Mandar construir um circuito eletrónico de tamanho reduzido – com uma área de cinco centímetros quadrados – pode custar 50 euros e a entrega pode demorar cerca de uma semana. Esta é a dificuldade pela qual passam muitos alunos de engenharia eletrónica e foi esta mesma dificuldade que fez Hugo Miranda criar uma solução que pode ter grande impacto na indústria eletrónica no geral.



O investigador da Universidade de Aveiro está a trabalhar numa tese sobre a tecnologia RFID - identificação por rádio-frequência - e teve a necessidade de produzir protótipos de forma rápida e flexível. Foi aí que decidiu imprimir circuitos eletrónicos, mas primeiro trabalhou na transformação das cabeças de impressão de uma antiga máquina que tinha lá por casa.



Mais tarde viria a perceber que talvez a ideia ao contrário – isto é, colocar logo na tinta as propriedades condutoras – surtisse um efeito mais prático. E é neste estado atual que está a tecnologia desenvolvida na UA. Imprimir circuitos em papel é uma realidade bastante alcançável.

O segredo está num conjunto de nano-partículas que são integradas na tinta de impressão e que à medida que vão sendo colocadas no papel, criam um fio de cristal condutor. Depois é só ligar os elementos externos pretendidos e fazer os testes. Caso haja alguma alteração a fazer, basta imprimir um circuito novo com as devidas correções.



Apesar de ser possível imprimir em papel de fotografia, o grande objetivo da equipa de investigadores que está a trabalhar na tecnologia é alargar os materiais onde a tinta pode ser aplicada e torná-la mais robusta.



Plástico e vidro são dois dos materiais nos quais a tinta já está a ser aplicada e em alguns casos a equipa de desenvolvimento já consegue garantir um nível de condutividade próximo ao do cobre. E quanto mais robusta for a tecnologia, melhor será para a sua promoção.





Imprimir circuitos eletrónicos pode vir a ser uma prática muito comum na indústria aeroespacial, na indústria dos drones, na indústria dos painéis solares e na indústria da RFID – no futuro em vez de códigos de barras os pacotes de produtos poderão ter uma antena impressa.



Também no sector automóvel a impressão de circuitos pode ser o futuro já que permitiria “desenhar” na estrutura do carro os elementos eletrónicos essenciais, descartando uma boa parte dos cabos que os veículos têm atualmente. Construir um carro seria bem menos complexo, explica Hugo Miranda.



A equipa não pensa para já na comercialização das várias variáveis do produto, por isso não é de estranhar que Hugo Miranda considere que “ainda vai demorar muito tempo” até que uma pessoa possa entrar numa loja e comprar um tinteiro com tinta eletrónica. Isto porque além de a tecnologia precisar de mais desenvolvimento, será depois necessário passar por certificações internacionais, o que leva o seu tempo.



“E em Portugal é complicado fazer mercado com isto”, disse o inventor, que sabe ser necessário arranjar um parceiro de negócio já estabelecido no campo da impressão para que a taxa de sucesso venha a ser maior.



No entanto a curto prazo o grupo de pesquisa da UA vai vender um kit didático para as escolas portuguesas – fazer circuitos com uma caneta, usando a tinta especial -, esperando que possa ajudar os alunos a interessarem-se mais pela área das novas tecnologias.



O que também para já não está nos planos dos investigadores é patentar a tecnologia. Depois de terem recebido aconselhamento académico de elementos da UA, chegaram à conclusão que tal como está agora, não há grande vantagem em pedir a propriedade intelectual da tecnologia. Hugo Miranda espera que quando o sistema for aplicado em situações específicas, aí já possa ser protegido e, respetivamente, lucrativo.

Rui da Rocha Ferreira


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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