Usar o pacote de ferramentas que inclui aplicações como o Word, o Excel, o Outlook ou o serviço de armazenamento na cloud OneDrive, nas escolas da região passou a ser ilegal. A decisão foi do regulador local da proteção de dados, que considera não haver forma de garantir a privacidade dos dados geridos pela Microsoft e guardados nos servidores da empresa nos Estados Unidos.

O regulador alemão avaliou o caso à luz dos princípios do novo Regulamento Geral da Protecção de Dados, em vigor na União Europeia, e das apertadas regras de controlo de todo o tipo de informação a que as empresas norte-americanas estão sujeitas no seu país.

A notícia é avançada pela Zdnet, que recorda a recorrência do tema. Há muito que os alemães questionam a dependência do software da Microsoft, sobretudo em serviços públicos, e as preocupações são sempre as mesmas: a forma de tratamento dos seus dados pessoais.

Para contornar a questão, a Microsoft chegou a investir num data center local, que permitisse manter na Alemanha os dados gerados na Alemanha e em 2017 as escolas de Hesse tiveram luz verde para usar o Offiice 365, que assenta numa plataforma cloud suportada nos servidores da Microsoft.

Em 2018, a fabricante decidiu desativar a estrutura e o tema voltou à baila, agora com um enquadramento regulatório ainda mais apertado a servir de base a qualquer análise sobre o tema.

A decisão do regulador alemão indica que usar a plataforma cloud da Microsoft é estar a expor informação pessoal de estudantes e professores “a um possível acesso por parte das entidades oficiais norte-americanas”.

Entre as preocupações do organismo alemão está o sistema de telemetria do Office 365, que recolhe e compila sistematicamente um conjunto alargado de dados de quem usa o sistema, segundo apurou uma investigação holandesa no ano passado.

Podem incluir-se neste leque, simples dados de diagnóstico do software ou conteúdos que estejam dentro das aplicações, como assuntos de mensagens ou frases de documentos, denunciou na altura o regulador da proteção de dados holandês.

A Microsoft já reagiu. Disse que está a trabalhar com as autoridades locais e lembrou que colocou o Estado norte-americano em tribunal para salvaguardar a privacidade dos seus clientes. Também sublinhou que os administradores de escolas e outros espaços de trabalho podem limitar a informação que enviam de volta para a Microsoft mas, como sublinha a ZDnet, não podem desligá-la.

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