Os progressos feitos pela Rede Nacional de Computação Avançada (RNCA), assim como os desafios que tem vindo a enfrentar, estiveram em destaque num webinar no Encontro com a Ciência e Tecnologia em Portugal, onde o Programa INCoDe.2030 marcou presença.

Nuno Feixa Rodrigues, Coordenador Geral do INCoDe.2030, que fez um breve ponto de situação da aplicação da Estratégia Nacional de Computação Avançada, deu a conhecer que os objetivos apresentados no ano anterior ainda se mantêm.

Recorde-se que, entre eles está o desenvolvimento de uma economia de serviços de computação avançada próspera, que seja capaz de envolver a Academia, a Indústria, as PMEs e o Sector Público. A estratégia quer também que Portugal assuma uma posição de fornecedor destacado de Software e Serviços de Computação Avançada e que o país seja uma referência em educação e formação na área.

O responsável indicou que se tem vindo a aumentar significativamente a utilização, assim como a capacidade dos supercomputadores que fazem parte da RNCA, fazendo referência ao Oblivion da High Performance Computing da Universidade de Évora, uma das máquinas mais recentes, assim como ao Deucalion, que vai fazer companhia ao BOB no Minho Advanced Computing Centre (MACC).

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O Coordenador Geral do INCoDe.2030 enfatizou também a primeira edição do Concurso de Projetos de Computação Avançada, cujos resultados preliminares superaram as expetativas, tendo sido recebidas 133 candidaturas de diferentes áreas científicas e instituições.

O desenvolvimento de ferramentas que permitam uma gestão o mais otimizada possível das máquinas que fazem parte dos quatro centros de computação avançada em Portugal é uma prioridade, que se traduz na participação no projeto BigHPC.

Passado, presente e futuro dos quatro centros da RNCA

A Infraestrutura Nacional de Computação Distribuida (INCD), em Lisboa, é a “casa” dos supercomputadores Stratus e Cirrus, que os opera desde 2017. Jorge Gomes, Diretor do INCD, explicou que têm vindo a ser desenvolvidos múltiplos projetos, seja a nível nacional, em cooperação com os restantes centros de computação avançada, assim como a nível ibérico e europeu, com a IBERGID, a EOSC ou a EUDAT.

Já Pedro Alberto, Coordenador do Laboratório de Computação Avançada da Universidade de Coimbra que opera o supercomputador Navigator, deu a conhecer que, em termos internacionais, o centro participa desde o início na estrutura do PRACE (Partnership for Advanced Computing in Europe). O centro está também a participar no RISC2, um projeto de coordenação de computação avançada entre a Europa e América Latina.

O responsável revelou que este ano, no Navigator, foram utilizadas aproximadamente 8 milhões de horas-core. Ao todo, existem 35 projetos científicos registados, principalmente em áreas como ciências, engenharia, física e matemática aplicada, contando também com mais de 80 utilizadores registados.

Para Pedro Alberto, uma das preocupações para o futuro da RNCA é assegurar a sustentabilidade dos seus centros operacionais, em particular dos seus recursos humanos altamente especializados.

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De acordo com Rui Oliveira, Coordenador do MAAC, os objetivos do centro localizado no Minho coincidem grandemente com os dos outros centros: suportar a investigação em todo o tipo de computação avançada e transferir a investigação que é feita para empresas, sejam nacionais ou internacionais. “Tudo está pensado para apoiar e responder às necessidades da comunidade de investigação em Portugal”, sublinhou o Coordenador.

Já Miguel Avillez, responsável do centro de High Performance Computing da Universidade de Évora que opera o Oblivion, explicou que, embora a máquina altamente direcionada para o tratamento de dados, simulações numéricas e software refactoring tenha começado a ser utilizada há relativamente pouco tempo, já conseguiu levar a cabo vários projetos de investigação, que se traduziram na publicação de dois estudos.

Em linha com Pedro Alberto, o responsável destaca a importância dos recursos humanos, indicando que o consórcio formado pelas universidades de Évora, Algarve, Coimbra e Nova de Lisboa estão a tomar medidas para criar condições para a formação de indivíduos que não têm experiência na área.

Os desafios da confidencialidade e das lacunas de know-how

A sessão ficou também marcada por um debate onde quatro utilizadores de recursos de computação avançada deram a conhecer as suas experiências na primeira pessoa, como Carlos Rodrigues, engenheiro da Vestas, que participou num conjunto de testes de simulação de escoamento meteorológico no MAAC.

Embora reconheça as potencialidades, o engenheiro afirma que existem algumas preocupações a nível de confidencialidade dos dados e dos resultados obtidos em testes com a migração de alguns dos processos da empresa para um centro de computação avançada.

Já Marija Vranic, investigadora do Instituto Superior Técnico, trabalha na área de física de plasmas e é uma grande utilizadora de recursos de computação avançada desde 2019. Para Marija Vranic, que sublinha a necessidade de existiram máquinas de diferentes níveis, a computação avançada é essencial em situações em que é impossível utilizar um laboratório, possibilitando a realização de simulações com tecnologias que ainda não foram desenvolvidas.

Apesar de a Frezite, especializada no desenvolvimento de hardware para veículos ou equipamentos espaciais, não ser uma grande utilizadora, Miguel Santos, reconhece todo o potencial da computação avançada para a empresa.

Na área das energias renováveis em plataformas marinhas, Guilherme Vaz, Chief Strategy Officer da WavEC-Offshore Renewables, afirma que a empresa utiliza recursos de computação avançada todos os dias. Para o responsável, com experiência na utilização de supercomputadores em países como Holanda, Alemanha e Estados Unidos, um dos grandes desafios em Portugal é mesmo a área do know-how, enfatizando as lacunas que por exemplo existem a nível de administradores de sistemas.

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