A Polícia Judiciária, através da sua Unidade Nacional de Combate à Cibercriminalidade e Criminalidade Tecnológica (UNC3T), participou em duas operações internacionais, de âmbito europeu, coordenadas pela Europol. As investigações estiveram relacionadas com os meios de pagamentos eletrónicos, com enfoque no e-commerce e Global Airport Action Days (GAAD).

Carlos Cabreiro, diretor da UNC3T, comunicou hoje aos jornalistas alguns detalhes e dados estatísticos, assim como tendências para este tipo de criminalidade.

A operação ligada ao e-commerce foi realizada entre 4 a 15 de junho, em colaboração com 28 países, envolvendo a ajuda de entidades bancárias. No caso de Portugal, a UNICRE e a SIBS participaram na investigação com a PJ, centrado nos cartões de crédito utilizados nas transações, assim como a logística das associações criminosas.

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Carlos Cabreiro, diretor da UNC3T, departamento da Polícia Judiciária.

Carlos Cabreiro refere que em Portugal foram tratados três casos, originando seis detenções com prisão preventiva, sendo formados sete arguidos. Foram apreendidos 205 mil euros em materiais, 12 mil euros em dinheiro, documentos falsos e veículos, assim como 700 cartões de crédito ainda por utilizar. No cenário europeu, os suspeitos presos foram responsáveis por mais de 20 mil transações fraudulentas comprometendo cartões de crédito, num valor estimado de 8 milhões de euros.

O diretor da UNC3T realça a complexidade dos sistemas utilizados e o grande número de situações de fraude, o que exigiu da Polícia Judiciária e os agentes envolvidos um foco diferenciado e uma cooperação internacional, sobretudo na recolha de provas informáticas forenses. Foi ainda destacada a facilidade com os criminosos praticam os cibercrimes, bastando um simples smartphone ou tablet, o que torna ainda mais complexas as operações. As investigações centraram-se ainda sobre malware, ransomware e sistemas de phishing cada vez mais sofisticados.

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Relativamente às operações da GAAD, que decorreram entre os dias 18 a 22 de junho, 61 países coordenaram-se com 69 companhias aéreas, seis agências online de viagens e entidades de pagamentos com cartões de crédito. O objetivo era apanhar criminosos a viajar com bilhetes de avião comprados com cartões de crédito roubados ou falsos, sendo detetados ao todo 334 transações suspeitas.

As investigações tinham ainda como objetivo apanhar situações de imigração ilegal, tráfico de pessoas, droga e até terrorismo. Também os chamados “money mules”, pessoas que carregam quantias elevadas de dinheiro nas viagens, foram investigados. Através da compra de bilhetes com identificações falsas os criminosos e terroristas deslocam-se facilmente entre os países, salienta a PJ.

Em Portugal, Carlos Cabreiro mencionou que a TAP e outros operadores de voo participaram na investigação GAAD, assim como os aeroportos de Lisboa e Faro, originando três arguidos.

Um crime de dimensões cada vez maiores

A Polícia Judiciária apresentou alguns dados relativos ao cibercrime compreendidos entre 2015 e 2018. As fraudes, que incluem as burlas informáticas registaram um pique em 2016, com 9.510 casos, descendo para 7.326 em 2017. Em 2018 foram já registadas 3.268 situações de burla. As fraudes registam uma média anual de 8.841 casos. Crimes como intrusões, nomeadamente o aceso ilegítimo de contas, tiveram um aumento de 649 casos em 2015 para 859 em 2017, mas a PJ projeta para 2018 um decréscimo para 606 crimes. A média anual é de 1.120 casos.

No âmbito da criminalidade sexual com menores, a pornografia infantil é a que regista uma média anual mais elevada, com 318 casos, seguindo-se o abuso de criança com 56 casos em média. No geral, os crimes sexuais com menores apresentam uma média anual de 413 casos. No final da tabela dos crimes informáticos pode-se encontrar casos de honra e privacidade com média de 310 casos por ano, ao passo que as irregularidades contra a liberdade e a propriedade intelectual não ultrapassam os dois dígitos.

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A PJ explica que existem ferramentas específicas e personalizadas para a prática de crimes informáticos, sobretudo na apropriação de dados dos utilizadores online. Desta forma, deixa o alerta aos clientes dos serviços online a precaverem-se e defenderem-se dos crimes informáticos.

Nomeadamente algumas regras de ouro, tais como fazer apenas compras em lojas online certificadas e sempre que possível utilizar cartões de crédito nos pagamentos, devido às suas fortes políticas de proteção aos clientes. Verifique ainda se os endereços online começam por https e se este tem um símbolo de cadeado, que significa uma navegação segura. Além disso, guarde os documentos das transações para provar que pagou os bens adquiridos. Por fim, garanta que o dispositivo utilizado nas transações seja seguro.

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