Quando o Internet Explorer 10 for lançado, no outono, trará as chamadas ferramentas de Do Not Track ativadas por definição. Isto significa que, se o utilizador não mudar as configurações do brower, este não recolherá dados da navegação destinados a serem partilhados com terceiros para fornecimento de "publicidade à medida" dos interesses daquele internauta.

"Ao ativarmos a funcionalidade Do Not Track" por definição no Internet Explorer 10, estamos a dotar os nossos clientes de maior controlo sobre a forma como o seu comportamento online é registado, partilhado e usado", afirmou um porta-voz da Microsoft, citado pelo Chicago Tribune.

A intenção de lançar o próximo navegador com ferramentas de Do Not Track que têm de ser desativadas para que os dados da navegação possam ser colhidos (o chamado sistema de "opt out") ao invés de ativadas - como propõe a maioria das responsáveis pela criação de navegadores e empresas que se dedicam à publicidade online - está a gerar reações adversas por parte da indústria da publicidade, que vê o negócio ameaçado, relata o jornal americano.

Com esta decisão a empresa estará a cortar automaticamente uma fonte de receita representativa destas empresas, que cobram valores muito mais avultados pela publicidade que é apresentada tendo em conta o histórico de navegação dos internautas.

Os profissionais da área afirmam também que se trata de uma experiência muito mais agradável para os consumidores, que recebem propostas e anúncios que vão ao encontro dos seus interesses. A visão é, porém, contestada por associações de defesa da privacidade e dos consumidores, que temem a falta de controlo sobre os dados recolhidos e as ingerências na esfera privada sem autorização.

Os analistas, por sua vez, encaram a medida da gigante de Redmond uma estratégia inteligente para conquistar os internautas mais preocupados com as questões da privacidade, que pode valer à empresa mais alguns pontos na batalha pelo controlo do mercado de browers - onde tem vindo a perder pontos.

A questão das ferramentas que permitam ao internauta impedir a recolha de dados sobre a sua navegação tem sido alvo de ampla discussão nos últimos tempos, tendo sido criado um grupo de trabalho por parte do World Wide Web Consortium para estudar a introdução deste tipo de mecanismos em browsers e sites, mas até à data ninguém se manifestou a favor de ferramentas que obrigassem os utilizadores a terem de desativar o Do Not Track (ferramentas de "opt in", como a Microsoft garante que vai fazer).

Escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

Joana M. Fernandes

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