O acréscimo significativo do número de professores e alunos a utilizar tecnologia na sala de aula, o aumento da motivação dos alunos e a mudança positiva das práticas pedagógicas são alguns dos benefícios apontados num estudo que pretendeu avaliar a iniciativa “Escolas, Professores e Computadores Portáteis”, cujos resultados foram divulgados esta quinta-feira, em Lisboa.

Lançada em Setembro de 2006 pela Direcção Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular do Ministério da Educação, através da Unidade de Missão Computadores, Redes e Internet nas Escolas, a iniciativa teve a duração de três anos e permitiu o apetrechamento das escolas do 2º e 3ª ciclo do ensino básico e secundário com computadores portáteis.

Para integrarem o programa, as 1.164 escolas públicas contempladas tiveram de apresentar um projecto próprio para desenvolvimento da iniciativa.

Cada escola teve direito a 24 computadores portáteis, sendo 10 destinados a utilização por professores e 14 para uso com os seus alunos, nomeadamente, na sala de aula. No total foram entregues 27.711 PCs.

Previa-se também a disponibilização de um projector de vídeo e de um ponto de acesso sem fios. “Actualmente são tecnologias banais, mas 2006 eram recursos muito importantes”, fizeram questão de salientar os representantes da DGIDC.

Os objectivos, como a promoção da melhoria das condições de trabalho na escola e o apoio ao uso individual e profissional das TIC por parte dos professores, foram alcançados de forma “muito significativa”, revelam os resultados do estudo.

Segundo o levantamento feito, os portáteis distribuídos ao abrigo deste programa terão sido usados por 40.591 professores em actividades educativas com os alunos, de uma estimativa total que rondava os cerca de 102 mil no ano lectivo de 2006/2007. Cada computador terá sido usado, em média, por 3,5 professores e por 20,5 alunos.

Benefícios para escolas, professores e alunos

As diferentes vertentes observadas na análise, elaborada pela Universidade de Évora a pedido da DGIDC, mostram que se registaram alguns benefícios com a implementação da iniciativa. Ao nível dos impactos na escola, o estudo aponta o acréscimo significativo do número de professores e alunos a utilizar a tecnologia na sala de aula, assim como o aumento da quantidade e da qualidade do trabalho produzido pelos professores.

Relativamente ao impacto nos professores e nos processos de ensino, a diversificação de estratégias pedagógicas, o acesso mais facilitado às TIC por professores e alunos, o desenvolvimento de competências profissionais, mais e melhor planeamento do trabalho educativo e o aumento do entusiasmo e confiança dos professores no uso das TIC na sala de aula foram os aspectos mais significativos.

No lado oposto, o número reduzido de portáteis adjudicados a cada escola e a falta de oportunidades de formação dos professores foram apontadas como as principais dificuldades notadas.

“Quando a construção de um projecto é assumida e partilhada pelos professores, estimulada pelos órgãos de gestão, em sintonia com a visão do projecto educativo da escola, o resultado corresponde a um envolvimento empenhado e efectivo de todos os participantes”, considera José Luís Ramos, da Universidade de Évora, a quem coube fazer a apresentação dos resultados do estudo em questão.

No documento são igualmente deixadas algumas recomendações aos diferentes intervenientes, que passam, nomeadamente, por aconselhar os professores a participar de forma activa nos projectos que envolvam as TIC e a assegurarem o planeamento cuidadoso e atempado dos processos de integração das tecnologias, “de modo a garantir o envolvimento e participação dos alunos”.

Às escolas, os responsáveis pelo estudo recomendam, entre outros aspectos, o estímulo de medidas para promover a inclusão digital efectiva e a flexibilidade da organização e das suas estruturas, “como forma de potenciar recursos e facilitar a mudança”.

As últimas recomendações têm os decisores políticos como destinatários. Além da continuidade ou extensão da iniciativa, aconselha-se o reconhecimento da importância do “conhecimento do contexto”, mencionando-se que no lançamento de novos programas se deverão ter em conta as necessidades diferenciadas de cada escola.

“A experiência desta iniciativa mostra como a existência de um projecto educativo associado à distribuição de computadores nas escolas deverá ser seriamente considerada pelos potenciais efeitos positivos dos destinatários”, nota o estudo.

Um aspecto que na opinião de José Luís Ramos não deve ser esquecido é a análise dos programas que se promovem. “Um país deve criticar, avaliar e aprender com as iniciativas que desenvolve”, defendeu.

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