O IOL apresentou hoje um conjunto de três condições básicas para retomar a sua oferta ADSL que a partir de hoje está suspensa em virtude das condições regulatórias. Tal como o TeK noticiou ontem, o IOL Express deixa a partir de hoje de aceitar novos clientes por considerar que o modelo que serve de base a este negócio não é rentável e favorece o operador incumbente, detentor da infra-estrutura.



O ISP da Media Capital considera essencial a eliminação da taxa de activação paga à Portugal Telecom por cada cliente conseguido (fixada nos 73 euros) alegando que esta não corresponde aos custos reais da operadora; apela à criação de condições de rentabilidade na banda larga (o que implica um desconto no trânsito IP em 35 por cento), e por último a criação de mecanismos de protecção de margens para todas as classes de débito.


Relativamente a este aspecto Manuel Castelo Branco, director-geral da Media Capital Telecom explicou em conferência de imprensa que a classe 256 kbps - na qual a PT lançou recentemente uma oferta - não está abrangida pelos mecanismos de retail minus 50 por cento que, na opinião da empresa, deverá ser aplicado em todas as categorias de débito, mesmo nas que já utilizam a regra em diferente proporção.



Para as restantes classes de débito é aplicada uma regra de retail minus 40 por cento mas, segundo o operador, apenas está dirigida a uma parte dos custos suportados pelos ISP pelo que se mostra insuficiente para garantir a rentabilidade do negócio.



A suspensão do serviço implica, por outro lado, o cancelamento de todos investimentos da empresa para a Sociedade da Informação, que ocorriam sobretudo nas áreas de áudio e vídeo. Manuel Castelo Branco explica que os conteúdos de banda larga desenvolvidos pelo IOL eram financiados pelos acessos, que correspondem a 83 por cento das receitas do ISP, pelo que suspendendo a venda de novos acessos torna-se incomportável a manutenção desses investimentos.



Na apresentação a Media Capital detalhou alguns dos custos suportados pelo seu ISP que a levaram a decidir retirar das lojas entre 2.000 e 2.500 caixas de kits ADSL.
Para além do preço de activação o IOL garante ter despesas com os modems (de 23 euros), custos de distribuição e logística (31 euros) e marketing (41 euros), valores suportados por cada novo cliente angariado: 164 euros, dos quais 43 por cento são pagos à PT.




A este montante somam-se as despesas mensais do serviço. Entre mensalidade à PT, despesas de trânsito IP, cobrança, facturação e conectividade, o ISP gasta 45 euros para uma receita de 33 euros (valores sem IVA), o que garante um défice de 12 euros por cliente em cada mês. Até à suspensão do serviço o IOL detinha cerca de 2100 clientes.



Entretanto, o Clix divulgou um comunicado explicando que "está neste momento a analisar situação e em breve comunicará a sua decisão nesta matéria". O ISP da Sonae considera que a situação que "temos em Portugal é singular: quanto mais clientes ADSL um operador alternativo tem, maior o seu prejuízo", mencionado igualmente alguns dos esforços levados a cabo desde 2002 para alterar a situação actual.



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