Não é novidade para ninguém que a forma como as pessoas consomem conteúdos está a mudar a grande ritmo. Os CDs e DVDs como unidades de armazenamento já não fazem grande sentido e mesmo os cartões de memória e discos externos estão a sentir os efeitos que o streaming está a gerar na indústria do entretenimento.



Parar no tempo é possivelmente sinónimo de tornar-se irrelevante e nenhuma empresa quer isso. A Dyam, empresa de gestão de eventos e artistas musicais, não quis isso. A entidade olhou para o YouTube e viu a plataforma online como uma nova oportunidade. Foi por isso que decidiu que seria importante ser parceiro certificado do YouTube.



Isso e o facto de não haver nenhuma empresa portuguesa referenciada na lista de parceiros certificados da plataforma de vídeos da Google. Para conseguir a “distinção” foi preciso completar um curso online de 40 vídeos onde são explicados os princípios e dicas básicos para quem quer gerar algum dinheiro a partir do YouTube.



Seguiu-se um questionário com 100 perguntas no qual era preciso obter uma determinada taxa de respostas certas. A Dyam conseguiu e agora é a única empresa portuguesa com esta certificação.



Nélson Antunes é produtor na Dyam e explicou ao TeK que através da certificação a empresa pode “ajudar novos artistas e novos projetos a desenvolverem-se”. Como? Através do aconselhamento da gestão de canais e através da aplicação de estratégias de crescimento.



O produtor da empresa portuguesa lembra por exemplo que é possível juntar vários artistas num único canal e trabalhar o mesmo de forma diferente daquilo que seria feito caso a caso. Mas Nélson Antunes partilhou ainda outras duas dicas sobre como melhorar a presença no YouTube: ter regularidade na publicação de vídeos e estimular a interação com o público no canal.



O “selo de qualidade” conquistado junto da Google tanto serve para ajudar artistas da área da música – e onde estão as raízes da Dyam -, como qualquer outra entidade ou pessoa que esteja interessada em conseguir uma maior presença na plataforma online e até quem sabe, conseguir algum dinheiro.



A teoria e a prática até podem ser boas, mas há uma questão que é preciso ser feita: é possível viver apenas dos rendimentos oriundos do YouTube?



“Já há pessoas em Portugal que vivem do YouTube, mas são muito poucas. Mas cada vez mais vai ser possível viver do YouTube”, analisou Nélson Antunes.



O futuro até pode ser promissor, mas a realidade atual não é tanto. “O mercado nacional no YouTube é baixíssimo”, disse o porta-voz da empresa, que considera por exemplo que ao nível dos artistas independentes não existe uma grande monetização.



Mas a Dyam quer mais do que ajudar a entrar no YouTube. A Dyam também quer fazer exatamente o contrário: pegar em artistas que já têm algum sucesso nas redes sociais e ajudá-los a chegarem a novos mercados, através do lançamento de discos e promoção de eventos por exemplo.



Nélson Antunes revelou ainda que a empresa quer ajudar mais artistas a chegarem aos canais de distribuição online como o iTunes e o Spotify.



A sombra dos direitos de autor


Plataformas populares como o YouTube são locais perfeitos para se encontrarem violações dos direitos de autor. Como os conteúdos são bastante acessíveis, muitos utilizadores acabam por pensar que os vídeos são do domínio público esquecendo por completo que podem estar a cometer uma ilegalidade.



Mas da experiência que tem, Nélson Antunes considera que a questão dos direitos de autor apesar de ser um dos aspetos em evidência no curso de certificação do YouTube, acaba por não ser uma realidade muito relevante entre os utilizadores portugueses.



Isto porque o YouTube tem uma ferramenta robusta de deteção de conteúdos que estão registados como sendo proprietários de uma entidade, normalmente as editoras. No entanto há um grupo que para o produtor da Dyam está mais exposto: os artistas independentes.



Como as produções não estão registadas junto de uma editora, é difícil ao YouTube saber a quem pertence o conteúdo.



Mas no final de contas é justamente nestes casos que a Dyam pode fazer valer a sua certificação e ajudar de forma eficaz os produtores portugueses.

Rui da Rocha Ferreira


Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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