Com a chegada do novo ano letivo, que decorre de 10 e 16 de setembro para mais de um milhão de estudantes, uma das grandes preocupações continua a ser a obsolescência da vasta maioria do material informático presente das escolas portuguesas. Tal como afirma Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Diretores Escolares, em declarações à TSF, grande parte dos equipamentos tem já mais de uma década.

Em 2008, o Plano Tecnológico da Educação, levado a cabo pelo governo liderado por José Sócrates, prometia transformar tecnologicamente as instituições de ensino, através do projeto e-Escola e e-Escolinha, com computadores portáteis e os famosos Magalhães. O investimento de 400 milhões de euros tinha como objetivo ter “escolas do futuro”, as quais teriam, por exemplo, uma impressora, um videoprojector, um computador com ligação à internet em cada sala de aula e um quadro interativo por cada duas salas.

Mais de dez anos depois da introdução de 500 mil computadores nas escolas portuguesas, as promessas de avanço tecnológico nas salas de aula não foram totalmente cumpridas. De acordo com um relatório da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), em 2019, além de o número de computadores por aluno ser limitado e de a maioria dos materiais informáticos ainda não ter acesso à Internet, os equipamentos estão desatualizados.

Plano Tecnológico da Educação: dez anos depois como estão as escolas do futuro?
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“A maior parte das escolas receberam entre 2007 e 2009 material informático novo e em quantidade necessária, mas a verdade é que daí para cá não houve atualização, não houve substituição", afirmou Manuel Pereira à TSF, acrescentando que os orçamentos das instituições de ensino não permitiram fazer melhorias quer a nível de software, quer no que toca a hardware.

O presidente da Associação Nacional de Diretores Escolares espera que, nos próximos anos, o Governo tome medidas sustentáveis para melhorar a situação, dando às escolas a possibilidade de “comprar e atualizar o material, em termos de orçamento próprio”, ou, então, tomando a iniciativa própria e “fornecer às escolas material novo e, a seguir, dar-lhes, em termos de orçamentação anual, a possibilidade de substituir material que se vai degradando".

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