara de vácuo, num laboratório isolado, debaixo dos quatro telescópios do VLT, aponta Paolo Molaro, o coordenador deste projeto. “O espectro do nosso quasar também foi calibrado com a ‘régua de cor’ do ESPRESSO - um pente laser de frequências que nos permite saber, com muito mais precisão do até aqui, o comprimento de onda da luz em qualquer ponto do espectro”. Isto permitiu à equipa medir a constante de estrutura fina com uma precisão de 1,3 partes por milhão, a mais exata medição de ? alguma vez feita.

“Enquanto físicos, queremos sempre descobrir algo que não é explicável pelo conhecimento atual, porque temos de aprender algo de novo. Neste caso, queremos descobrir se alfa varia ou não. Se variar, irá moldar a física das próximas décadas”, afirma Carlos Martins.

Mas estes limites superiores mais rígidos também ajudam a compreender melhor um dos maiores mistérios da cosmologia moderna: o que é a Energia Escura, um dos objetivos da equipa CosmoESPRESSO.

Os resultados, que servem agora de base para medições com os instrumentos da próxima geração, como o espectrógrafo HIRES, que será montado no Extremely large Telescope (ELT) do ESO, demonstram que a precisão dos dados está apenas limitada pela quantidade de luz que se consegue coletar - algo que vai aumentar consideravelmente com o espelho modular de 39,3 metros do ELT.

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