Numa altura em que o corpo humano se está a converter numa chave de autenticação digital, substituíndo pins numéricos e palavras-passe, surge uma peça de joalharia que une tecnologia e arte, pretendendo manter a salvo os dados biométricos únicos dos utilizadores. A "culpa" é da Kaspersky, que se associou a um designer de acessórios 3D de Estocolmo, Benjamin Waye.

Hoje em dia são muitos os serviços digitais e automatizados e, por isso, os dados biométricos convertem-se num elemento essencial no momento de os desbloquear, pelo que já é frequente utilizar a impressão digital ou o rosto para desbloquear o telemóvel ou para fazer pagamentos. Mas pode uma pessoa continuar a utilizar autenticação biométrica nos seus dispositivos sem se preocupar com o roubo dos seus dados e respetiva utilização para fins mal-intencionados? Foi com esta questão em mente que os dois parceiros desenvolveram esta tecnologia.

No comunicado divulgado à comunicação social a empresa de cibersegurança explica que o anel "é apenas uma das soluções possíveis para proteger os dados biométricos, tendo em conta o contexto atual, no qual não existe garantia de que estes dados sejam armazenados por terceiros de forma responsável". A partir deste dispositivo os utilizadores podem desbloquear o seu telemóvel e utilizar outros sistemas que requerem autenticação, através de impressão digital, "sem terem a preocupação de que os seus dados biométricos possam ser roubados", garante a empresa de cibersegurança.

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Mas que vantagens tem este anel? Ao contrário da impressão digital, a impressão artificial pode ser alterada e reajustada. Por isso, caso haja uma fuga de dados devido a um ataque, o anel pode ser substituído por um novo padrão artificial e os dados pessoais únicos dos indivíduos ficarão seguros.

Em comunicado, o designer responsável por desenhar este anel considera que "o anel não é apenas uma peça bonita", visto que "foi desenhado com o objetivo de ajudar a resolver um problema bastante importante nas nossas vidas". "Ele ajuda a preservar a nossa singularidade, num mundo onde tudo pode ser copiado”, acrescenta Benjamin Waye.

Já Marco Preuss, diretor da equipa europeia de Investigação e Análise Global da Kaspersky, assume que o anel não se trata de uma "solução mágica". Na opinião do especialista "a solução real consistiria em criar normas e tecnologias capazes de garantir a proteção da identidade única de cada pessoa".

Uma realidade: ameaças de cibersegurança nos dados biométricos

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Em 2015 os escritórios de Gestão de Pessoas dos EUA (OPM) foram hackeados, dando origem a uma fuga de 5,6 milhões de impressões digitais. Mais recentemente, mais de um milhão de impressões digitais foram descobertas numa base de dados de acesso público utilizada pela polícia metropolitana do Reino Unido, negócios locais, governos e bancos. Estes dois casos são apenas alguns exemplos nos quais os investigadores demonstraram que existem esquemas de provas de conceito que permitem o roubo de impressões digitais, com a ajuda de câmaras digitais e outras ferramentas disponíveis.

Uma investigação da Kaspersky publicada no início de dezembro destacou também que os dados biométricos correm o risco de serem comprometidos, com a análise das ciberameaças aos sistemas utilizados para processar e armazenar dados biométricos a mostrar que se encontraram várias ameaças que tentaram infetar os sistemas de TI, incluído trojans de acesso remoto, ransomwares e trojans bancários. Apenas no terceiro trimestre de 2019 cerca de 37% destes computadores enfrentaram uma destas ameaças, pelo menos uma vez.

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