Os investigadores Adalberto Dias de Carvalho e Nuno Fadigas, do ORE, decidiram avaliar a evolução do manual escolar entre 1975 e 2014, tendo chegado a diversas conclusões, entre as quais a importância da tecnologia para o manual escolar.

“Os manuais escolares foram sempre acompanhando a evolução tecnológica, não só no que se refere ao domínio das artes gráficas, mas também das tecnologias da informação e da comunicação, designadamente através da progressiva incorporação destas novas “linguagens” nos projetos finais – do VHS ao CD e DVD-ROM, até às mais recentes plataformas da Internet”, pode ler-se no resumo da investigação.

O estudo - que pode ser consultado na íntegra neste link - fala nos casos em que o livro é complementado por versões digitais. “Considera-se, assim, ser um projeto, dado também o seu carácter calculadamente inacabado, ou aberto, ao desmultiplicar-se, muitas vezes, em sítios e blogues específicos que, sendo parte do projeto/manual escolar, igualmente o continuam: trata-se de uma remissão do que nele se afirma para estas fontes que, sendo ‘externas’, lhe são ‘internas’, acabando por propiciar e prolongar uma atualização e uma reflexão permanentes”, defendem.

Adalberto Dias de Carvalho e Nuno Fadigas dizem que os alunos portugueses estão em pé de igualdade com os alunos dos países mais avançados da Europa no que diz respeito à qualidade dos manuais escolares. E exemplificam:

“Tal aspeto é facilmente verificável em História – com o aumento do uso de mapas, esquemas sintetizadores e barras cronológicas – e nas Ciências Naturais – com o recurso a um número crescente de imagens que combinam fotografia real e ilustração, com uma qualidade gráfica só possível com o recurso a ferramentas digitais –, mas também na Língua Portuguesa”.

E isto é possível pelo grande investimento que tem sido feito. Os dois membros do Observatório salientam que “curiosamente, os custos de produção dos materiais digitais são significativamente superiores aos dos livros impressos de que derivam”. Mas o resultado acaba por ser “mais motivador e consentâneo” para os alunos durante o processo de aprendizagem.

A realização do estudo teve por base, como amostra, os manuais escolares do 8.º ano de escolaridade para as disciplinas de História, Ciências Naturais e Português, através do arquivo do Grupo Porto Editora.