O Campus de Azurém, da Universidade do Minho, em Guimarães, foi o palco da sessão Advanced Computing Portugal 2030, organizada pelo Programa Portugal INCoDe.2030, onde o progresso feito a nível de computação avançada no país, assim como as necessidades da comunidade científica e tecnológica, estiveram em destaque.

Segundo Rui Vieira da Castro, Reitor da Universidade do Minho, o desenvolvimento de novas linhas de pesquisa através do BOB, o primeiro supercomputador português instalado no Minho Advanced Computing Centre (MACC), assim como do novo Deucalion, são um grande contributo para a comunidade científica portuguesa, permitindo que o país avance no seu processo de transição digital.

Já Manuel Heitor, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, presente via videoconferência, destacou a importância do aceleramento em matéria de computação avançada, lembrando também a necessidade de planeamento de toda a estratégia portuguesa, tendo em conta as parcerias realizadas na Europa e nos Estados Unidos.

A “computação avançada é formada por pessoas”, afirmou o Ministro, sublinhando que um dos desafios da área é mobilizar o setor privado para a utilização destas tecnologias e do aproveitamento das suas oportunidades.

Qual é a visão de Portugal para os próximos 10 anos? Rui Oliveira, investigador do instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) e diretor do MACC, explicou que a Estratégia Nacional de Computação Avançada assenta em quatro pilares.

Entre eles está o desenvolvimento de uma economia de serviços de computação avançada próspera, que seja capaz de envolver a Academia, a Indústria, as PMEs e o Sector Público. A estratégia quer também que Portugal assuma uma posição de fornecedor destacado de Software e Serviços de Computação Avançada e que o país seja uma referência em educação e formação na área.

Em Portugal, existem, ao todo, quatro centros de operações de computação avançada localizados no Minho (MACC), em Coimbra (Laboratório de Computação Avançada da Universidade de Coimbra – LAC-UC), em Lisboa (Infraestrutura Nacional de Computação Distribuída – INCD), e em Évora (High Performance Computing da Universidade de Évora - HPC-EU).

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Em breve, o MACC prepara-se para receber o Deucalion, numa decisão que surgiu como parte do reforço da rede EuroHPC. Recorde-se que em novembro de 2019, os representantes dos oito locais escolhidos pela rede para alojar os primeiros supercomputadores na Europa assinaram um acordo para o processo de aquisição, instalação e manutenção de novos equipamentos.

Arquitetura do supercomputador Deucalion

A composição do Deucalion divide-se em dois clusters, um deles com uma arquitetura ARM, a mesma que está no supercomputador Fugaku, considerado em junho deste ano como o sistema de computação avançada mais rápido do mundo. O supercomputador que vai passar a fazer companhia ao BOB e que se espera que esteja operacional a partir de 2021, tem capacidade para executar, pelo menos, 10 Petaflops, o equivalente a 10 mil biliões de operações por segundo.

Uma visão europeia de desenvolvimento conjunto

De acordo com Khalil Rouhana, diretor-Geral Adjunto da DG Connect da Comissão Europeia, os esforços na área da computação avançada têm vindo a intensificar-se desde 2017, com a assinatura da Declaração de Roma. Graças a todos os investimentos que estão a ser feitos na rede EuroHPC, espera-se que a Europa consiga tornar-se numa região líder em computação avançada, sendo que o Deucalion é uma das máquinas de destaque.

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O responsável indicou que a pandemia nos demonstrou o quão importante é a utilização de supercomputadores para lidar com problemas que afetam a sociedade. Por exemplo, através do projeto Exscalate4CoV, três centros de supercomputadores em Itália, Espanha e Alemanha, em parceria com uma empresa farmacêutica e a vários institutos de biologia e bioquímica, conseguiram descobrir que um medicamento que poderá ajudar a tratar pacientes com casos menos graves de COVID-19.

Para Khalil Rouhana, a computação avançada abre múltiplas oportunidades, seja a nível da Saúde, como do Ambiente e a tecnologia poderá ser utilizada para perceber o impacto das atividades económicas no nosso planeta e para encontrar soluções que possam mitigar as consequências das alterações climáticas.

A computação avançada é um “pilar essencial para a transformação digital da Europa”, afirmou o responsável, destacando o contributo português na área. “O Deucalion é um exemplo de como podemos criar um ecossistema dinâmico em torno da computação avançada”. “Estamos no bom caminho e, juntos, conseguiremos cumprir os objetivos ambiciosos”.

Ao terminar a sessão, depois de um breve debate que contou com a participação de quatro investigadoras das universidades portuguesas que acolhem os centros computação avançada, Manuel Heitor ressaltou que “há uma comunidade crescente em Portugal, não há qualquer sombra de dúvida que o dinamismo desenvolvido nos últimos anos é muito importante”.

O Ministro sublinhou também que o futuro da computação avançada no país passará cada vez mais por um movimento crescente de sustentabilidade, motivo pelo qual a instalação do Deucalion no Avepark em Guimarães terá em mente a redução da pegada ecológica do supercomputador através da integração de energias renováveis.

Manuel Heitor deixou por fim o desafio reunir no próximo encontro de computação avançada, a ocorrer possivelmente em maio ou junho do próximo ano, os representantes das novas 8 máquinas da rede EuroHPC, servindo de base a um workshop onde se discutirão os padrões de evolução da área na Europa.

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