O excesso de trabalho é um fenómeno preocupante no Japão. Naquele país, as horas extraordinárias prolongam-se para além do razoável e as mortes derivadas das complicações que surgem deste sobreesforço são tão frequentes que os japoneses inventaram uma palavra para o designar ainda na década de 70.

Karoshi, que em português significa "morte por excesso de trabalho", é um traço comum do trabalhador nipónico, que nasceu da lógica laboral aplicada por Shigeru Yoshida no pós-Segunda Guerra Mundial, quando o primeiro-ministro designou a reconstrução da economia japonesa como a sua primeira prioridade. Para concretizar este objetivo, o responsável prometeu contratos seguros, com durações vitalícias, mas um senão que se tornou numa causa de morte impactante para a vida dos japoneses: a lealdade desmedida aos patrões, às empresas, ao trabalho, mas, sobretudo, à pátria.

tek drone

A Taisei e a NTT querem acabar com este fenómeno. Para isso, as empresas desenvolveram um sistema de drones que patrulha grandes infraestruturas empresariais notificando os empregados de que é hora de ir para casa através da reprodução da musica Auld Lang Syne. Esta faixa é conhecida no país por tocar nos centros comerciais para indicar o fecho das lojas.

O trajeto dos drones tem de ser pré-determinado e a empresa garante que o equipamento será capaz de gravar o percurso para identificar os colaboradores que insistirem em ficar várias horas após o fim do turno.

"Não é possível continuar a trabalhar assim que começamos a pensar 'ok, ele vai aparecer a qualquer hora'", disse, em conversa com o The Japan Times, Norihiro Kato, diretor da Taisei.

O sistema vai começar a ser testado no próximo mês de abril e a empresa adianta que terá uma mensalidade de 450 dólares.

Note que um em cada cinco japoneses trabalha uma média de 49 (ou mais) horas por semana, o que perfaz cerca de 9,8 horas por cada dia útil. A maioria das vitimas de karoshi tem entre 30 e 50 anos.

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