Quando o Mixer assinou contratos milionários com estrelas do streaming como Ninja e Shroud, “roubando-os” à sua rival Twitch, parecia uma aposta a longo prazo da plataforma de gaming da divisão Xbox da Microsoft. A gigante tecnológica vem agora anunciar que vai descontinuar a plataforma já no próximo dia 22 de julho, e para ninguém ficar “desamparado”, os criadores e comunidade serão encaminhados para o Facebook Gaming.

Em comunicado no blog da Xbox, Phil Spencer refere que os jogadores estão no centro da sua experiência de gaming, e por isso a sua prioridade é agora criar conteúdo através dos seus 15 estúdios internos, a evolução do serviço Xbox Game Pass e claro, o lançamento da próxima consola Xbox Series X e o futuro Project xCloud (cloud gaming).

O cancelamento do serviço de streaming é um ajuste nessa sua estratégia. A plataforma falhou em atingir os objetivos internos, mesmo com a contratação de streamers capazes de arrastar vastas comunidades. “Nesse sentido decidimos fechar as operações do Mixer e ajudar a nossa comunidade a transitar para uma nova plataforma”, refere Phil Spencer em relação à parceria com o Facebook para a sua nova plataforma de gaming.

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No que diz respeito ao número de horas assistidas, o Mixer nunca conseguiu vingar perante outras plataformas.

Nesse sentido, na referida data, todos os websites relacionados com o Mixer e aplicações passam a direcionar os utilizadores para o Facebook Gaming. Há ainda um guia com todas as regalias que os parceiros do Mixer podem aceder numa nota à parte.

O líder da Xbox destaca que a tecnologia e os recursos investidos no Mixer serão agora aproveitados internamente nos produtos da Microsoft, nomeadamente o Teams, na interação em tempo real em vídeo e experiências virtuais desde encontros a eventos ao vivo em outros contextos.

A decisão da Microsoft deixou a comunidade surpreendida, visto que no ano passado investiu milhões de dólares para assegurar não só Tyler “Ninja” Blevins e Michael “Shroud” Grzesiek, como também Soleil “Faze Ewok” Wheeler e Cory “King Gothalion” Michael. No caso do Ninja, o famoso streamer deixou uma comunidade de 14,7 milhões de seguidores na Twitch e nunca ultrapassou os 3 milhões no Mixer, num negócio que poderá ter custado entre os 20-30 milhões de dólares à Microsoft.

Estes criadores ficam assim rotulados de “free agents”, o que significa que podem assinar com qualquer outra plataforma, incluindo o regresso à Twitch, se assim entenderem.

A Twitch já reagiu às notícias, deixando um elogio à Mixer pela sua “incrível plataforma e o crescimento de uma comunidade apaixonada de criadores talentosos”, deixando a mensagem à comunidade Mixer que a plataforma está pronta a ajudar e a receber a comunidade “neste tempo difícil”.

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Depois do pico na contratação de grandes estrelas, o número de horas assistidas no Mixer tem vindo a cair.

Também o criador Ninja referiu na sua conta do Twitter que tem algumas decisões a tomar nos próximos tempos, sem revelar os seus planos, se embarca no Facebook Gaming, ou se regressa “a casa” para a Twitch. De recordar que a sua saída não foi pacífica, deixando críticas à plataforma por ter usado o seu canal como catalisador para outros conteúdos quando foi embora para o Mixer. “Adoro a minha comunidade e tudo aquilo que construímos no Mixer”, referiu em reação à notícia do encerramento da plataforma.

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