A investigação que levou ao desmantelamento da "KidFlix", cujos servidores foram encerrados, envolveu buscas em 35 países e é "a maior operação de sempre" contra a pornografia infantil desde a criação da agência europeia de polícia (Europol), declarou Guido Limmer, diretor-adjunto da Polícia Judiciária da Baviera, na Alemanha, numa conferência de imprensa.

Segundo a Deutsche Welle, 79 pessoas foram detidas na operação "Steam", que começou em 2022, por suspeitas de terem visto ou descarregado vídeos, mas também de abuso sexual de menores.

Foram retirados da plataforma no início de março mais de 70.000 vídeos, mas as autoridades apreenderam mais de 91.000, identificando mais de 1.400 suspeitos em todo o mundo.

A plataforma criada em 2021 era, segundo a Europol, uma das mais utilizadas entre pedófilos e permitia os utilizadores descarregar ou assistir a vídeos mediante o pagamento de uma taxa, assemelhando-se a uma plataforma de streaming.

Em comunicado à imprensa, a Polícia Judiciária (PJ), que também participou na operação, avança que em Portugal, a Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Técnológica (UNC3T) deteve, em flagrante delito, dois cidadãos, de 28 e 35 anos, "ao que tudo indica sem antecedentes criminais".

"No decurso das várias diligências encetadas por esta Unidade, foi possível recolher relevantes elementos de prova, nomeadamente equipamentos informáticos com conteúdos de abuso e exploração sexual de crianças", indica, acrescentando que, após presença às autoridades judiciárias, um dos suspeitos ficou em prisão preventiva.

Ainda este ano, a Europol realizou outra investigação que levou à detenção de pelo menos 25 pessoas por distribuírem através da internet conteúdos de pornografia infantil gerados por Inteligência Artificial (IA).

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Em 28 de fevereiro, a agência europeia revelou que essa operação "foi um dos primeiros casos que envolveu conteúdos de pornografia infantil gerados por Inteligência Artificial, o que torna a tarefa dos investigadores particularmente difícil devido à falta de legislação relativa a estes crimes".

À semelhança desta mais recente operação, esta investigação em fevereiro também envolveu um esforço de forças policiais de 18 países.

Sob pressão para combater a criminalidade organizada, a Comissão Europeia propôs na terça-feira o reforço da agência de coordenação policial Europol, duplicando o seu pessoal.

Com mais de 1.400 funcionários, a Europol é uma agência conhecida pela sua ação contra o crime organizado, a cibercriminalidade e o terrorismo.

Nos últimos anos, tem participado em operações de desmantelamento de redes de traficantes de seres humanos e de piratas informáticos.

No entanto, o executivo europeu quer reforçar o seu papel para a tornar uma agência policial verdadeiramente operacional.

A Comissão pretende igualmente um plano de ação para proteger as crianças e combater a pedofilia, bem como uma estratégia para combater melhor o tráfico de armas de fogo e o branqueamento de capitais.

A sua proposta será submetida à aprovação do Parlamento Europeu e dos Estados-membros.

Nota de redação: A notícia foi atualizada com informação avançada pela Polícia Judiciária. (Última atualização: 15h11)