As autoridades europeias do combate ao cibercrime têm feito um esforço de se manterem constantemente atualizadas e treinadas. Para tal foi criado o programa ECTEG (European Cybercrime Training and Education Group) com a missão de apoiar o esforço desenvolvido pelas polícias e magistrados dos Estados-membros da União Europeia na luta aos crimes do ciberespaço. O treino permite melhorar as capacidades técnicas e científicas em matéria de formação, investigação e desenvolvimento, numa parceria com especialistas das polícias, o mundo académico e sector privado.

A Polícia Judiciária é um membro cofundador, juntamente com as congéneres da Bélgica, França, Noruega e Espanha, sendo membros permanentes a Europol, Cepol, Eurojust e a Interpol. A Polícia Judiciária tem participado ativamente nos trabalhos orientados para dar resposta formativa de vanguarda à investigação criminal e os novos desafios que o Cibercrime e Ciberterrorismo representam, e nesse sentido, são realizados conteúdos para aulas à distância, ou presenciais.

Esse projeto de formação, designado por e-First, já é suportado por 14 idiomas da União Europeia. Este destina-se aos elementos das polícias de investigação criminal e magistratura judicial, que podem consultar a plataforma de autoformação, disponível 24/7, com conteúdos de atuação de crimes e segurança no ciberespaço. Foi explicado que o sistema reduz cursos e poupa esforços em duplicado para teinar os agentes. Do lado das vítimas, o sistema oferece uma voz permanente a quem tenha sofrido um ataque cibernético.

Para enfrentar o cibercrime, a polícia refere que devem ser dadas penas mais pesadas aos criminosos, dependendo da gravidade dos crimes, que passam por moléstia às crianças, vendas de produtos contrafeitos e hacking a entidades bancárias. As autoridades pretendem conseguir obter provas mais elaboradas de foro digital para encontrar os criminosos. As entidades polícias desejam igualmente que as empresas fornecedoras de internet apontem um responsável para colaborar com as investigações.

Só através da ajuda das pessoas que estão no campo, é possível ter acesso a conhecimento e ferramentas que contribuam para o sucesso do projeto, refere Joana Cruz-Schilling, representante da Comissão Europeia, na conferência de imprensa. A formação dos agentes não parece fácil, tendo sido tentados cursos, mas apenas o esforço global é possível, porque os criminosos também o fazem: conversam, ensinam novas técnicas de crime, e outras associações que os fazem estar quase sempre um passo à frente das autoridades.

Ives Vandermeer, presidente da ECTEG, explica que a ferramenta deve ser utilizada para treinar os agentes do terreno, os designados “first responder”, os polícias que tomam nota das queixas das vítimas, que fazem as patrulhas ou revistam as casas dos suspeitos. Existem 1,5 milhões de agentes utilizadores na União Europeia, a maioria não são bem formados na área das tecnologias, e principalmente sem capacidade de aprender em inglês. Por fim, a plataforma destina-se aos agentes que não têm possibilidade de frequentar os cursos tradicionais. É nesse sentido que a plataforma e-First pretende colmatar essas necessidades dos agentes.

A equipa do projeto e-Fisrt é constituída por agentes “first responders”, um especialista pedagógico, um psicólogo, um web designer e um coordenador. O projeto tem como objetivo melhorar o tempo de reação contra novos fenómenos, normalmente entre duas a quatro semanas. Futuramente serão adicionadas mais línguas, novas versões do guia de e-evidence. O sistema de visualização de provas será melhorado, entre outras funcionalidades que serão adicionadas à plataforma nos próximos tempos.

O sistema e-First será gratuito, mas restrito às agências de policiamento. Todos os agentes poderão contribuir para melhorar a qualidade da plataforma, assim como oferecer estatísticas de utilização.

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