Foram divulgados os resultados do estudo Energy-efficient Cloud Computing Technologies and Policies for an Eco-friendly Cloud Market, uma pesquisa europeia que reuniu dados de várias fontes, apurou números e integrou um conjunto de recomendações a considerar em próximas iniciativas legislativas europeias na área da eficiência energética.

Os dados mostram que o consumo energético continuará a ser um dos grandes desafios por resolver numa economia cada vez mais digital e cada vez mais apoiada em grandes centros de dados, onde os ganhos de eficiência que se vão conseguindo, rapidamente são anulados pelo crescimento constante das necessidades de processamento de informação.

Os números apurados pela Comissão Europeia mostram que em 2030 os centros de dados serão já responsáveis por 3,21% das necessidades de energia elétrica na UE. Na mesma altura, o consumo de eletricidade nestes espaços rondará os 98,52 TWh (terawatts/hora), mais 28% que no ano de referência aqui considerado para os dados atuais (2018).

O estudo europeu admite que os dados disponíveis na região sobre o consumo de eletricidade nos data centers são poucos e os que existem apontam para resultados diferentes. Também sublinha que a mesma falta de informação se coloca relativamente ao impacto do cloud computing e do seu crescimento nas necessidades energéticas desses espaços.

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Tecnologia pode contribuir para inverter tendências

Ainda assim, sublinha-se que se todos os recursos e tecnologias forem usados para dar eficiência a estas operações, sobretudo no domínio do cloud computing, em 2025 os data centers europeus poderão voltar aos níveis de consumo de energia de 2010 (53.9 TWh/a). Para já, sabe-se que os data centers de cloud computing absorviam 10% do consumo energético de todos os centros de dados da região, em 2010, em 2018 35% e em 2025 espera-se que representem 60%.

A pesquisa mostra ainda que é no norte da Europa e a Ocidente que a capacidade instalada é maior e que as duas regiões foram responsáveis por 82% do consumo de eletricidade na UE, gerado em centros de dados.

Nos próximos anos não se espera que esta distribuição se altere significativamente e, em 2025, a expectativa é que Norte e Ocidente representam 87% das necessidades energéticas dos data centers da UE. A maior parte deste crescimento (48%) vai acontecer no Norte da Europa.

O que pode ser feito para inverter tendências? 

Além de tirar a fotografia à situação atual, a pesquisa elenca um conjunto de recomendações, que como aqui se sublinha, ainda precisam de ser aprofundadas para poder vir a servir de indicação para novas políticas. Para já, apontam algumas ideias.

Promover a transparência de requisitos e uniformizar indicadores de eficiência energética: o estudo defende que é necessário uniformizar KPIs para a eficiência energética das aplicações cloud (e que estes devem ir além das emissões de CO2), de modo a que todos os atores falem a mesma língua e seja possível avaliar a realidade.

Os autores do estudo pedem ainda que seja promovida a utilização das ferramentas nativas de otimização, automatização e orquestração que o cloud computing já potencia, para uma gestão de ambientes na nuvem ao serviço dos objetivos de eficiência energética. Destaca-se a propósito que os projetos de investigação podem ter aqui um papel crucial, a preparar e direcionar este tipo de recursos para os propósitos que se deseja, nomeadamente criando guidlines.

Exemplo português de boa prática vem de Coimbra 

Apoiar a inovação tecnológica em componentes específicas do desenvolvimento cloud também é visto como essencial e defende-se que isso deve ser feito ao nível da formação e sensibilização de quem cria o software para integrar de raiz requisitos de funcionamento mais amigos do ambiente.

Os promotores do estudo acreditam que a investigação europeia pode também ser um instrumento para ajudar a apurar insights que possam alinhar critérios para uma utilização mais proveitosa do cloud computing pelas PME, que ainda tiram menos partido destas tecnologias.

O estudo identifica ainda um conjunto de boas práticas na região. De Portugal menciona-se o exemplo do Laboratório de Computação Avançada da Universidade de Coimbra onde foi instalado um sistema que usa o ar do exterior para arrefecer o Laboratório, quando a temperatura no interior é mais elevada que a exterior. Quando o sistema é ativado a alternativa elétrica fica em stand by e com isso é possível obter poupanças anuais de 90 MWh.

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