A privacidade e a segurança dos dados dos utilizadores dos serviços e redes sociais estão na agenda das prioridades das empresas, levando à reformulação das aplicações e à forma como estes são acedidos. Stephan Micklitz, diretor de privacidade e identidade da Google, em Munique, veio à Web Summit revelar o que a Google anda a fazer nesse sentido.

O engenheiro começou por referir a filosofia da Google, na forma como pensa os seus produtos. São desenhados utilizando os dados dos utilizadores, transformando-os e devolvendo-os como algo útil para as mesmas. A Google coleta dados dos utilizadores mediante três objetivos: primeiro para tornar os produtos mais seguros e úteis, tais como gravar os seus dados do bilhete de voo, para registar na agenda a viagem, por exemplo. Em segundo para criar funcionalidades que sejam úteis para todos. Em terceiro, a empresa não descarta o lado comercial, de forma a obter receitas para que os produtos da empresa se mantenham livres de publicidade e gratuitos para todos.

“Sim, usamos os dados para tornar os serviços mais úteis para os clientes, mas isso não significa que a nossa tecnologia não seja utilizada para proteger as pessoas”, destaca o engenheiro. A empresa refere mesmo que o seu cofre de passwords tem sido usado com confiança pelos utilizadores para impedir que as mesmas caiam em mãos criminosas. E confiança parece ser mesmo o principal pilar que une a empresa aos seus utilizadores.

E tendo em conta as regras pesadas de privacidade na Europa, com a entrada do RGPD, a empresa faz questão de produzir os produtos na Europa, para depois exportar para outros pontos do mundo.

Relativamente a produtos Chrome, a empresa oferece toda a documentação disponível no que diz respeito à privacidade, acessível a todos os interessados nas suas políticas, de forma a manter a transparência. A empresa tem trabalhado em diversos produtos baseados em privacidade, salientando mais uma vez que a confiança é imperativa na sua conduta.

Na conta Google, é possível gerir a privacidade, através de ferramentas fáceis para os utilizadores apagarem a sua navegação, por exemplo. A Google refere que esses opões devem ser fáceis de encontrar, para que os utilizadores alterem quando quiserem e rapidamente. O modo Incógnito tem sido a ferramenta mais utilizada no que diz respeito à privacidade. Além disso, recentemente a Google introduziu o sistema de auto-apagar todo o rastro digital que os utilizadores quiserem.

A Google apresenta ainda uma nova ferramenta de liberalização dos dados, permitindo aos utilizadores copiarem as suas informações, e adicionarem aos servidores ou cloud, e até outros serviços como a Microsoft ou Apple. Mas ao mesmo tempo, há uma nova política de preservar a privacidade, libertando os utilizadores da micro gestão dos mesmos. Recentemente lançou o Password Checkup, uma ferramenta que permite aos utilizadores saberem se a sua password foi comprometida, mas sem a própria Google registar a respetiva palavra-passe, mantendo a privacidade dos utilizadores.

A Google inventou uma nova ferramenta chamada Federated Learning, que permite aprender novas palavras através das próprias escritas pelos utilizadores, reforçando os sistemas de machine learning da tecnológica.

A privacidade, para a empresa, não é o esconder os dados ou limitar o acesso aos mesmos, mas sim, oferecer as ferramentas necessárias para os utilizadores escolherem o que for melhor para si, destaca o engenheiro em palavras de despedida.

O Web Summit visto pelo SAPO TEK

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