Um centro de pesquisa sobre política tecnológica da Universidade de George Washington, nos Estados Unidos, está a promover a criação de uma versão padronizada do Linux que possa ser adoptada pelo governo federal norte-americano, informou a C|NET.



De acordo com esta publicação online, o Cyberspace Policy Institute ofereceu-se para "funcionar como um repositório central para uma versão certificada pelo governo federal do sistema operativo open-source e para fazer avançar o processo de certificação, permitindo desta forma que o Linux seja utilizada em aplicações confidenciais das autoridades norte-americanas.



O sistema operativo deverá ser certificado no âmbito da Common Criteria, uma tecnologia de classificação de padrões exigida pelos Estados Unidos e outros países antes que os produtos possam ser vendidos em aplicações confidenciais do governo.



Se esta iniciativa for bem sucedida, irá levar à criação de uma única versão padronizada do Linux aceitável pelo governo dos EUA, facilitando desta forma a concorrência das produtoras de software Linux contra a Microsoft e outras grandes companhias da indústria. O processo de certificação poderá custar entre 100 mil a milhões de dólares e demora cinco anos. A Microsoft está prestes a concluir a certificação do Windows 2000.



Segundo os analistas do Cyberspace Policy Institute, o processo de certificação do Linux deverá ser administrado por apenas uma única agência, porque de outro modo somente algumas companhias serão capazes de oferecer produtos e a comunidade open-source não irá beneficiar do esforço.



A iniciativa irá também acrescentar os Estados Unidos a uma lista de governos federais que apoiam o software open-source ao oferecerem uma segunda opção, para além dos programas da Microsoft, às agências governamentais na escolha do software a adoptar.



Recentemente, o governo britânico confirmou que iria considerar a disponibilização de alternativas de software open-source à aquisição de produtos da Microsoft. Em Junho, o governo alemão assinou um acordo com a IBM e a produtora de software Linux SuSE para oferecer uma alternativa open-source aos sistemas operativos da empresa de Bill Gates. A China e a Formosa também já anunciaram iniciativas para adoptar o Linux.



Uma das primeiras iniciativas que comprovou o forte apoio no seio do governo dos EUA ao sistema operativo open-source foi o lançamento em início de 2001 da distribuição Security-Enhanced Linux por parte da National Security Agency (NSA). A SE-Linux acrescenta melhorias de arquitectura do tipo militar à plataforma, sendo uma das mais importantes no campo da segurança os Mandatory Access Controls (MACs), baseados numa tecnologia desenvolvida pela Secure Computing.



O Cyberspace Policy Institute pretende também acrescentar funcionalidades de administração e autenticação ao sistema operativo. Estas tecnologias fazem com que os computadores se tornem muito menos susceptíveis a ataques.



Contudo, o processo de certificação do Linux não irá ser fácil. Em primeiro lugar, porque a co-produtora da SE Linux Secure Computing indicou que planeia fazer valer as patentes que recebeu relativas à tecnologia de controlo de acesso.



Por outro lado, o processo Common Criteria, organizado pela NSA e pelo National Institute of Standards and Technology (NIST), no âmbito da National Information Assurance Partnership (NIAP), é mais adequado para certificar software proprietário criado por uma única companhia, sendo pouco indicado para lidar com as múltiplas actualizações que a comunidade open-source produz regularmente.



As certificações de Common Criteria da NIAP vão desde o nível 1 de Evaluation Assurance (EAL), o mais baixo, até ao EAL 7, o mais elevado. Os primeiros quatro níveis podem ser obtidos através de laboratórios comerciais, mas os níveis 5 ao 7 exigem certificação pela própria NSA. Dado ser a primeira vez em que o Linux toma parte deste processo, o Instituto espera apenas obter o EAL 2.


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