Reconhecida como um sector dinâmico em termos de investigação e na ligação à educação em ciência, a Robótica em Portugal tem um potencial de desenvolvimento que a Sociedade Portuguesa de Robótica quer estimular, identificando competências e ajudando a criar oportunidades. Uma informação que poderá no futuro ser transformada num plano mobilizador com objectivos económicos.

“Nos últimos anos Portugal ganhou enormes competências com desenvolvimentos a nível da qualidade e da quantidade da Investigação e Desenvolvimento em Robótica”, sublinhou Pedro Lima, presidente da Sociedade Portuguesa de Robótica (SPR), mas “falta uma estratégia integrada para o sector a nível nacional”.

A ideia foi transmitida na conferência organizada a par das 4as Jornadas de Inovação, que decorreram nos últimos dias na FIL, onde a SPR tentou reunir elementos da comunidade para discutir os temas mais relevantes que podem contribuir para a o Livro Branco que está a ser preparado e que se destina também às empresas com vista à criação de resultados económicos.

A robótica tem também um peso significativo na exposição das Jornadas, ocupando uma área extensa onde são mostrados projectos de empresas e universidades, e que acaba por atrair muito público. O CHICO, o robot humanóide do projecto RobotCub que está a ser desenvolvido no Instituto de Sistemas e Robótica do IST, é um dos que mais audiência captou durante as jornadas.

A iniciativa do Livro Branco, que está em desenvolvimento, deverá materializar-se num documento que tem o nome de “Robótica no Mapa”, mas Pedro Lima não quer arriscar nenhuma data para a sua concretização.

Para já estão identificadas oito áreas focais de desenvolvimento da robótica, para as quais são apontados os pontos positivos mas também os negativos, e as falhas que têm de ser colmatadas.

Dos sistemas avançados de produção, aos cuidados de saúde e qualidade de visa, passando pela robótica em rede e casas inteligentes, a análise dos vários sectores mostra que os desenvolvimentos existem a nível tecnológico por vezes também no interesse das empresas, assim como a capacidade de desenvolvimento de produtos em casos específicos. Mas as falhas estão muitas vezes na falta de interacção entre as entidades, assim como na aposta das empresas.

“Muitas grandes empresas nacionais compra tecnologia chave na mão fora do país em vez de estimularem o desenvolvimento nacional”, critica Pedro Lima, apesar de admitir que este problema não é exclusivo deste sector.

Jorge Manuel Miranda Dias, do Instituto Pedro Nunes, alinha pela mesma ideia. “A investigação tem uma capacidade disruptiva e infelizmente não existem as empresas para aproveitar essa capacidade”, sublinha. “Neste momento é preciso fazer capitalização do conhecimento que existe na Universidade criar criar mecanismos para criar oportunidades económicas”, adianta. O vice-presidente do Instituto propõe por isso que depois do Livro Branco se transforme esta informação num plano mobilizador do potencial nacional com objectivos económicos.

Embora reconhecendo o potencial que existe e as oportunidades económicas do sector, porque “o mercado é enorme”, Paulo Monteiro da ABB Robótica avisa porém que há muito caminho a percorrer e que falta garantir a fiabilidade e segurança, o que se conseguiu na robótica industrial pelo isolamento dos elementos. “Quem começar e conseguir ultrapassar estas questões vai ter garantidamente uma posição muito importante neste mercado”, mas é preciso investir.

Fátima Caçador

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